01 abril, 2008

...cantarei ... mesmo que a voz me doa...






d. kellermann, silence 1








O silêncio

Dai-me outro verão nem que seja
de rastos, um verão
onde sinta o rastejar
do silêncio,
a secura do silêncio,
a lâmina acerada do silêncio.
Dai-me outro verão nem que fique
à mercê da sede.
Para mais uma canção.

Eugénio de Andrade, Rente ao Dizer, 25

7 comentários:

Vieira Calado disse...

Belo!

um Ar de disse...

E necessário!
Faz falta o Verão...
Também me faz falta o Verão.


[BEIJO]

herético disse...

silêncio prenhe e fecundo...

belo.

um Ar de disse...

E não é que um Verão antecipado e inusitado apareceu, para te fazer a vontade?

Fizeste umpacto com o S. Pedro, nem que seja por três dias?

[BEIJO]

mariadosol disse...

Um ar de
Ou seja: pelo menos no tocante à meteorológica imagem a prece teve eco... ainda bem que foi o S. Pedro a escutar...olha se era o Santo António que a ouvia? Ainda me metia em complicações rsrsrs

mariadosol disse...

vieira calado: perante o caso permite-me que lhe chame vieira shiuuuuuuuuu? Obg :))

Herético
gostei sobretudo do prenhe
:))

Duarte disse...

Eugénio de Andrade, gosto, e bastante. A minha saída do País fez com que o elo de ligação, tendo presente a época, chegasse a um elevado grau de desvinculação com a cultura da que me nutri até então. Com o tempo fui entrando de novo, mas o processo foi lento, e, ademais, outras coisas tinham usurpado a minha atenção.
Encontrei no teu blog umas quantas coisas que me enriquecem.

Obrigado pela visita...