18 fevereiro, 2009

nem sei se isto tem cabimento na ética bloguenta, mas...



Edenmont, N.
big wedding
(2005)


Ninguém é perfeito. Muito menos eu. O mal foi ter visto o programa prós e contra da RTP1 anteontem, a propósito do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Logo eu que quase nunca vejo o programa. Que me falta a paciência. Mas vi.
Houve momentos que me recordaram modos de funcionar semelhantes aos da campanha do 1º referendo sobre a IVG, em 1997, em que me envolvi seriamente a favor do SIM. O referendo perdeu-se por muitas e profundas razões, mas continuo convencida de que um certo discurso agressivo e quase histérico e a atitude arrogante de certos sectores com muita visibilidade, além de não convencerem ninguém, só espantavam indecisos e desmobilizavam a participação. Fico com uma quase angústia por verificar que permanece a incapacidade para se perceber que a natureza dos assuntos também deve ditar posturas e modos de os apresentar. Uma coisa é discutir aeroportos e défices, outra é discutir assuntos da natureza do abordado neste programa. É preciso ter uma atitude pedagógica que nada tem a ver com paternalismo. Vai daí, fui aos blogs onde alguns participantes escrevem e deixei a minha opinião relativamente à sua participação. Gratuita está bom de ver... gratuita e sem que ma tivessem pedido.

Aí vai um "comentário" deixado à f. (jugular)

Ponto prévio: sou a favor! Muito mais por razões práticas, essas sim, relativamente fáceis de equacionar num quadro de entendimento aberto, tolerante (no sentido da compreensão) e livre do mundo e da vida, do que por razões teóricas. Estas são-me sempre difíceis de equacionar por manifesta impreparação minha em matérias teóricas que podem ajudar a suportar a tomada de posição. Politicamente não tenho a mínima dúvida de que, por exemplo num referendo, votaria sim!

E, legitimada por esta minha posição clara, permito-me dizer-lhe, lamentando ter de o fazer, que a sua participação foi desnecessariamente agressiva e sobranceira. Pouco tolerante, portanto. E essa postura (partilhada também pela senhora que estava ao lado do MVA e pelo Daniel Oliveira) não ajuda ninguém a esclarecer-se. Contribui muito para a radicalização de posições. Se, nestes debates não está em causa um resultado tipo desportivo em que se ganha o jogo e tudo termina aí, mas, pelo contrário, está em causa debater argumentos que permitam ajudar quem não tem posição a poder esclarecer-se e alargar o seu quadro de referências sobre o assunto, convenhamos que a postura e o modo como as coisas são ditas não são de somenos importância. A vida não é preto ou branco... tem matizes que precisam de ser tidos sem conta. E, nem toda a gente que não pensa como nós ou não tem posição clara é, à partida, mal intencionada, burra, desinteressada. E ser pedagógica a apresentar o nosso ponto de vista nunca fez mal a ninguém, nem nos torna uns paternalistas desinteressantes.
Peço desculpa se extrapolei. Mas não consigo ser paternalista com alguém que não precisa de ser agressiva nem sobranceira para ser ouvida!

(nota: aqui corrigi duas coisitas de "português". como escrevi o comentário de carreirinha ...)

6 comentários:

salvoconduto disse...

Ora aqui está um post/comentário extremamente lúcido.

Cheguei ao ponto de ver num blogue que a posição A ganhou à B por 20-0.

Quando vejo o tema ser assim conduzido não lhe auguro grande futuro.

Sou a favor do sim, mas isso não me obriga a encarar o tema com fanatismo.

mariab disse...

Ai, balha-tedeus que esta coisa de levar a participação cívica a sério tem que se lhe diga...
De verdade, concordo totalmente contigo. Beijos

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Concordo plenamente com o seu comentário. Aliás, o post que escrevi hoje no Delito- e tanta celeuma levantou-também vai nsse sentido. Embra não goste muito da palavra tolerante ( por razões que lá explico...)

heretico disse...

também me fez erisipela... confesso.

WOLKENGEDANKEN disse...

Excelente comentario, Solzinha, mesmo excelente. Nao so bem escrito mas cheio de razao e de sentido comun.

Nao segui o tema em Portugal, mas sim na Austria. Imagino que ao havera grandes diferencas na argumentacao.Para mim o papel da igreja catolica neste e em tantos outros assuntos é simplesmente vergonhoso.

Donnola disse...

ganda pinta de comentário!