17 setembro, 2010

nota com dó maior e sem sol

No episódio FPF (Madaíl) - Mourinho, para a resolução da questão do seleccionador nacional, só o Mourinho fica bem na fotografia. Aliás, mais uma vez, Mourinho dá cartas em todos os aspectos. Num episódio que ia ser, seguramente, de mau gosto para qualquer outro treinador na sua situação, ele consegue agir de forma a não sair beliscado e, pelo contrário, a sair reforçado.  Mourinho abre as portas do coração à pátria sabendo que quem pode abrir as portas do jactinho em que se deslocaria a Lisboa é o Real Madrid. Perante o clube (adeptos e direcção) é só somar pontos: têm um treinador cobiçado a este nível, aberto e saudavelmente patriota, que não tem culpa dos malucos dos compatriotas que tem e, por isso, há-de fazer o que não comprometa o clube. Se viesse cedido pela generosidade do Real Madrid seria o maior e, não vindo, o maior será. Se viesse e se perdessem os jogos, tudo bem porque ele não pode fazer milagres, apesar da dignidade da participação. Se viesse  e a selecção fosse apurada ... Bem, não sei, teria de se accionar o processo de canonização e lá iria ele ultrapassar mais uma barreira e ser a primeira pessoa a ser canonizada em vida. Sem ironia, muito, muito inteligente.
O resto é Portugal no seu pior. E os que dinamitaram a situação estão a rir-se de quê? Vantagem era resolver seriamente alguma coisa, não era fazer explodir um pretexto ... para ter de assistir a estas cenas.

Adenda: concordo plenamente com a ideia subjacente ao comentário do Vasco: isto é tudo uma encenação.

7 comentários:

jrd disse...

Cá para mim: Fora o árbitro!!!

Rogério Pereira disse...

Não se preocupe com quem sofre com os estilhaços...

Já é público que a culpa é toda minha!

vbm disse...

Está bem visto, mas advinhável desde o princípio, e presumo que até pelo próprio Madaíl. Nota que ele abalou para Madrid sem que os outros membros da Direcção - que o detestam (e, compreendo isso; mas a deslealdade é sempre ignóbil, e cobarde) - o soubessem, e fê-lo com a certeza de ser bem recebido por Mourinho e consciente da alta probabilidade de o Real Madrid não ir concordar com o "aluguer" do treinador em "time-sharing".

No entanto, exibiu-se uma vez como aquele que não pode ser acusado de desejar o melhor para o futebol português, tal como já acontecera com a escolha de Scolari, treinador da selecção campeã do Mundo, e com o próprio Carlos Queiroz que tinha, de qualquer modo, um curriculum de prestígio incontestado.

O facto de tudo lhe sair mal só o desqualifica como gestor eficiente, mas não o diminui enquanto dirigente que almeja o melhor para a selecção! A solução actual, a do "piloto automático", apenas prolonga a inépcia táctica do conjunto de jogadores seleccionados...

Gostaria de ver, justamente, um "piloto não-automático", como por exemplo o caso do treinador do Sporting, que mudou quase a equipe toda para este último jogo europeu, servindo-se à larga de quase todos os suplentes! :))

Post-scriptum:- Até parece que percebo de futebol, mas a verdade é não percebo nada, salvo... :), a reflexão filosófica, de que naquele jogo «todos obedecem às leis da Física», o que me dá um genuíno insight da coisa, verdadeiramente superior!

lino disse...

Se o ridículo matasse, Madaíl era um cadáver ambulante :))

mdsol disse...

Vasco, muito bem.

:)))

Francisco Clamote disse...

Excelente o "post". Só não concordo com a hipótese da encenação. A ideia de convidar Mourinho, nas actuais circuntâncias, é tola, porque, à partida, Madail devia saber que o Real Madrid nunca poderia dar o seu acordo, nem a ideia de um seleccionador em "part time" podia dar bom resultado. Agora não há dúvida que Mourinho fica bem na fotografia. Isso, sem dúvida.

mdsol disse...

Caro Francisco Clamote

Encenação pode não ser o termo feliz. Mas que todos os protagonistas já sabiam que as coisas se iam passar assim, já.
Uma teatro, portanto. Ou não?

:)))