24 maio, 2009

diz-me assim devagar coisa nehuma

.





Granter, E. W.
humming bird











FIDELIDADE

Diz-me devagar coisa nenhuma, assim
como a só presença em que me perdoas
esta fidelidade ao meu destino.
Quanto assim não digas é por mim
que o dizes. E os destinos vivem-se
como outra vida. Ou como solidão.
E quem lá entra? E quem lá pode estar
mais que o momento de estar só consigo?

Diz-me assim devagar coisa nenhuma:
o que à morte se diria, se ela ouvisse,
ou se diria aos mortos, se voltassem.

Jorge de Sena, 1956


Jacques Brel, chanson des vieux amants

23 comentários:

Ana Paula disse...

O quanto eu gosto deste poema!!

Com Brel, tanto melhor :)

Um beijinho, (md)Sol! (como disse o Vasco e ficou tão bonito, de verdade, pois condiz com a luminosidade deste blog, além de ser um nome mesmo bonito)

Bom domingo!

Arabica disse...

Sol,


não conhecia este poema e é tão belo...relembra-me tantos exercicios, no cumprimento do destino...na travessia do tempo.

Um pássaro pousado na fragilidade da memória.

Beijinhos de bom domingo!! :)

cristal disse...

Mais um "ajuntamento" feliz como os que já nos habituaste... Olha o título... Beijinho

Violeta disse...

esta foi forte, mdsol. Adorei! e depois, claro, Brel
bjs

vbm disse...

:)) Realmente, Sol é bonito,
particularmente no feminino, a Sol :))

Mas vim aqui expresso para confessar a minha
dificuldade em penetrar na substância íntima
deste breve poema de Sena.

Adivinho que ele é pleno de sentido,
não só logicamente possível,
como possivelmente sentido;
mas na leitura que fiz,
não conseguir idear
a singularidade em
que o identificaria... :):(;

mas voltarei a lê-lo, meditá-lo
e tentarei aqui regressar.

Abraço, Sol.


(Vou ver se gosto desta canção do Brel.)
(Não gosto assim muito de homens a chorarem-se...
embora, de facto, exceptue Brel dessa desaprovação.)

vbm disse...

Bom, reli mesmo o poema.
Claro, é hiper-significante.

Individuando situações concretas,
possíveis, o poeta pede à amada
que o desculpe da outra vida
que vive, como solidão,
fidelidade ao destino;

mas, também possível,
que o desculpe da radical
ausência que dela o separa
para estar só consigo - ou
outrém amar -, qual destino
que se vive como outra vida.

Pede, por fim, que nada lhe diga
tal qual o que á morte se diz
- «vai-te, pra longe»...? -
ou aos mortos que voltassem
- «abençoado, sejas!»...?

Poema denso, multíplice abrangência
pelo silêncio que implora...

Maria disse...

"Mataste-me" logo de manhã... com o Brel.
Excelente post!

Beijo

A.S. disse...

Jorge de Sena e Brel, uma combinação perfeita!
Belissimo momento de arte poética!


BjO"ss

Sofia Loureiro dos Santos disse...

Lindíssimo.

mfc disse...

Fantástico Jorge de Sena... ouvindo Brel!

lino disse...

Um nome maior da literatura portuguesa, lamentavelmente tão votado ao esquecimento. Um nome maior da "chanson", sempre presente:))

intimidades disse...

tenho saudades de me sentir assim, de sentir assim

Jokas

Paula

Je Vois la Vie en Vert disse...

Não podia ser mais belo !

A tua explicação foi óptima e já coloquei uma musiquinha a condizer com o titulo do meu último post.

Mais uma vez obrigada, amiga !

PreDatado disse...

Dois grandes momentos. Jorge de Sena e Jacques Brel.

Vanessa. disse...

Belíssimo o poema!

Duarte disse...

Que inspiração tão extraordinária a tua... :))))
Tons pastel difusos para que realce a figura central, arte!
Fidelidade, como não, aqui estou. Um belo poema que desconhecia, poesia!
Uma grande interpretação de Brel, fiel também a si mesmo e ao seu estilo, mas este canto ao amor é para repetir toujours..., música!

Abraço-te, o agradecimento ao muito que me deste hoje

anamar disse...

Qurida mdsol,
que bom chegar aqui!!!
Prometi-me viajar sem aparelhos ... vence-los , antes que me vençam a mim...
Li o belo poema , que se ajustou à medida da minha necessidade...
Beijinhos e boa semana
P.S. espero que o teu Beth... avance... do Porto, parece que jogou hoje!!!Satisfez??? Neste momento nada sei...

Carminda Pinho disse...

Só consegui chegar agora. Foi um domingo comprido, o meu.:)

Lindo...ouvir Brel, lendo Jorge de Sena.

Bjokas

Dois Rios disse...

Querida Sol,

Tão belo poema de Jorge Sena que talvez eu te diga "assim devagar coisa nenhuma". A beleza entende-se com o silêncio.

Beijos, minha querida! (sempre do lado cá),

Inês

mena m. disse...

Fantásticos os dois poetas,Jacques Brél e Jorge Sena!!!!

De volta, (tantas saudades já...) cá vim por as visitas em dia!

Beijinho

Tchi disse...

E dizer com vagar e devagar o que é para sentir sem pressa.

Gostei.

~pi disse...

assim devagar coisa

nenhuma,

] tudo-tudo-a-dizer,





~

Anónimo disse...

...please where can I buy a unicorn?