01 novembro, 2008

amor forte por uma terra frágil


Madredeus, as ilhas dos Açores

O sol nas noites e o luar nos dias

De amor nada mais resta que um Outubro
e quanto mais amada mais desisto:
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.

E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.

Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.

Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.

Natália Correia, O Sol nas Noites e o Luar nos Dias, II

6 comentários:

um Ar de disse...

Lindíssimo... o poema.
Paradoxal, também.
Gosto destes paradoxos!
.
[Beijo...]

Justine disse...

Ainda um refúgio quase intacto, neste mundo devastado e sujo e feio.
Beijo

Tinta Azul disse...

Como gosto da Natália!
______
Que os Açores
te sejam sem cedilha, também.
:)

Osvaldo disse...

Olá Mdsol;
Uma das coisas que mais admiro nos blogs culturais é o espaço dado pelo proprietários dos mesmos, às grandes figuras culturais e em especial às literárias...
Neste ponto, o blog "branco no branco" tem sido dos mais activos na defesa da cultura. Parabéns por nos teres trazido a "nossa" Natália.
bjs

Anónimo disse...

a unidade, Perfeita.

do poema, retenho isso;

"Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.(...)
Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem".

...paradoxos(*)...Vida.

(*)diz a 'um ar de'

***

cristal disse...

Ai que saudades me deram da Natália!!! Há pessoas assim, que fazem falta mesmo se de certo modo continuam connosco. BJS