28 abril, 2008

...poema de amor...


O Olhar


Eu sentia os seus olhos beber os meus;
longamente bebiam, bebiam;
bebiam
até não me restar nas órbitas nenhuma
luz, nenhuma água,
nem sequer o sinal de neles ter chovido
naquele inverno.

Eugénio de Andrade (Rente ao Dizer)

4 comentários:

Anónimo disse...

Delicioso. Sinto-me nele

Duarte disse...

O convite a uma meditação prolongada. Escreve sentindo. Notei-o, foi prazenteiro.

um Ar de disse...

Este poema de amor deixa um vazio!... Um frio... Um nada.
Mas, que é lindíssimo, É!

[BEIJO]

mariadosol disse...

um ar de
eu acho-o tão lindo que é a segunda vez que o coloco. [Foi dos primeiros que aqui coloquei]. De tal maneira que nem lhe juntei qualquer imagem!
beijo