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04 dezembro, 2010

eu gostava muito de ter escrito assim







Hassam, Childe
rainy day in Paris
(1890)











Jacques Brel, la chanson des vieux amants


Paris

Se nos encontrarmos em Paris numa tarde cinzenta
com o tapete do Sena em transporte de emoções,
se nos encontrarmos em Paris
no café fumegante e denso de tabaco
as mãos que esconderes nas minhas serão pássaros
e a chuva de Outono cantará para nós.

Maria Sofia Magalhães, ciclo da pedra, edita-me, 92

10 setembro, 2010

como algumas mudanças acontecem para que tudo fique na mesma




 
Ramos, Mel
football funny
(1997)








... Carlo Cipola diz que os evidentes e numerosos males que nos afligem têm como causa a actividade incessante do clã formado pelos maiores conspiradores espontâneos contra a felicidade humana: a saber, os estúpidos. Nada de confundir os estúpidos com os tontos, com as pessoas de poucas luzes intelectuais...
Daqui a 20 anos o mais certo é eu não ter condições para acompanhar o debate. Mas,  se ainda cá estiver, mesmo com a televisão aos berros (ou outro meio mais actual a que me consiga adaptar) hão-de chegar-me vozes tardias, que mostrarão como em Portugal, no ano da graça de 2010, a algazarra dos levianos, dos "utilizadores", dos umbiguistas - dos entediados da vida - venceu mais uma vez.

[ou como o desporto é uma lente de aumento que nos ajuda a olhar o mundo]

15 junho, 2010

nacos que não são cacos







Parke, Melanie
three roses







Confesso: gosto muito da terça-feira. Porquê? Isso, nem às paredes...! :)))

Chico Buarque & Zizi Possi,  pedaço de mim

Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar
Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais
Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu
Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi
Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Lava os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus

Chico Buarque

Boa terça-feira!

25 maio, 2010

saudades




Cenas do filme toda a gente diz que te amo (everyone says I love you) de Woody Allen (1996). Porque sim.
[Só consegui encontrar a cena no museu na versão italiana] [Lembram-se que ele tinha decorado a enciclopédia e recitou-lha como se de um grande entendido em arte se tratasse? E que ia morrendo a correr por aquelas ruas de Veneza, para se encontrar "casualmente" com ela?]

03 janeiro, 2010

rei capitão soldado ladrão menino bonito de bom coração

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Enigma, between mind and heart

"Between Mind & Heart"

It's hard to find the balance when you are in love.
You're lost in the middle cause you have to decide between mind & heart.
HEART is the engine of your body but BRAIN is the engine of your life.
between mind & heart
between mind & heart
between mind & heart

A letra parece-me um equívoco. Acho piada à distinção entre o papel do coração e do "brain", mas não me parece que seja uma oposição fundadora. A menos que a racionalidade seja de tal modo tomada, que aponte para um egocentrismo definitivo e prescinda do amor. O que não me sugere nada de interessante. Alguém se torna pessoa sozinho? Alguém se faz gente sem os outros? Aliás, o amor pode ser completamente redentor e salvar a vida. E se a falta de "brain" pode ser uma imensa maçada, a falta de amor, seja qual for a forma em que ele falte, é que pode desperdiçar, essa mesma vida, retirar-lhe parte do essencial, do intangível, do sublime, do que não se mede a não ser pelo que se sente.





Pagk, P.
home is where the heart is
(2008)











Bueno, G.
Captain Brain
(2006)

19 setembro, 2009

da minha arca de "num é" (3)

.




Case-Fox, V.
under hope I love again







presentes que não podemos aceitar, mesmo que sejam importantes e os estimemos. Simplesmente não é o tempo deles. Entre o não e o ainda não fica o limbo prático que nos limita.


Katie Melua, the closest thing to crazy

03 julho, 2009

ácidos e óxidos







Heilmann, M.
acid line up
(2006)










...
Ó dias encobertos de verão no meu país perdido
mais certos do que o sol consumido nos charcos no inverno,
estas ou outras formas de morrermos dia a dia
como quem cumpre escrupulosamente o seu horário de trabalho
Não eras tu, nem isto nem aqui. Mas está bem,
estou pelos ajustes porque sei que não há mais
Pode ser que me engane, pode ser que seja eu
e no entanto estou de pé, rebolo-me no sol,
sou filho desta terra e vou fazendo anos
pois não se pode estar sem fazer nada.
...
Ruy Belo, ácidos e óxidos (excerto) [boca bilingue, tempo duvidoso] todos os poemas, 156/158


The Beatles, yellow submarine

29 abril, 2009

estados nascentes





Carnochan, B.
magnolia III






Começa a queima das fitas em Coimbra. Faz hoje muitos anos!


Carlos do Carmo, estrela da tarde

29 novembro, 2008

gostos do comum dos mortais (6)






Miguel Torga,
a criação do mundo
(1984)








Tem a capa suja, esta 1ª edição conjunta... devorei o livro completamente ... apaixonada.


Darius Milhaud, la création du monde


Richard Strauss, assim falava Zaratustra

ouvir esta segunda proposta musical a olhar a capa do livro, fez-me bem...(é um excerto muito pequenino...)

01 março, 2008

...da minha arca de "num é" (2)...

é a música que associo ao tempo e ao espaço e ao cheiro e à cor e aos olhos e às socas e ao nº da porta esquecido na ingenuidade de tempos quentes em que a decisão teve de ser completamente fria.

Elis Regina 1978 Portugal-Apresentação dos músicos/Romaria

29 fevereiro, 2008

...da minha arca de "num é" ....






um galo oferecido em forma de postal

















um galo vermelho retribuído em forma de cartaz










um galo mimoso ... para desempatar...






imagens:
???????????- Galo de Barcelos
Marc Chagall - Coq rouge
3ª Pablo Picasso- Rooster

vídeo: Sérgio Godinho "O galo é dono dos ovos" do álbum Pano Crú (1978)