Fenn, Harry
the wise teacher
E se os advogados entendessem que a leitura e interpretação dos acórdãos não fazia parte das suas funções e, como tal, teriam de ser pagos à parte para fazerem esse favorzinho? E se os médicos exigissem pagamento diferenciado para interpretar os exames complementares de diagnóstico, porque isso não faz parte intrínseca das sua profissão e é um jeitinho que fazem ao doente? [Antes que me enviesem o juízo: eu disse pagos à parte, não insinuei, sequer, que o pagamento destas tarefas não seja incluído no pagamento geral a que têm direito].
A ver se nos entendemos: uma coisa é reivindicar condições dignas para exercer a profissão de professor, em todas as tarefas que a perfazem, outra coisa é mandar umas bazucadas nas pernas da profissão, dissociando-se [conceptualmente] de uma tarefa que faz parte intrínseca deste ofício e, pelo que me parece, é um dos redutos do exercício indiscutível da autoridade do professor. Mesmo sendo por motivos económicos, o ME atribui proeminência à função dos professores (ao incluir a correcção dos exames nas suas tarefas docentes - só eles os podem corrigir) e os professores (leia-se sindicato) parecem querer desvincular-se dessa atribuição, exactamente porque os motivos do ME não são os correctos. Nunca devem ter ouvido falar nas contradições do poder, nem na possibilidade de as aproveitar, neste caso, para o reforço da identidade profissional. Exijam-se horas extraordinárias se for caso disso, pagamentos à parte é que não. Vai dar ao mesmo? Mas parte de pressupostos completamente diferentes. No primeiro caso reforça-se a exclusividade do contributo que os professores dão à sociedade, logo reforça-se a sua importância como grupo profissional. No segundo caso esvazia-se esse contributo (se corrigir exames não faz parte das tarefas do professor, faz parte das tarefas de quem?). Mas isto… sou eu aqui a falar... que entendo que os professores devem ser pagos para poderem corrigir os exames e não corrigirem os exames para serem pagos.
A ver se nos entendemos: uma coisa é reivindicar condições dignas para exercer a profissão de professor, em todas as tarefas que a perfazem, outra coisa é mandar umas bazucadas nas pernas da profissão, dissociando-se [conceptualmente] de uma tarefa que faz parte intrínseca deste ofício e, pelo que me parece, é um dos redutos do exercício indiscutível da autoridade do professor. Mesmo sendo por motivos económicos, o ME atribui proeminência à função dos professores (ao incluir a correcção dos exames nas suas tarefas docentes - só eles os podem corrigir) e os professores (leia-se sindicato) parecem querer desvincular-se dessa atribuição, exactamente porque os motivos do ME não são os correctos. Nunca devem ter ouvido falar nas contradições do poder, nem na possibilidade de as aproveitar, neste caso, para o reforço da identidade profissional. Exijam-se horas extraordinárias se for caso disso, pagamentos à parte é que não. Vai dar ao mesmo? Mas parte de pressupostos completamente diferentes. No primeiro caso reforça-se a exclusividade do contributo que os professores dão à sociedade, logo reforça-se a sua importância como grupo profissional. No segundo caso esvazia-se esse contributo (se corrigir exames não faz parte das tarefas do professor, faz parte das tarefas de quem?). Mas isto… sou eu aqui a falar... que entendo que os professores devem ser pagos para poderem corrigir os exames e não corrigirem os exames para serem pagos.





