07 dezembro, 2010

proeminência da função, cada qual toma a que pode






Fenn, Harry 
the wise teacher




E se os advogados entendessem que a leitura e interpretação dos acórdãos não fazia parte das suas funções e, como tal, teriam de ser pagos à parte para fazerem esse favorzinho? E se os médicos exigissem pagamento diferenciado para interpretar os exames complementares de diagnóstico, porque isso não faz parte intrínseca das sua profissão e é um jeitinho que fazem ao doente? [Antes que me enviesem o juízo: eu disse pagos à parte, não insinuei, sequer, que o pagamento destas tarefas não seja incluído no pagamento geral a que têm direito].
A ver se nos entendemos: uma coisa é reivindicar condições dignas para exercer a profissão de professor, em todas as tarefas que a perfazem, outra coisa é mandar umas bazucadas nas pernas da profissão, dissociando-se  [conceptualmente] de uma tarefa que faz parte intrínseca deste ofício e, pelo que me parece, é um dos redutos do exercício indiscutível da autoridade do professor. Mesmo sendo por motivos económicos, o ME atribui proeminência à função dos professores (ao incluir a correcção dos exames nas suas tarefas docentes - só eles os podem corrigir) e os professores (leia-se sindicato) parecem querer desvincular-se dessa atribuição, exactamente porque os motivos do ME não são os correctos. Nunca devem ter ouvido falar nas contradições do poder, nem na possibilidade de as aproveitar, neste caso, para o reforço da identidade profissional. Exijam-se horas extraordinárias se for caso disso, pagamentos à parte é que não. Vai dar ao mesmo? Mas parte de pressupostos completamente diferentes. No primeiro caso reforça-se a exclusividade do contributo que os professores dão à sociedade, logo reforça-se a sua importância como grupo profissional. No segundo caso esvazia-se esse contributo (se corrigir exames não faz parte das tarefas do professor, faz parte das tarefas de quem?). Mas isto… sou eu aqui a falar... que entendo que os professores devem ser pagos para poderem corrigir os exames e não corrigirem os exames para serem pagos.

11 comentários:

Justine disse...

Acho que "desmontaste" muito bem o problema e dou-te toda a razão!
Bom descanso amanhã:)))

Eu, Meu Contrário e Minha Alma disse...

Isto era coisa para o Rogério comentar, mas já que aqui estou não posso deixar de sublinhar a justeza do post...

jrd disse...

Ora aí está!
Aproveito a boleia para dizer que também os deputados devem ser pagos para legislar e não, simplesmente, por terem sido eleitos...

mdsol disse...

JRD

Acho que percebo o que diz mas, seguindo o meu raciocínio, [e acho que podia e devia ser aplicado aos políticos em geral], a formulação deveria ser a seguinte: os deputados (políticos) deveriam ser pagos para poderem ser deputados (políticos) e não serem deputados (políticos) para poderem ser pagos.

:)))

jrd disse...

Concordo com o raciocínio.
Deputados «políticos»)!? Ouvi falar...
;)

Mónica disse...

eheheh isto vai dar luta :DDD

(tinha a impressão q se tratava de corrigir os exames de 2.ª avaliação..)

ariel disse...

Claro, clarinho, mais claro não há!!!

:)))

Mar Arável disse...

As coisas que todos nós sabemos!

De borla.

R. disse...

Cara mdsol, subscrevo inteiramente. Às vezes os argumentos enfraquecem a legitimidade da causa.

Agradeço a impressão deixada e fico contente pelo gosto partilhado.Desconhecia que partiu do mesmo mote para as Terças e percebo-a perfeitamente.
Já por cá tinha visto a alusão ao concurso, mas a disoponibilidade para o aprofundar é que tem sido muito pouca. Obrigada pelo desafio! Voltarei a espreitá-lo para avaliar se o tempo e 'arte' me permitem aderir :)

Um grande abraço e votos de uma excelente Quarta ;)

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Desconhecia a medida, porque ainda estou a fazer leituras em atraso. Fico siderado com tanta desfaçatez.
-:)

lino disse...

Completamente de acordo :D