25 fevereiro, 2008

a propósito de uma canção do Jorge Palma

eu não percebo como uma relação que, de uma certa forma, não existe, pode ser tão íntima

imagem: "sombra- janela - muro" de Tinta Azul em: www.aluaflutua.blogspot.com

canção "Encosta-te a mim" de Jorge Palma em : http://www.youtube.com/watch?v=Tu9HPz__3ys

Encosta-te a mim

Encosta-te a mim,
nós já vivemos cem mil anos
encosta-te a mim,
talvez eu esteja a exagerar
encosta-te a mim,
dá cabo dos teus desenganos
não queiras ver quem eu não sou,
deixa-me chegar.
Chegado da guerra,
fiz tudo p´ra sobreviver em nome da terra,
no fundo p´ra te merecer
recebe-me bem,
não desencantes os meus passos
faz de mim o teu herói,
não quero adormecer.
Tudo o que eu vi,
estou a partilhar contigo
o que não vivi, hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim.
Encosta-te a mim,
desatinamos tantas vezes
vizinha de mim, deixa ser meu o teu quintal
recebe esta pomba que não está armadilhada
foi comprada, foi roubada, seja como for.
Eu venho do nada porque arrasei o que não quis
em nome da estrada onde só quero ser feliz
enrosca-te a mim, vai desarmar a flor queimada
vai beijar o homem-bomba, quero adormecer.
Tudo o que eu vi,
estou a partilhar contigo o que não vivi,
um dia hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim

Jorge Palma




5 comentários:

herético disse...

"estou a partilhar contigo
o que não vivi..." por isso tão íntimos...

(digo eu, que não sei cantar...)

Pulsante disse...

Pois eu acho que essa relação existe mesmo.
Existe ao ponto de a própria partilha do que não foi vivido ser aceite pelo outro e com ele conjuntamente reinventado.
Essa possibilidade de acerto de coordenadas para a descoberta de uma espécie de uma “ilha de um dia antes” pressupõe um conhecimento mútuo tão forte que é, inevitavelmente, interactivo, relacional. Tão relacional que se basta com o bom sentir do bem querer e nem sequer exige o entendimento (sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim)

Mariadosol disse...

Pulsante:
Na mouche!
A minha observação bastante retórica tem muita perplexidade agradecida

:))

um Ar de disse...

Que curiosa a referência do Pulsante ao Livro "A Ilha do Dia Antes".

Não sei porquê, tenho falado tanto dele?!...

E transpor o acerto das coordenadas [neste caso a longitude] para o tema desta canção... é de uma coincidência mais que interessante: interessada!... em bem querer, porque o entender, às vezes, é consequência e não a causa... e não é fácil explicar o que a lógica tente a contradizer...

[BEIJOS para DOIS]

Mariadosol disse...

um ar de:

Na mouche (também)
Não é fácil explicar o que a lógica tende a contradizer...dizes tu com clarividência...
mas sente-se... digo-to eu claramente :))
beijo