16 novembro, 2009

cantem comigo

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Estrada-Vega, C.
lino
(2006)










CANÇÃO DE MADRUGAR

De linho te vesti
De nardos te enfeitei
Amor que nunca vi
Mas sei.
Sei dos teus olhos acesos na noite
Sinais de bem despertar
Sei dos teus braços abertos a todos
Que morrem devagar
Sei meu amor inventado que um dia
Teu corpo pode acender
Uma fogueira de sol e de fúria
Que nos verá nascer.
Irei beber em ti
O vinho que pisei
O fel do que sofri
E dei.
Dei do meu corpo um chicote de força
Rasei meus olhos com água
Dei do meu sangue uma espada de raiva
E uma lança de mágoa
Dei do meu sonho uma corda de insónias
Cravei meus braços com setas
Descobri rosas alarguei cidades
E construí poetas
E nunca te encontrei
Na estrada do que fiz
Amor que não logrei
Mas quis.
Sei meu amor inventado que um dia
Teu corpo pode acender
Uma fogueira de sol e de fúria
Que nos verá nascer.
Então:
Nem choros, nem medos, nem uivos, nem gritos,
Nem pedras, nem facas,
Nem fomes, nem secas, nem farsas,
Nem forcas, nem farpas, nem feras
Nem ferros, nem cardos, nem dardos.
Nem trevas, nem gritos, nem pedras, nem facas,
Nem fomes, nem secas, nem farsas,
Nem forcas, nem farpas, nem feras,
Nem ferros, nem cardos, nem dardos,
Nem mal.

Poema: José Carlos Ary dos Santos
Música: Nuno Nazareth Fernandes


Susana Félix, canção de madrugar - Rua da Saudade, homenagem no 25º aniversário da morte de Ary dos Santos.

18 comentários:

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Uma das mais belas canções portuguesas de todos os tempos.

salvoconduto disse...

Eu cantar até cantava com gosto, mas será que me voltam a colocar na última fila do anfiteatro como fazia minha prof de canto coral esgrimindo que eu pertencia à 3ª voz desafinada?

Não será melhor deixar isso para a Susaninha?

Maria disse...

Lindo...
Obrigada

:)

Maria disse...

Lindo...
Obrigada

:)

intimidades disse...

bem eu cantei, mas nao sei se magoei alguem hehe
Linda musica

jokas
Paula

Luis Filipe Gomes disse...

`Lembro-me de a ouvir pela primeira vez...Em tempo soube cantar o poema, a canção. Chegava ao fim sem fôlego. Havia uma emoção a acelerar cá dentro que ultrapassava o ritmo e o tempo da música.
Bem hajas pela alegria que me destes em lembrar esta canção e o Poeta maior que é Ary dos Santos e que continuam a querer poeta de cantigas.
Luís

lino disse...

A canção é muita bonita mas já a ouvi mais bem cantada.
Beijinhos

Daniel Santos disse...

eu gostei.

JPD disse...

Reconheci o poema.
Acho uma delícia.

A ilustração, a sua escolha, está perfeita.
bjs

Isaflores disse...

Obrigado.
Adorei!
:))

mena m. disse...

Eu canto porque no peito dos deafinados também bate um coração...

Tenho uma boa voz para chamar táxis!

Bela homenagem, Solinho!

Tia_Cunhada disse...

Gostei de recordar :-)

Beijinhos e tenha um dia lindo

susana disse...

Hoje já não posso fazer barulho, mas quero vir outra vez ouvir isto.
Estamos mais animadas?

Meg disse...

Mdsol,

Como o tempo passa e as coisas não mudam!

Bom fim de semana para ti.

Beijinho

Justine disse...

Magnífico, este poema! Canção que sempre me emociona. E esta interpretação é espantosa.
Obrigada e beijinhos

heretico disse...

enorme Poema. grande música. excelente interpretação.

bela a homenagem. ao Poeta.

beijo

susana disse...

Fabuloso! Vim ouvir, como prometido. Gosto!

A.Teixeira disse...

É, de facto, uma bela versão, que esta canção, apesar de consensualmente bonita, parece-me que nunca teve quem lhe conseguisse, em arranjos, em orquestração, em interpretação, dar-lhe o toque definitivo...