21 março, 2008

tinha jurado a mim mesma que não falava disto, mas a carne é fraca... 1 ângulo (espero que recto) do "caso do Carolina Michaelis"

A peça que a SIC mostrou ontem dia 20, até à exaustão, sobre o "caso Carolina Michaelis" era uma boa m… confundia tudo…inclusivé incluía “testemunhos” de um caso passado em 2007 sem que a linha divisória dos dois acontecimentos fosse clara…
Aliás, o modo voraz e superficial como a comunicação social em geral tratou este caso só se compreende no actual estado da comunicação social nacional e, provavelmente, pela sugestão do período em que estamos…
Acresce que, os especialistas chamados a pronunciar-se sobre a matéria, na maioria dos casos são sempre os mesmos e fazem quase a mesma figura que todos os que, nunca tendo estudado uma linha sobre o assunto, falam dele com o atrevimento da ignorância: Vem a senhora amorosa que se pronuncia sempre que há assuntos com infantes e juvenis (saberá de tudo?) e claro, enuncia princípios gerais generosos, mas nada específicos para o problema em causa; vem outra senhora, mais jovem, que deve ter sido detectada no google numa busca da última tese de mestrado ou do último projecto de doutoramento aprovado em ciências da educação, debitar duas ou três citações académicas completamente cruas, que tenta legitimar com nomes (conceitos, vá lá) importados dos “Isteites” (como se estes problemas fossem os mesmos de lá…bullying e tal…continuem com isso e perpetuem esta maneira (só) estrangeirada de tratar das nossas questões da educação, que tanto mal tem causado); vêm todos os que, à sua maneira, seguem a teoria da Manuela Ferreira Leite, quando procurou publicamente justificar as suas qualificações para Ministra da Educação: já foram estudantes logo conhecem a escola e têm filhos na escola (ou filhos de amigos e familiares) logo são especialistas... e falam do assunto com tanta segurança que parece que nunca reflectiram sobre outra coisa na vida… E andamos nisto…
O episódio que vimos tem atrás uma história que nos escapa, mas ... que só pode ser de tensões não resolvidas ...este episódio não "caíu" do céu...
Em Portugal há palavras para nomear o que o episódio revela (entre outras coisas): falta gritante de educação da aluna (a aluna é isso mesmo...malcriada), falta de competência da professora para gerir a disciplina na sala de aula, má organização da escola que, possivelmente, não defeniu regulamentos claros de convivência pedagógica (nomeadamente quanto à utilização de telemóveis)... e as respectivas consequências do incumprimento.
Perpassa o discurso uma confusão conceptual (tão grande) acerca da natureza da relação pedagógica, das suas características estruturantes e dos vários níveis que a condicionam que… mas isso levar-nos-ia, agora, muito longe…

Como é que um “sistema” que permite estas vergonhas não precisa, urgentemente, como de pão para a boca, de ser reformado?

Ah! e não arrastem este caso para a gaveta da violência na escola. Este caso é um caso de indisciplina grave, com atitudes muito violentas, mas é da gaveta da (in)disciplina... outra distinção que dá pano para mangas...

Pergunta inocente: Oh sr. Nogueira, este assunto não mereceria um comentário seu muito específico, digno de quem domina as questões da educação e da escola? É que, quem "ajunta" 100mil tão convencido, fica com muito mais responsabilidades... ai fica fica ...acho eu, aqui deste meu canto...

7 comentários:

Marta disse...

Olá :)
Eu vi hoje o vídeo na totalidade, apesar de já conhecer o seu teor.
Eu sou aluna e era incapaz de agir como a rapariga, e mais como colega também não ia agir assim, como se estivesse a assistir a uma tourada, a pedir mais e mais.
O ensino precisa de uma mudança faz tempo, os professores perderam a autoridade ao longo dos anos, e neste momento a pouca que têm é retirada com alguns discursos.

Para já não faz o meu género enviar sms's durante as aulas, neste caso telefonar , porém há que colocar o nosso EU na pessoa que está á nossa frente, uma professora que certamente batalhou bastante e nunca foi tão falada como agora porque apareceu em tom de troça num vídeo visto por imensa gente.


Gostei, e acho que deves abordar o que te chateia pois os blogues também têm essa função.

Beijinhos ;)

Pulsante disse...

Para a aluna - 12 reguadas;
Para a senhora professora - 1 canada bem dada e um sermão no gabinete do Senhor Director;
Para o resto da manada - escrever 1000 vezes no caderno de caligrafia "sou uma besta quadrada" e seis meses sem sobremesa na cantina.
Para os teóricos e pedagogos do Bloco Central que nos últimos 30 anos descarregam frustações e disfarçam o tanto que não sabem fazer nos corredores do ME - 4 meses de recruta na Escola Prática de Infantaria em Mafra, com o "Vale Escuro" e subidas ao "Tenório" incl.

Anónimo disse...

Ainda vou ver esta aluna Ministra ou Deputada ou quiça,Eurodeputada,,,ai vou vou

Um abraço:pandorabox

mariadosol disse...

pulsante: eheheh na mouche

Pandorabox : quem sabe... de pequenino se torce o destino... : ))
abraço
(leste o que te escrevi ontem?)

uivomania disse...

Mais um caso que -como dizes-, nos poderia levar muito longe! ...Já para além da oportunidade de reflexão. Lá para os terrenos da necessidade de mudança. Uma mudança concreta de prespectiva de vida.

eduardo graça disse...

CHEGUEI AQUI TARDE A PARTIR DO SEU COMENTÁRIO, O MAIS QUE ME APETECE DIZER É QUE ESTOU, NO ESSENCIAL, DE ACORDO ...

mariadosol disse...

Eduardo Graça:
Mais vale tarde do que nunca...De qualquer modo agradeço a delicadeza...
:)