Recebi um desafio do Lino, do blog the soundsofsilence, que consiste em completar as cinco frases seguintes:
Eu já tive...
Eu nunca...
Eu sei...
Eu quero...
Eu sonho...
Eu já tive uma genica (ânimo, energia, força, vigor) que nunca mais parava. Eu nunca fiz mal a ninguém, de forma deliberada. Eu sei, hoje, que não é suficiente fazermos as coisas bem. Eu quero manter-me atenta mas ter dias calmos. Eu sonho muito menos do que sonhava ainda não há muito tempo.
De linho te vesti De nardos te enfeitei Amor que nunca vi Mas sei. Sei dos teus olhos acesos na noite Sinais de bem despertar Sei dos teus braços abertos a todos Que morrem devagar Sei meu amor inventado que um dia Teu corpo pode acender Uma fogueira de sol e de fúria Que nos verá nascer. Irei beber em ti O vinho que pisei O fel do que sofri E dei. Dei do meu corpo um chicote de força Rasei meus olhos com água Dei do meu sangue uma espada de raiva E uma lança de mágoa Dei do meu sonho uma corda de insónias Cravei meus braços com setas Descobri rosas alarguei cidades E construí poetas E nunca te encontrei Na estrada do que fiz Amor que não logrei Mas quis. Sei meu amor inventado que um dia Teu corpo pode acender Uma fogueira de sol e de fúria Que nos verá nascer. Então: Nem choros, nem medos, nem uivos, nem gritos, Nem pedras, nem facas, Nem fomes, nem secas, nem farsas, Nem forcas, nem farpas, nem feras Nem ferros, nem cardos, nem dardos. Nem trevas, nem gritos, nem pedras, nem facas, Nem fomes, nem secas, nem farsas, Nem forcas, nem farpas, nem feras, Nem ferros, nem cardos, nem dardos, Nem mal.
Poema: José Carlos Ary dos Santos
Música: Nuno Nazareth Fernandes
Susana Félix, canção de madrugar - Rua da Saudade, homenagem no 25º aniversário da morte de Ary dos Santos.
A possibilidade de sermos humanos só se realiza através dos outros, dos semelhantes... A plasticidade de que somos dotados e que nos permite aprender, implica uma rede de relações com outros seres humanos. [Somos, antes de tudo, macacos de imitação e é através da imitação que conseguimos ser algo mais do que macacos...] Sim, nós nascemos (quase) humanos, mas isso não é suficiente. Temos de conseguir sê-lo. Como disse algures Graham Green, ser humano é, também, um dever. Todos os dias, acrescento eu.
Kseniya Simonova é uma artista que acaba de ganhar a versão ucraniana similar ao "America's Got Talent". Usa uma enorme caixa de luz, areia, música, muita imaginação, talento e sensibilidade para interpretar a invasão alemã e a ocupação da Ucrânia, durante a 2ª grande Guerra. Fiquei presa e emocionei-me a ver a sua performance. Imaginei que também gostariam de ver.
:)))
Admito, sem reservas, que tenho saudades. A vossa companhia é um afago descomprometido que me aconchega, que me faz bem. Tal como admiti aqui, mal tenha tempo, eu sei que volto. Por tudo o que me dão. :)))
A prática exige que o assuma: estou sem tempo para estas andanças. Falta-me tempo para escrever e para visitar os blogs de que gosto, os vossos. No verão apeteceu-me dar uma volta a este espaço por considerar esgotada esta versão lúdica, muito marcada pelo princípio da diversão, do improviso, da fantasia, numa manifestação espontânea do instinto de brincar, sem que a "indisciplina" natural seja contida por regras que me exijam um trabalho mais aturado, persistente, habilidoso, criterioso, enfim, sem regras que me coloquem dificuldades além do prazer inicial de estar aqui. Mas, não me decidi a assumir outras responsabilidades. .
Peris, J. eclipse
(2007)
Chegada a este ponto (?) nem para continuar neste registo tenho disponibilidade. Assim, o branco no branco entra em pousio, pelo menos até ao Natal.
Vou passando pelos vossos cantinhos sempre que possa. Ah! Como as senhoras de sábado de manhã teimam em querer aparecer, quem sou eu para as impedir...
[Ah e o sul estava mesmo cheio de sol... Apanhei uma demão e tanto... Fora de tempo sabe melhor. Mas não me invejem.... Vêm aí umas semanas que só de me lembrar ... me apetece logo esquecer...]
Não sei enquadrar esta temperatura um pouco acima do que seria esperado para esta época. Divido-me entre atribuí-la a algum descuido da natureza - quem, volta e meia, não se descontrola um pouco, que atire a primeira pedra à sua regularidade comovente - ou à sua costumada generosidade. Como se a natureza quisesse, num abraço quente, dizer aos portugueses que estão mais maduros, mais autónomos. Passados uns dias sobre o fecho dos escrutínios. Assim, como quem não quer a coisa.
Tudo bem que a pintura é certinha, lavadinha, colorida q.b., assim como que a dizer que tudo rola de acordo com as leis da vida, e que estas são simples, justas e de interpretação inequívoca. E, depois do dia de ontem, seria QUASE assim, não fora o cheiro a louro que tanto me "isalta". Haja capacidade de compreensão para entender o pípol de Oeiras. E eu que já fui tão feliz por lá... Ora bolas.
Um bom dia para todos, oeirenses e gondomarenses incluídos.
Quase exausta e com a sensação de me gastar em minudências. O enfado que esbate a claridade dos dias. A nitidez das formas que se vai com o desinteresse. A espuma que vence o que devia ser líquido e cristalino. Sou, neste momento, uma taça de champanhe mal servido: muita espuma, muita espuma e só um poucochinho do que interessa lá no fundo.
O portugal futuro é um país
aonde o puro pássaro é possível
e sobre o leito negro do asfalto da estrada
as profundas crianças desenharão a giz
esse peixe da infância que vem na enxurrada
e me parece que se chama sável
Mas desenhem elas o que desenharem
é essa a forma do meu país
e chamem elas o que lhe chamarem
portugal será e lá serei feliz
Poderá ser pequeno como este
ter a oeste o mar e a espanha a leste
tudo nele será novo desde os ramos à raiz
à sombra dos plátanos as crianças dançarão
e na avenida que houver à beira-mar
pode o tempo mudar será verão
Gostaria de ouvir as horas do relógio da matriz
mas isso era o passado e podia ser duro
edificar sobre ele o portugal futuro
Ruy Belo, país possível [transporte no tempo], todos os poemas, Assírio e Alvim, 366/367
Carlos Paredes, verdes anos
Com que então comemoramos hoje 99 (verdes) anos (possíveis) da proclamação da República chez nous... :)))
Também aqui o verão se demorou na luz rugosa das tílias e ao outono abandonou flancos e crinas.
Eugénio de Andrade,pequeno formato, 45 (edição fora de mercado)
? guess who... is playing... Elgar, Jacqueline du Pré (violoncelo) Daniel Barenboim (maestro)
Bom dia do senhor para quem aqui chegar. :)))
Entretanto, A Barbearia do Senhor Luís, blog da minha afeição desde que o descobri, chegou às 200.000 visitas. Convido-vos a visitar a Barbearia e a felicitar o anfitrião por este espaço tão arejado, interessante e cidadão.
No Pão de Açúcar
de cada dia
dai-nos Senhor
a poesia
de cada dia
Oswaldo de Andrade
Jorge Aragão, cantilena nº1 (Bachianas brasileiras, nº5, de H. Villa-Lobos)
[Ainda não está tudo completamente à venda. No ano do centenário dos Jogos Olímpicos da era moderna Atlanta ganhou a Atenas a organização dos jogos. Quer dizer a Coca-Cola, a CNN e tal ganharam... Hoje, aos homens de negócios de Chicago nem a presença de Obama com a Michelle e a Oprah lhes valeu. Gostei.]
Não, não me lembrei disto a propósito do comportamento de alguns proeminentes. Ou lembrei? Não sei, anda tudo muito espaventoso, neste tempo quente do início do outono.
CÁLICE
Pai, afasta de mim este cálice
Pai, afasta de mim este cálice
De vinho tinto de sangue
Como beber dessa bebida amarga?
Tragar a dor engolir a labuta?
Mesma calada a boca resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta
De que me vale ser filho da santa?
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira tanta força bruta
Pai, afasta de mim este cálice
Pai, afasta de mim este cálice
De vinho tinto de sangue
Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada pra qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa
Pai, afasta de mim este cálice
Pai, afasta de mim este cálice
De vinho tinto de sangue
De muito gorda a porca já não anda
De muito usada a faca já não corta
Como é difícil, pai, abrir a porta
Essa palavra presa na garganta
Esse pileque homérico no mundo
De que adianta ter boa vontade
Mesmo calado o peito resta a cuca
Dos bêbados do centro da cidade
Pai, afasta de mim este cálice
Pai, afasta de mim este cálice
De vinho tinto de sangue
Talvez o mundo não seja pequeno
Nem seja a vida um fato consumado
Quero inventar o meu próprio pecado
Quero morrer do meu próprio veneno
Quero perder de vez tua cabeça
Minha cabeça perder teu juízo
Quero cheirar fumaça de óleo disel
Me embriagar até que alguém me esqueça
Além de andar cheiinha de trabalho, estou com uma tendinite* no ombro direito. Estou desculpada pelo desaparecimento?
Um pedido de desculpas particular ao CBO do Crónicas do Rochedo que me deixou lá esta intimação a que ainda não consegui responder. Balhamedeus!
*E dói-me que não é para se começarem a rir, está bem? Sim, já fui ao médico e já estou a tratar do assunto. Entrementes... não sei se estão a ver a hipotética ligação entre o rato do computador e o referido ombrinho...
Hoje só mando beijinhos porque os abraços podem atrasar-me a recuperação :))))))
Por ora há o par que olha na mesma direcção e para o mesmo lado (direito), outro par que olha na mesma direcção mas cada um para seu lado e o do meio que olha sozinho em direcção oposta embora embique para um dos lados (esquerdo). De hoje a uma semana logo se vê como é que se organizam... Entrementes tenham um bom dia do senhor... E vá lá, não se inibam e trauteiem o lá lá lá lá lá lá aí de baixo...
Há presentes que não podemos aceitar, mesmo que sejam importantes e os estimemos. Simplesmente não é o tempo deles. Entre o jánão e o aindanão fica o limbo prático que nos limita.
Rothko, M. untitled (Violet, Black, Orange, Yellow on White and Red)
1949
(óleo sobre tela)
A presença de quem esteve ausente para se presentear com um banho de coisas boas e se lembrou de mim e me presenteou também com uma reprodução deste quadro que qualquer dia mando encaixilhar e coloco num lugar perto de mim como está quem me presenteou.
.
1) Escanhoado assim os debates
2) Rezado assimesta missa
3) Aberto assim o coração
4) Recordado assim estas datas
5) Reflectido assim o momento
6) Explicado assim este assunto
7) Sido assim desassombrada e frontal
8) Escrito assim com ironia e pertinência
9) Voado neste sentido
10) Olhado assim estas janelas
11) Comentado assim o post de ontem
12) Fotografado assimde forma clara
13) Sintetizado tão bem tanta coisa
14) Observado assim o alecrim e não só
15) Desembrulhado assim o caramelo
Adenda
16) Escrito esta clarificação (incluindo o comentário da Ariel)
Gosto destas homenagens. O reconhecimento da importância que mora ao nosso lado. Assim, em jeito de desejar a todos quepor aqui passam que comecem a segunda-feira com o pé direito ou esquerdo ou até ambos, mas que seja de modo a que os dias corram bem, apesar dos pesares, das crises e dos desconfortos deste tempo.
Do blog catharsis (que recomendo vivamente) da querida, delicada, interessante e lindíssima Ana Paula, chegou o prémio vale a pena ficar de olhonesse blog. Desta vez ainda me sinto mais encabulada tal a falta de produção no branquito e de visitas por aí onde gosto de espreitar. Muito obrigada Ana Paula. Vou tentar que mais este estímulo me ajude a retomar o blog de um modo mais consistente.
So, so you think you can tell....
Heaven from Hell,
Blue skys from pain.
Can you tell a green field
From a cold steel rail?
A smile from a veil?
Do you think you can tell?
And did they get you to trade
Your heros for ghosts?
Hot ashes for trees?
Hot air for a cool breeze?
Cold comfort for change?
And did you exchange
A walk on part in the war
For a lead role in a cage?
How I wish, how I wish you were here.
We're just two lost souls
Swimming in a fish bowl,
Year after year,
Running over the same old ground.
What have we found?
The same old fears.
Wish you were here.
[Enquanto não reponho alguma ordem nisto, para que conste que não é por nada especial, a não ser por aquela mesmice que as pessoas dizem quando não há muito para dizer: são fases.]