30 outubro, 2010

desabafo desencanto desafio

 




Vignoli, Fernando
my last money
(2008) óleo sobre tela






Espanta-me que muitos se espantem com pormenores. Sejam eles (os pormenores) relativos a horários, a quem começou o quê, ou mesmo quem foi mais elástico ou menos plástico. Todos sabemos que isto não é um acordo mas um arranjo. Todos sabemos que isto não é um compromisso mas uma cumplicidade, para tentar resistir. Todos sabemos que os verdadeiros antagonistas não aparecem neste jogo. Todos sabemos que estes compadres se entendem porque outros padrinhos o exigem. Todos sentimos que o pior não é o que está, mas a falta de esperança no que vai ser. A falta de sentido que se sente nestas costuras forçadas entristece todo o tecido que somos nós, repartidos entre os que foram e os esboços dos que hão-de vir. Olhemos para os joelhos massacrados de tanto se trabalhar em cima deles, sem outro fito que não o momento e com o olhar na direcção dos pés aos tropeções. Alguém me ajuda a pensar no que posso fazer para contribuir para que arranjemos não só o devido troco, mas também algum pé-de-meia que refranja o olhar noutras direcções, mais construtoras de futuro?

8 comentários:

Francisco Clamote disse...

O desafio não é de fácil resposta. É que os culpados do desencanto não são só os "compadres".

mdsol disse...

Claro, Francisco Clamote. Aliás, considero-os pessoas de boa vontade. Em termos pessoais, se de E. Catroga conheço só o que é público, de Teixeira dos Santos sei, de fontes múltiplas, que é sério e competente. O problema não são eles, nem sequer, do meu ponto de vista, os que imediatamente lhes aassociamos. A questão é profunda, é da europa, é do mundo, se quiser.

:))

lino disse...

Este ano o circo começou mais cedo e, face às críticas pela utilização de animais, os palhaços estão a ser submetidos a treino intensivo.

jrd disse...

Pois é: "para os joelhos massacrados" já não há Fátima que lhes valha...
:(

Rogério Pereira disse...

MdSol
Com que então o problema não são eles, nem sequer, do seu ponto de vista, os que imediatamente lhes aassociamos. A questão diz ser profunda, ser da europa, ser do mundo...

Proponho-lhe duas reflexões:

... O nosso mundo começa
Cá dentro da nossa porta...

... sem servos de Deus o que seria do Senhor?

e um desafio:
Na hora marcada esteja no lugar onde é necessário estar!

Boa?

mdsol disse...

Lá estarei, Rogério.

:)))

[E acho que me faço entender quando não quero restringir a questão às miudezas que nos chegam.]

Daniel Santos disse...

Comecemos por arrumar a nossa casa que é Portugal. Está definitivamente na hora de novas ideias, sangue novo e que não esteja contaminado pelo sistema.

Depois será a altura de caminhar para o futuro sem esqueletos no armário.

Mónica disse...

q desenho tão feio ó Mdsol!!!