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07 dezembro, 2010

proeminência da função, cada qual toma a que pode






Fenn, Harry 
the wise teacher




E se os advogados entendessem que a leitura e interpretação dos acórdãos não fazia parte das suas funções e, como tal, teriam de ser pagos à parte para fazerem esse favorzinho? E se os médicos exigissem pagamento diferenciado para interpretar os exames complementares de diagnóstico, porque isso não faz parte intrínseca das sua profissão e é um jeitinho que fazem ao doente? [Antes que me enviesem o juízo: eu disse pagos à parte, não insinuei, sequer, que o pagamento destas tarefas não seja incluído no pagamento geral a que têm direito].
A ver se nos entendemos: uma coisa é reivindicar condições dignas para exercer a profissão de professor, em todas as tarefas que a perfazem, outra coisa é mandar umas bazucadas nas pernas da profissão, dissociando-se  [conceptualmente] de uma tarefa que faz parte intrínseca deste ofício e, pelo que me parece, é um dos redutos do exercício indiscutível da autoridade do professor. Mesmo sendo por motivos económicos, o ME atribui proeminência à função dos professores (ao incluir a correcção dos exames nas suas tarefas docentes - só eles os podem corrigir) e os professores (leia-se sindicato) parecem querer desvincular-se dessa atribuição, exactamente porque os motivos do ME não são os correctos. Nunca devem ter ouvido falar nas contradições do poder, nem na possibilidade de as aproveitar, neste caso, para o reforço da identidade profissional. Exijam-se horas extraordinárias se for caso disso, pagamentos à parte é que não. Vai dar ao mesmo? Mas parte de pressupostos completamente diferentes. No primeiro caso reforça-se a exclusividade do contributo que os professores dão à sociedade, logo reforça-se a sua importância como grupo profissional. No segundo caso esvazia-se esse contributo (se corrigir exames não faz parte das tarefas do professor, faz parte das tarefas de quem?). Mas isto… sou eu aqui a falar... que entendo que os professores devem ser pagos para poderem corrigir os exames e não corrigirem os exames para serem pagos.

16 outubro, 2010

alçada da ministra






Muehl, Roger
paysage méditerranée
(1991)










José Barata Moura, Joana come a papa (ao vivo)

Não há muito tempo, referi aqui o meu desacordo com o conteúdo desta notícia que, a ser verdadeiro, entre outras coisas revelaria muita descordenação e decisões que contrariam entendimentos relativamente pacíficos, nomeadamente em relação à qualidade da dieta dos alunos na escola. Pois bem, numa cerimónia de promoção da dieta mediterrânica, ao responder a uma jornalista que associava a crise à dificuldade de seguir a dita dieta (a jornalista deveria saber que a dieta mediterrânica não é cara, devia, devia) a ministra da saúde Ana Jorge acaba a perguntar porque é que os pais dão dinheiro para os alunos irem às máquinas, quando as refeições na cantina eram muito mais equilibradas e baratas. O branco no branco, mesmo consciente da sua dimensão pititi, atreve-se a sugerir à ministra Ana Jorge que dê uma ligadela à colega ministra Isabel Alçada, a ver se ela tem alguma coisa a ver com a decisão da Parque Escolar ou se o negócio faz parte de uma aventura que ultrapassa o ministério sob sua alçada (sim aqui com letra minúscula).
E também não me comovo com títulos destes. Toda a gente sabe que leite é diferente de leite achocolatado e que este é um péssimo alimento que por aí se vende. [Bem isto não é uma defesa das medidas de austeridade tout court. O que quero dizer é que, a aumentar o iva, é preferível que o façam em alimentos que, de facto, não são essenciais e até são desaconselhados. 

05 outubro, 2010

"o comer"





Fabre, Jan
the brain as food
(2008)



Tenho quase tudo contra e quase nada a favor. Acredito que, se este tipo de decisão tivesse uma equipa pluridisciplinar a apoiá-la, fosse tomada com base em critérios educativos e formativos e não resultasse de uma leitura fragmentada e modernaça da vida, este tipo de equipamentos não teria futuro nas escolas, quanto mais um futuro risonho. Aliás, pensando melhor, bastaria algum bom senso. Alimentos caros e pouco cuidados é o que, normalmente, estas maquinetas oferecem. Gostava de saber onde ficam as campanhas contra a obesidade e por uma alimentação saudável. Realmente a Parque Escolar está a sair melhor do que a encomenda. Pelas histórias que ouço sobre as obras realizadas nas escolas, e de que dou este exemplo, a incompetência grassa. Agora, até na alimentação metem o bedelho, tal a amplitude da sua (in)competência. E não, não acho que o "contexto político", chamemos-lhe assim, explique tanto disparate. Esperemos que a notícia não seja bem assim.

08 setembro, 2010

papel vazio




Folmer, Georges
sur le vide papier que la blancheur défend (1960-1962)

05 fevereiro, 2010

alerta

.
.




Giannini, U.
woman with flower








...e, dadas as circunstâncias do momento, resta-me deixar uma flor, sem esquecer que cada protagonista terá de assumir as suas responsabilidades.


Maria Bethânia, grito de alerta

04 fevereiro, 2010

anda tudo aos tombos







Bavington, T.
falling down
(2009)





A jangada de pedra à deriva? No top do pote do risco? O alforge lusitano de rastos. É que nem o cimento se aguenta. E, afinal, oh couves, em que ficamos, se as consequências já aí estão? Ai Almunia Almunia...

[By the way, estou a ouvir o Aguiar Branco na Sic-N . Não há modo de atinar com o senhor...]

12 junho, 2008

ainda a propósito da paralisação

a revolta dos patos bravos - O Jumento
o protesto - transdisciplinar
que silêncio ensurdecedor - anonimo sec xxi
ai credo abrenúncio - corta fitas
conversa de camionista - A barbearia do senhor Luís

11 junho, 2008

ainda a paralisação

entre coisas politicamente graves e socialmente muito preocupantes ainda temos de apanhar com banhos da mais pura boçalidade!