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05 janeiro, 2009

resposta incompleta: o Chico é...

tentativa de resposta à pergunta feita pela Wolkengedanken: Quem é o Chico?

sítio do Chico Buarque
biografia resumida
Chico Buarque (wikipédia)

algumas obras
Ópera do malandro que também originou um filme
"lyrics" das canções

livros:
chapéuzinho amarelo;
estorvo que deu origem a um filme;
Benjamim que originou também um filme;
BUDAPESTE

[Em especial para a Wolkengedanken: espero que fiques com uma ideia do Chico Buarque de Holanda. Ficam estes vídeos. Não são, de modo algum, as canções mais emblemáticas (terá quantas?) ... podes procurar no You-tube, depois de veres aspectos da biografia...]


Chico Buarque, futuros amantes


Chico Buarque e Zizi Possi, pedaço de mim


Chico Buarque, olhos nos olhos


Chico Buarque e Nara Leão, com açucar com afeto

22 março, 2011

porque hoje é terça


Chico Buarque, eu te amo

Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir
Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir
Se nós, nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir
Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu
Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu
Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios inda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair
Não, acho que estás te fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir
(Tom Jobim - Chico Buarque, 1980)

30 dezembro, 2009

... e agora eu era ...





Jikai, L. 
rocking horse
(2006)
[pintado em fibra de vidro]








Agora eu era o herói
E o meu cavalo só falava inglês
A noiva do cowboy
Era você
Além das outras três
Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões
Guardava o meu bodoque
E ensaiava o rock
Para as matinês
Agora eu era o rei
Era o bedel e era também juiz
E pela minha lei
A gente era obrigada a ser feliz
E você era a princesa
Que eu fiz coroar
E era tão linda de se admirar
Que andava nua pelo meu país
Não, não fuja não
Finja que agora eu era o seu brinquedo
Eu era o seu pião
O seu bicho preferido
Sim , me dê a mão
A gente agora já não tinha medo
No tempo da maldade
Acho que a gente nem tinha nascido
Agora era fatal
Que o faz-de-conta terminasse assim
Pra lá desse quintal
Era uma noite que não tem mais fim
Pois você sumiu no mundo
Sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim

(Chico Buarque - Sivuca, 1977)


Chico Buarque, João e Maria                   Chico&Nara Leão, João e Maria

15 junho, 2010

nacos que não são cacos







Parke, Melanie
three roses







Confesso: gosto muito da terça-feira. Porquê? Isso, nem às paredes...! :)))

Chico Buarque & Zizi Possi,  pedaço de mim

Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar
Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais
Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu
Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi
Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Lava os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus

Chico Buarque

Boa terça-feira!

29 dezembro, 2009

... e o dia amanheceu em paz

.





Jing, A.
red in love - 2
(2009)









 


VALSINHA 
Um dia, ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a de um jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto, convidou-a pra rodar
E então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça, foram para a praça e começaram a se abraçar
E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade que toda cidade se iluminou
E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se ouvia mais
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu
Em paz

Chico Buarque / Vinícius de Morais


Chico Buarque, valsinha

[É para ouvir mesmo. Eu bem aviso...  :)))]

19 junho, 2010

parabéns Chico Buarque






Szaggars, Sibylle 
for the beauty of you







É uma paixão assolapada e assumida. As inúmeras vezes que aqui o trago só reforçam essa certeza. Além do mais, é lindo de morrer. Faz hoje 66 anos. Muitos parabéns.
 
Chico Buarque, valsinha
(mais uma vez... e sempre. E esta versão antiga perde em qualidade técnica o que ganha em interpretação.)

25 julho, 2008

lá para a terceira encarnação

Chico Buarque, futuros amantes

Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar

E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos

Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização

Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você

Composição: Chico Buarque

04 maio, 2010

jeito branco

 .

Cristina Branco, o meu amor (Chico Buarque)

O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca
Quando me beija a boca
A minha pele inteira fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada, ai

O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos
Viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo
Ri do meu umbigo
E me crava os dentes, ai

Eu sou sua menina, viu?
E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha
Do bem que ele me faz

O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
De me deixar maluca
Quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba malfeita
E de pousar as coxas entre as minhas coxas
Quando ele se deita, ai

O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios
De me beijar os seios
Me beijar o ventre
E me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo
Como se o meu corpo fosse a sua casa, ai

Eu sou sua menina, viu?
E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha
Do bem que ele me faz

Chico Buarque

05 abril, 2011

porque hoje é terça


Chico Buarque, valsinha

VALSINHA
Um dia, ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a de um jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto, convidou-a pra rodar
E então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se usava dar
E cheios de ternura e graça, foram para a praça e começaram a se abraçar
E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade que toda cidade se iluminou
E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se ouvia mais
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu
Em paz

Chico Buarque / Vinícius de Morais

29 julho, 2010

com açucar, com afeto


Chico Buarque e Nara Leão, com açucar com afeto

Com açúcar, com afeto
Fiz seu doce predileto
Pra você parar em casa

Qual o quê
Com seu terno mais bonito Você sai, não acredito
Quando diz que não se atrasa

Você diz que é operário
Sai em busca do salário
Pra poder me sustentar

Qual o quê
No caminho da oficina
Existe um bar em cada esquina
Pra você comemorar
Sei lá o quê

Sei que alguém vai sentar junto
Você vai puxar assunto
Discutindo futebol

E ficar olhando as saias
De quem vive pelas praias
Coloridas pelo sol

Vem a noite e mais um copo
Sei que alegre 'ma non troppo'
Você vai querer cantar

Na caixinha um novo amigo
Vai bater um samba antigo
Pra você rememorar

Quando a noite enfim lhe cansa
Você vem feito criança
Pra chorar o meu perdão

Qual o quê
Diz pra eu não ficar sentida
Diz que vai mudar de vida
Pra agradar meu coração

E ao lhe ver assim cansado
Maltrapilho e maltratado
Ainda quis me aborrecer

Qual o quê
Logo vou esquentar seu prato
Dou um beijo em seu retrato
E abro meus braços pra você

19 abril, 2011

porque hoje é terça


Chico Buarque, futuros amantes

Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar
E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos
Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização
Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você

29 maio, 2010

construção

.

Chico Buarque, construção

Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego
Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público
Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado
Por esse pão pra comer, por esse chão prá dormir
A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir,
Deus lhe pague
Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça e a desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair,
Deus lhe pague
Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir,
Deus lhe pague

27 dezembro, 2011

27 agosto, 2009

mudança de paradigma ou fase da lua?

.


Avery, M.
the pink bathing suit
(1963)


Acordei às 6.30h. Às 7 horas estava a sair de casa para fazer uma caminhada de uma hora. Voltei às 8 horas e às 10.30 já eu tinha confabulado com a minha empregada, já me tinha debatido com uma teia de aranha a que ela não conseguia chegar, já tinha respondido a e-mails de trabalho e olhado alguns jornais e blogs. Tentei retomar o trabalho iniciado ontem mas não deu. Oh céus, como me está a custar retomar os assuntos de trabalho. Às 11 h estava a meter no carro a mochila com a tralha da praia. Às 14h estava de volta a casa para almoçar a correr e arranjar-me para um encontro apalavrado para as 15h. Às 17 estava de volta e entre telefonemas para ver como evoluía a constipação da minha mãe e outros assuntos, entre os quais ler mais um pouco do Leite Derramado, do meu querido Chico Buarque, chegou a hora de jantar. O jantar foi rápido e agora, às 20.40h, estou espapassada. Eu notívaga, que nunca tinha sono à noite, que dizia que me podia levantar cedo mas nunca acordava antes das 11 horas, dei nisto desde há umas semanas. Ando perplexa comigo. Houve dias em que às 11horas da manhã já tinha feito mais coisas do que normalmente faria até às 4 ou 5 da tarde. Eu sei o que é isto. Ai sei sei.


Cat Stevens, morning has broken

08 setembro, 2008

fotografia "a la minuta" em tempos digitais *




Caulfield, P.
found objects
(1968)






tenho hoje no meu regaço
restos de um tempo longe:
pingos de música
pedaços de cheiros
migalhas de aromas
nacos de rostos
fracções de feições
fragmentos de olhares
porções de palavras
bocados de verde
grãos de loucuras
estilhaços de lutas
de um coração inteiro


Chico Buarque e Nara Leão, com açúcar, com afeto

*
palavras sem pretensões de serem catalogadas como qualquer género literário! rsrsrs

11 julho, 2008

preciosidades

Vermeer, J.
girl with a pearl earring
c.1665.







PÉROLA

Há coisas que só se podem ver
com o branco
dos olhos


Jorge de Sousa Braga,
fogo sobre fogo

Maria Bethania, olhos nos olhos (Chico Buarque)

19 junho, 2009

paixão assolapada

Faz hoje 65 anos. O Chico Buarque. De quem tanto gosto. Como já assinalei aqui

09 maio, 2010

há domingos assim (3)

 .






Tozzi, C.
dança do futebol
(1997)








 
Futebol se joga no estádio?
Futebol se joga na praia,
Futebol se joga na rua,
Futebol se joga na alma.
A bola é a mesma: forma sacra
Para craque e pernas-de-pau
Mesmo a volúpia de chutar
Na delirante copa-mundo
Ou no árido espaço do morro.
São voos de estátuas súbitas,
Desenhos feéricos, bailados
De pés e troncos entrançados.
Instantes lúdicos: flutua
O jogador, gravado no ar
_ afinal o corpo triunfante
da triste lei da gravidade.

Carlos Drummond de Andrade



Chico Buarque, o futebol, hino do Politeama  [Se não ouvirem nem virem não sabem o que perdem...]

E um bom dia do senhor para todos. :)))

[okay: eu bem sei que o futebol moderno começou ali nos domínios de sua majestade isabel ii ...]

12 julho, 2008

saudades

Kennedy, Cecil - white roses


Chico Buarque, mulheres de atenas

28 junho, 2009

tempo





Pye, H.
every relationship has a clock attached to it
(2008)












FORA DE HORA

Entrega fora de hora
e posse fora de hora.
Quem mandou
você atrasar a hora,
você apressar a hora,
você aceitar a hora
não madurada
ou demasiado madura?

O tempo fora de hora
não é tempo nem é nada.
O amor fora de hora
é como rolar na escada.

Carlos Drummond de Andrade, farewell, 57


Chico Buarque, apesar de você
[é mesmo para ouvir :)) ]