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Pastine, R.
ethics and desire, and strength's vulnerability limitless, red green series
(2009)
Não vejo maneira de arranjar posição. Para me sentir confortável na preocupação. E não estou com dores nas costas. Aliás, o corpo não me dói. Desconfio que o crescente zumbido em redor, se afirmou numa espécie de moedeira da alma. Além de ninguém gostar de ter a alma moída, também não vejo tratamento rápido. E se os males do corpo traem a competência para viver, ficar mal da alma provoca danos ainda mais fundos: desânimo, sem ânimo, sem alma... Desalmados, não vamos a lado nenhum.
Ontem não ouvi um noticiário e hoje passei pela papelaria onde costumo comprar os jornais e não entrei. Tomo estes sinais como passageiros. Posso não ser uma alienada distante - e sempre tentei não o ser - mas, também, não quero ficar uma alheada militante. Na prática fará alguma diferença?
Luís Cília, meu país (poema de Daniel Filipe)
MEU PAÍS
Meu país meu país
Do céu límpido calmo
De campos cultivados
De praias e montanhas.
É para ti meu canto
A minha esperança.
Ouço a tua voz triste
Oh, meu país sem culpa
Ouço-a nos dias mornos
No amanhecer cinzento.
E é para ti meu canto
A minha esperança.
Meu país onde a traição domina
E o medo assoma nas encruzilhadas
Meu país de prisões e covardias
E de ladrões de estradas.
Meu país de operários
Cavadores, marinheiros
Meu país de mãos grossas
Plebeu, sensual, resistente.
É para ti meu canto
A minha esperança.
Para ti meu país
Levanto a minha voz sobre o silêncio
Desta noite de angústias
E de medos.
Nada pode calar
O nosso riso aberto
Ei-lo que invade
A terra portuguesa
E vozes juvenis formam o coro.
Por isso é para ti meu canto
A minha esperança.
Já ouço passos,
Vêem na distância
Desfraldando bandeiras e cantando
E é para ti oh! meu país liberto
O seu canto de esperança e claridade.
Daniel Filipe