05 fevereiro, 2008

das raízes...


CONTEMPLAÇÃO

Num berço de granito
Com a manta do céu
A cobrir-lhe a nudez,
A minha infância dorme.
Nem bruxas nem fadas
A velar-lhe o sono.
No mais puro abandono
Do passado.
Respira docemente,
Enquanto eu, inútil enviado
Do presente,
Sobre ela me debruço,
E soluço.

Miguel Torga, Diário VIII in Antologia Poética Ed Círculo de Leitores, 322


8 comentários:

um Ar de disse...

O inesperado espectáculo destas raízes fez-me pensar no barco sobre as águas da ria que deixei no meu blog...

Coisa engraçada:
Tu, com as umas sólidas raízes presas à terra!
Eu, com um barquito solto sobre umas águas instáveis...

Freud explicaria isto, certamente...

BEIJoooo

Mariadosol disse...

um ar de:
se reparares as raízes estão todas à mostra...

beijo

Tinta Azul disse...

Pois é, as raízes estão tão à tona da terra quanto o barco à tona da água.
:))))

Anónimo disse...

Sabes qual a raíz que me ocorre???...o teu nome: SOL Alegria;Brilho e inteligência(sabias que o amarelo é i simbolo da inteligência??!!)

(aprendo cada dia q passa a Saber bem "gostar de ti)....rsrrsrrs(é bom GOSTAR.....

Um abraço:pandorabox

Tinta Azul disse...

um ar de...
será pelo que disse a pandorabox que tu gostas da minha saia amarela? E da mariadosol?
:)))

Mariadosol disse...

oh pandorabox....que até fico assim sem jeito...
:))

herético disse...

raizes. como pedras vivas!

Anónimo disse...

Há também as raízes ,as primitivas, as deste cantinho no Montemuro plantado.