17 Julho, 2009

reposições de verão - bom proveito das ideias dos outros

.



Mondrian, P.
compositie met rood, geel en blauw











Yves Saint Laurent
Piet Mondrian day dress
(outono de 1965)














Mondrian, P.
composition with red, blue, black, yellow, and gray,
(1921)

16 Julho, 2009

nota em dó maior

.
José Pacheco Pereira causa-me muita impressão a vender as fragilidades de Manuela Ferreira Leite como meros problemas de expressão.

flexibil idade




Pesce, G.
XXXL monumental vase
(2004)



Vou para uma reunião de trabalho, dirigida por mim, com uma posição definida quanto ao modo de resolver o assunto que era necessário tratar. Digo como entendo que se deve fazer. Ouço quem está. Alguém me apresenta, com alguma cerimónia, um modo completamente diferente. Peço argumentos. Concordo com alguns, mas não concordo com todos. Faço a arqueologia da minha posição em voz alta. Alarga-se a discussão aos restantes. Exploram-se os prós e os contra de cada possibilidade. Nesta altura já havia duas possibilidades. Na discussão aparecem pequenos passos possíveis que acabam por harmonizar os dois modos de fazer distintos. Acho que a reunião acabou bem.
Fico sempre com a sensação de que prescindir um pouco de mim, embora possa melhorar a solução, num mundo de aparências é seguramente tido como falta de firmeza. E, sinceramente, não acho nada disso. O que tento é não confundir firmeza com casmurrice ou mero exercício do poder. Não estou nada segura de que os outros assim pensem. Mas estou segura do que penso eu. E, como diria a minha mãe: ninguém se faz!

blogomenagens (4)

Foi o título do blog. (Inicialmente EÇA É QUE É HESSE). Pensei logo que era brincadeirinha com palavras que me assentava que nem uma luva. Imaginei-me a "inventá-lo". Espreitei, fui espreitando e durante muito tempo não disse nada. Não era só um novo blog, era um registo que eu não conhecia. Percebi que a autora era uma menina, muito mais nova do que eu. Os posts curtos, incisivos, sem papas na língua, algumas vezes longe do que eu penso, às vezes com uma linguagem que eu não uso, eram um desafio e davam-me um prazer especial. Senti-me a aprender coisas, porque vindas de um olhar muito diferente do meu. E eu gosto de poder observar uma pessoa inteligente e sensível a dizer o que sente, sem estar propriamente preocupada em ser politicamente correcta ou ir na crista mainstream. E fui andando por lá. Percebi que era tradutora, cheia de projectos noutras áreas e bastante insatisfeita com as perspectivas do país. Entretanto, e não menos importante, assisto à contagem decrescente para o nascimento do sobrinho de quem a Isa já gostava muito antes de ele nascer. Impossível resistir à sua explosão de amor, ternura e alegria. Atrevi-me a dizer-lhe que, mesmo que lhe parecesse estranho, eu estava comovida com o nascimento. Fez-me avó virtual do Joãozinho - generosidade de um coração que não complica nem precisa que tudo seja absolutamente lógico ou positivamente racional. Depois acompanhei o desmontar da casa, a venda das suas coisas através do blog, as explicações que foi dando para a sua partida, para respirar outros ares, viver novas oportunidades. O que esta sua atitude e o modo como a apresentou me fizeram pensar! E pensei muito nela no dia em foi para o Brasil. E confessei-lhe que também tinha vontade de ir. Tivesse eu menos 20 anos. E dei-lhe os parabéns pela coragem. E continuo a acompanhar a odisseia da Isa lá do outro lado, sempre descrita com humor, de forma sentida e num excelente português. E torço por ela, p'ra que tudo dê certo. E mando regularmente beijinhos para o Joãozinho, que faz hoje um ano.

Parabéns ao Joãozinho.



Tom Wesselmann - Unicef bouquet (1988)

[PS:eu não conheço a Isa pessoalmente. O que me apercebo e sinto, bem ou mal, é só através do blog, comentários incluídos. Mantém-se o que escrevi a itálico no post blogomenagens (1)]

a cal mar





Franco, R.
tranquil
(s/data)







O RIGOR

O rigor do verão quase
extinguiu os pequenos
oásis do coração:
nenhum
de nós conseguiu dobrar
o lume, acariciar
o tigre, desviar a sombra
dos lábios - arder
era afinal a nossa vocação.

Eugénio de Andrade, rente ao dizer, 36

15 Julho, 2009

música e não só

.

Wim Mertens, struggle for pleasure

reposições de verão - together

.





Chagall, M.
the rooster

(1929)






(clicar na imagem para ampliar)




"Um galo sozinho não tece a manhã:
ele precisará sempre de outros galos."
...
João Cabral de Melo Neto, tecendo a manhã (versos iniciais)

14 Julho, 2009

14 de Julho (2)



Raynaud, J. P.
objet drapeau (France), pot
(2005)


A liberdade é azul
A igualdade é branca
A fraternidade é vermelha

Trilogia de Krzysztof Kieślowski


Yves Montand, instrumental, Edith Piaf - sous le ciel de Paris

Sous le ciel de Paris

Sous le ciel de Paris
S'envole une chanson
Hum Hum
Elle est née d'aujourd'hui
Dans le coeur d'un garcon
Sous le ciel de Paris
Marchent des amoureux
Hum Hum
Leur bonheur se construit
Sur un air fait pour eux

Sous le pont de Bercy
Un philosophe assis
Deux musiciens quelques badauds
Puis les gens par milliers
Sous le ciel de Paris
Jusqu'au soir vont chanter
Hum Hum
L'hymne d'un peuple épris
De sa vieille cité

Près de Notre Dame
Parfois couve un drame
Oui mais à Paname
Tout peut s'arranger
Quelques rayons
Du ciel d'été
L'accordéon
D'un marinier
L'espoir fleurit
Au ciel de Paris

Sous le ciel de Paris
Coule un fleuve joyeux
Hum Hum
Il endort dans la nuit
Les clochards et les gueux
Sous le ciel de Paris
Les oiseaux du Bon Dieu
Hum Hum
Viennent du monde entier
Pour bavarder entre eux

Et le ciel de Paris
A son secret pour lui
Depuis vingt siècles il est épris
De notre Ile Saint Louis
Quand elle lui sourit
Il met son habit bleu
Hum Hum
Quand il pleut sur Paris
C'est qu'il est malheureux
Quand il est trop jaloux
De ses millions d'amants
Hum Hum
Il fait gronder sur nous
Son tonnerr' éclatant
Mais le ciel de Paris
N'est pas longtemps cruel
Hum Hum
Pour se fair' pardonner
Il offre un arc en ciel

Estou redimida, jrd?

ex certos

.




Berckheyde, J.
the baker
(1681)





... Também gosto muito de pão. Muito mesmo. Gosto imenso de padarias e do seu cheiro. Mas, a minha história com padeiros é demasiado frustrante. A única vez que fui levada ao colo por um padeiro, ele deve ter ficado tão atrapalhado com a ninfa, de roupão e camisa de noite, desmaiada nos seus braços, que se atarantou e tropeçou nas escadas que subia comigo ao colo. Certo e sabido que bati com a cabeça nas escadas e acordei do desmaio sem delongas estilísticas. Acto contínuo, dei conta de mim e do que se passava e, imediatamente, subi o resto das escadas sozinha, sem o padeiro que, preocupado, só dizia, ó menina desculpe, eu levo-a, olhe que pode cair. Mas eu lá fui, continuar a dormir em sossego. A amiga que me meteu na cena que se entendesse com o padeiro e lhe agradecesse o gesto trapalhão.

se lou





Gray, C,
release 3
(2004)







Engelbert Humperdinck , please release me

Please release me, let me go,
For I don't love you anymore.
To live a lie would be a sin.
Release me and let me love again.

I have found a new love, dear.
And I will always want her near.
Her lips are warm while your's are cold.
Release me, my darling, let me go.

Please release me, let me go,
For I don't love you anymore.
To live a lie would be a sin.
So release me and let me love again.

Please release me can you see
You'd be a fool to cling to me
To live a lie would bring us pain
Release me and let me love again
(let me go, let me love)


[Também não é propriamente o meu momento Tony Carreira. Vá lá, concedam que dançaram uns slows ... adiante...:))))]

14 de Julho

.



Raynaud, J. P.
bleu - blanc -rouge
(1987)


14 de julho


La Marseillaise

O jrd faz um reparo pertinente: diz-me que este post merecia uma canção francesa. Entendi. Mas vou só reparar a falta de cuidado com uma provocaçãozinha:


Gilbert Becaud, l'important c' est la rose

13 Julho, 2009

é melhor chorar a rir do que só chorar

Querem rir-se, apesar de o caso ser sério? Vão aqui

manhã de segunda mas uma boa semana (9)

.



Pratt, S.
golden road








...
Basta a cada dia a sua própria alegria
e é grande a alegria quando iguala o dia

Ruy Belo, da poesia que posso {verão, [homem de palavra(s)], todos os poemas, Assírio e Alvim, 249}


Keith Jarret, summertime
(vale a pena ver o vídeo e reparar, também, na expressãoo corporal de K.J.)

Que todos tenham um dia que mostre a sua alegria.

12 Julho, 2009

desabafo

O modo como quase todos se referem a Sónia Sanfona como "a deputada Sanfona" diz muito do modo como à primeira piscadela de olho o preconceito vem ao de cima. Chamasse-se a senhora de Lenncasttre, Mennezzes, Vasconncellos, Pitta, (ou qualquer nome estrangeiro, mesmo que lá no país de onde vem seja equivalente ao Silva português) e ninguém se lembraria de dizer a deputada Pitta, por exemplo.

todos os dias são dias do ano

.



Manguin, H. C.
soleil et fruits
(1948)





Bom domingo a quem passa.

(Se repararem este quadro já tem 61 anos. Como o tempo voa, não é?)

11 Julho, 2009

sínteses






Pomar, J.
o concerto
(2007-2009)










"... Lembro-me de estar a viver noutro país e de não saber se era uma dorzinha ou se eram cócegas no coração, o que me acontecia quando ouvia a música dele. ..."
Sarah Adamopoulos, movimentos perpétuos, textos p/ Carlos Paredes, 110


Carlos Paredes, raíz

sábado de manhã (63)




Renoir, P.-A.
nude woman reclining, facing right*
(1909)




* ponham-se a fazer leituras políticas, ponham...

10 Julho, 2009

you will see (2)





Savage, K.
summer dress
(2006)








Assim ... verão

blogomenagens (3)

.




Cathelin, B.
bouquet rouge au pot blanc
(1972)




Em primeiro lugar reparei na fotografia do perfil: uma criança linda, numa pose e apresentação que me fez pensar que a 'dona' deveria ser mais ou menos do 'meu tempo'. Achei logo muito interessante a ideia de escolher uma fotografia assim para o perfil. Depois, já não sei exactamente como, fui-me cruzando com ela por aí. Hoje não passo sem ir ao Fórum Cidadania e, se a Carminda, sua autora, não aparece por aqui, também dou logo conta. Acompanhei a mudança de visual do blog e os posts sentidos da Carminda, as suas ausências porque sim, porque nem sempre ter horas livres significa ter tempo para escrever. Frontal e sincera, assim a vejo. Amorosa mas muito capaz de mandar dar uma volta ao bilhar grande quem ela entende que não se porta convenientemente, tendo em conta os seus horizontes sonhados. Segura e atenta, assim se deixa transparecer no seu fórum.
Gosto da música, dos poemas e das suas provocações, nomeadamente quando diz no título 'isto não é um post' e, o que nos apresenta, é um post e tanto. Habituei-me a gostar da Carminda. Ainda bem!
A Carminda faz hoje anos. Muitos, muitos parabéns, Carminda.
Vá, vamos lá dar-lhe os parabéns!


The Beatles, happy birthday to you


===========================================================================================

A Inês também faz hoje anos. Foi desta maneira que lhe dei os parabéns oa no passado.

09 Julho, 2009

obras familiares

.





Leonardo da Vinci
Mona Lisa (La Gioconda)
(1503-1506)










ROMA E PAVIA

Uma obra-prima,
sobretudo se rima,
é como Roma e Pavia.
Não se faz num só dia!

Paulo Abrunhosa, diário de um dromedário, 174


Pedro Abrunhosa, se eu fosse um dia o teu olhar

07 Julho, 2009

estrelas da tarde [ :) ]

.




Nolde, E.
mohnblüten
(c.1930)








DE TARDE

Naquele "pic-nic" de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.

Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.

Pouco depois, em cima de uns penhascos,
Nós acampámos, inda o sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia.

Mas, todo púrpuro, a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!

Cesário Verde, o livro de Cesário Verde 1887 (poesia completa 1855-1886, dom quixote, 133)


Carlos do Carmo, estrela da tarde

apeteceu-me, mainada

O futebol é a epopeia do homem comum.

ainda parabéns






Mccleary, D.
mixed flowers July 7
(2007)






Muitos parabéns ao A., ao R. e à I. que fazem hoje anos.