22 junho, 2008

post - o meu rio Douro é um S

Doiro
Corre, caudal sagrado
Na dura gratidão dos homens e dos montes!
Vem de longe e vai longe a tua inquietação...
Corre, magoado,
De cachão em cachão,
A refractar olímpicos socalcos
De doçura
Quente.
E deixa a paisagem calcinada
A imagem desenhada
Dum verso de frescura
Penitente.
Torrão, 7 de Setembro de 1968, Miguel Torga, diário XI

o meu rio Douro é um S
do sopé [da minha humanidade]
ao cimo da montanha [onde o céu parece mais possível]

fotografias: Tinta Azul
a quem agradeço muito ter visto o que eu queria olhar, para o poder mostrar e dar
22 Junho 2008
(Rio Douro, entre a Ponte da Ermida e a capela de S. Cristóvão)

música: Rão Kyao, chapéu preto

24 comentários:

Mel de Carvalho disse...

Belíssimo blog. Tomarei a liberdade de o linkar se não for incómodo no meu blog de poesia - aquele em que tenho link activos.
(www.noitedemel.blogs.sapo.pt)

Receba um fraterno abraço e os votos de excelente fim de semana
Mel
(Mª. Amélia de Carvalho)

Anónimo disse...

(Não sou só eu que faço noitadas...). Mas o seu resultado valeu a pena...
:))
Zé-Carlos

~pi disse...

deixa as curvas

mais fechadas

para o inverno dos

gestos

e brilha agora [doiro

os verões da

memória mais quente

[ entraçado

de comboios e

praia



~

Justine disse...

Grande poema, a cheirar a terra e a água.
Beijo

um Ar de disse...

Correu bem, essa viagem...
Sente-se, com todos os sentidos.

[Beijo.....]

mdsol disse...

mel de carvalho:
Benvida e esteja completamente à vontade. Muita generosidade sua na apreciação...
:)

Zé_Carlos

Quanto às noitadas já me confessei! Sou coruja mesmo! O pior é de manhã! Se valeu a pena, tanto melhor...
:))

~pi
Obrigada pela visita e pelas palavras.
:)

justine:
preparação para ir até aquelas bandas... lindas como tu sabes!
:)

um ar de:
muito bem. Fui de "motorista" da artista. Pareu em todo o canto, fiz marcha atrás para que... pus os piscas a funcionar para não levar com alguma viatura menos atenta e...também sugeri ... or abem. Pedi doi solhares de encomenda.
O dia estava quente como convém! A natureza nesta altura está muito bonita. Os matizes de verde imensos, as cores das flores silvestres profusas e lindas (as Maias ainda estão pujantes de provocação amarela). Os cheiros intensos, não só das Maias, como da flor de laranjeira, como de tudo... Fomos do sopé ao cimo da montanha. E, lá em cima....onde o céu parece mais possível comovi-me!
Beijos de quem está à espera de fottografias para acabar o post!
:))

mdsol disse...

um ar de:
desculpa as gralhas... escrevo de enfiada como sabes...

Parei e não pareu
ora bem e não or abem
dois olhares e não doi solhares
fotografias e não fottografias
(esta correcção é para me auto-castigar e para a próxima ter mais cuidado)
beijos
:))

VEU DE MAYA disse...

Que bela paisagem de laranjas e vinho e a força selvagem de andar no caminho...desbravando a serra.
E em Miguel Torga tudo isso é tão genuíno! Incompleto pq falta a imagem?...


Cheiros a mangerico

mdsol disse...

veu de maya:
sim, porque falta a imagem. O que está incompleto não é, naturalmente, o que o M. Torga diz...
mas sim o post!
:))

mdsol disse...

Bad news
A tecnologia está a impedir que eu acabe o post!
Ora bolas (eufemismo catita....)
:)

Tinta Azul disse...

Que hei-de eu comentar?
Que os meus olhos vêem menos nítido que a minha alma?
:)

Juani lopes disse...

QUE BELLAS FOTOGRAFIAS DE UN BELLO RIO, YO EL SABADO ESTUVE EN EL TAJO
SALUDITOS

Duarte disse...

MARIA DO SOL E TINTA AZUL
Tenho que por-vos em maiúsculas pelo grandes de sois. Sim, as pessoas crescem com os seus feitos. Levo muitos anos nesta vida, e pude chegar à conclusão de que só aprende aquele que quer. A inquietude que cada um esgrime durante a sua vida é o fruto que se recolherá com o passar do tempo.
Na distância a perspectiva do tempo e das coisas fazem-nos ver matizes diferentes. Ver umas imagens da minha terra à vista de pássaro, que não está ao alcance de todos, é algo inenarrável. Fiquei atónito na contemplação. O remate veio com os acordes do Carlos Paredes, e então o meu Douro desbordou-se; mas fui muito feliz, pois o poema, tão imenso, e as vossas artes... fizeram-me, por momentos, um dos homens mais felizes do mundo. Ficou o rescaldo, que realmente é o que aquece e perdura.

Um grande beijo para cada uma de VÓS por proporcionar-me um momento tão belo, tão grande satisfação.
Hoje, sim, posso dizer que sou um pouco mais feliz.

mdsol disse...

NOTA IMPORTANTE:

Por meios menos ortodoxos conseguimos "dar a volta" e acabar o post! Um agradecimento especial. à minha querida Tinta_Azul, do blog aluaflutua com link ali ao lado
:))

Duarte:
Obrigada...
Entretanto troquei a música...mas prometo que um dia destes volto a colocar o Carlos Paredes.

heretico disse...

conheço bem esse Douro. lá mais para nascente. onde existem (iam) corvos brancos...

soberbo Douro. imperial...

O natural de Barrô disse...

Amo o Douro que me viu nascer, as suas curvas, as suas encostas verdejantes, os seus vinhedos,as suas flores silvestres; os seus montes esventrados por riachos que ali vão desaguar.
Nos seus montes, procurei com o olhar encontrar mouras encantadas.Com os sonhos povoados por estórias contadas pela minha avó.E, a magia cresceu calcorreando todos os seus lugares.
A última fotografia é para mim a mais bela.Ali nasci, no sopé dos montes e com o Rio a entrar-me pelos olhos dentro.

mdsol disse...

heretico:
:)

o natural de barrô:
:))

Duarte disse...

Esta interpretação de "chapéu preto" também é adequada ao momento. Não é a versão que recordo de então, mas sim move os sentimentos.
Por momentos escutei as águas do Douro e as cantigas nos dias da vindima.

Continuas a acertar...

mdsol disse...

Duarte:
Acho esta um pouco mais "específica" sim. Era esta que eu queria colocar...
:)

VEU DE MAYA disse...

As imagens são fantásticas...já passei por aí...

Viva o S.joão e as orvalhadas
Viva o S.João e as mulheres casadas
Viva o S.João e as orvalheiras
Viva o S.João e as mulheres solteiras...
Viva o S.João e as orvalhudas
Viva o São João e as mulheres viuvas.

Mangerico e alho porro.
:)

um Ar de disse...

É uma autêntica viagem, pelas sinuosidades do rio... até se perder no alto das montanhas!...
.
Depois, a descida... e o regresso!
Sumptuoso! O texto, também...
.
[Beijo dourado]

mdsol disse...

veu de maya:
biba, pois! Biba, biba, biba!
:))

um ar de:
minha linda, nem te passa a enorme volta que fomos dar no regresso....raciocínio tipo: já que estamos cá em cima...mas foi bom!
beijos

WOLKENGEDANKEN disse...

Ahaaaaaa, o Douro. Pois por ali ainda nao passei. Parece que perdi muito ! Já meti os Acores na lista de proximas viagems, pois vai a regiao do Douro tambem !!

clickit disse...

Falta-nos ainda que o Manuel de Oliveira se lembre de ir por aí acima, daqui para lá, devagarinho, como ele sabe e gosta
...filmar "Os Amantes do Douro". Nem precisa de enredo! Aí sim, seríamos muito FELIZES e ORGULHOSAS a ver o nosso rio com vinho fino dentro.
Bjinho
(não ligues ao nick, sou a bettips)