Se nos encontrarmos em Paris numa tarde cinzenta
com o tapete do Sena em transporte de emoções,
se nos encontrarmos em Paris
no café fumegante e denso de tabaco
as mãos que esconderes nas minhas serão pássaros
e a chuva de Outono cantará para nós.
... Carlo Cipola diz que os evidentes e numerosos males que nos afligem têm como causa a actividade incessante do clã formado pelos maiores conspiradores espontâneos contra a felicidade humana: a saber, os estúpidos. Nada de confundir os estúpidos com os tontos, com as pessoas de poucas luzes intelectuais...
Daqui a 20 anos o mais certo é eu não ter condições para acompanhar o debate. Mas, se ainda cá estiver, mesmo com a televisão aos berros (ou outro meio mais actual a que me consiga adaptar) hão-de chegar-me vozes tardias, que mostrarão como em Portugal, no ano da graça de 2010, a algazarra dos levianos, dos "utilizadores", dos umbiguistas - dos entediados da vida - venceu mais uma vez.
[ou como o desporto é uma lente de aumento que nos ajuda a olhar o mundo]
Confesso: gosto muito da terça-feira. Porquê? Isso, nem às paredes...! :)))
Chico Buarque & Zizi Possi, pedaço de mim
Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar
Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais
Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu
Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi
Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Lava os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus
Cenas do filme toda a gente diz que te amo (everyone says I love you) de Woody Allen (1996). Porque sim.
[Só consegui encontrar a cena no museu na versão italiana] [Lembram-se que ele tinha decorado a enciclopédia e recitou-lha como se de um grande entendido em arte se tratasse? E que ia morrendo a correr por aquelas ruas de Veneza, para se encontrar "casualmente" com ela?]
It's hard to find the balance when you are in love.
You're lost in the middle cause you have to decide between mind & heart.
HEART is the engine of your body but BRAIN is the engine of your life.
between mind & heart
between mind & heart
between mind & heart
A letra parece-me um equívoco. Acho piada à distinção entre o papel do coração e do "brain", mas não me parece que seja uma oposição fundadora. A menos que a racionalidade seja de tal modo tomada, que aponte para um egocentrismo definitivo e prescinda do amor. O que não me sugere nada de interessante. Alguém se torna pessoa sozinho? Alguém se faz gente sem os outros? Aliás, o amor pode ser completamente redentor e salvar a vida. E se a falta de "brain" pode ser uma imensa maçada, a falta de amor, seja qual for a forma em que ele falte, é que pode desperdiçar, essa mesma vida, retirar-lhe parte do essencial, do intangível, do sublime, do que não se mede a não ser pelo que se sente.
Há presentes que não podemos aceitar, mesmo que sejam importantes e os estimemos. Simplesmente não é o tempo deles. Entre o jánão e o aindanão fica o limbo prático que nos limita.
...
Ó dias encobertos de verão no meu país perdido
mais certos do que o sol consumido nos charcos no inverno,
estas ou outras formas de morrermos dia a dia
como quem cumpre escrupulosamente o seu horário de trabalho
Não eras tu, nem isto nem aqui. Mas está bem,
estou pelos ajustes porque sei que não há mais
Pode ser que me engane, pode ser que seja eu
e no entanto estou de pé, rebolo-me no sol,
sou filho desta terra e vou fazendo anos
pois não se pode estar sem fazer nada. ...
Ruy Belo, ácidos e óxidos(excerto) [boca bilingue, tempo duvidoso] todos os poemas, 156/158
é a música que associo ao tempo e ao espaço e ao cheiro e à cor e aos olhos e às socas e ao nº da porta esquecido na ingenuidade de tempos quentes em que a decisão teve de ser completamente fria.
Elis Regina 1978 Portugal-Apresentação dos músicos/Romaria