30 abril, 2010

perplexidades

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Roig, B.
perplexity exercises
(2005)




Que quase se tenha acabado com as actividades do sector primário obrigando-nos a importar bens essenciais e comezinhos, do peixe às laranjas e a maquinaria vária, já eu sabia e sempre me incomodou esta caminhada no sentido do terciário. Agora isto! Tenham santa paciência. Oh meninos, candais a fazer?

ditos (19)

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Hirschfeld, A.
Charlie Chaplin
(litografia)








"A vida é um acontecimento local".
Charles Chaplin (Luzes da Ribalta)


Nat King Cole, smile (de Charles Chaplin)

final de um mês moderno

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Osver, A.
late April





Se podem brincar com a nossa dívida pública, porque não hão-de poder brincar com a música? E a voz docinha da Gigliola Cinquetti até faz a cantiga mais interessante.
Entre Lisboa antiga e o final de Abril percebe-se melhor como estamos em tempo de muito tacto.

Gigliola Cinquetti, Lisboa Antigua

29 abril, 2010

já é agora

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Gloeckner, M.
soft wind of the spring
(1973)









Agora

Abre-te, primavera!
Tenho um poema à espera
Do teu sorriso.
Um poema indeciso
Entre a coragem e a covardia.
Um poema de lírica alegria
Refreada,
A temer ser tardia
E ser antecipada.

Dantes, nascias
Quando eu te anunciava.
Cantava,
E no meu canto acontecias
Como o tempo depois de confirmava.
Cada verso era a flor que prometias
No futur sonhado...
Agora a lei é outra: principias
E só então eu canto confiado.

Miguel Torga, diário X [poesia completa II, 774]


Tom Waits, you can never hold back spring

28 abril, 2010

desabafo muito ignorante

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Kaye, O.
learn about money





Sem ironia. Eu não percebo nada de economia nem de finanças. Nem de bolsas e de compra de dívidas. Muito menos de agências de ratings e quejandos. Cheira-me tudo a complicações não essenciais. Pelo que me parece, nem os economistas percebem.  Falar depois das coisas acontecerem, não é vantagem! Pelos vistos nem eles dominam esta besta que se esconde como o Yeti e o monstro do Loch Ness, mas se faz sentir qual Eyjafjallajokull em erupção que tudo tolda, perto ou longe. Chega, depois, aquela sensação, como que de absorção, de que uns quantos jogam sem escrúpulos nem sentido além do interesse do seu umbigo. Daqui, do lugar da minha ignorância, atrevo-me a pensar que "isto" acaba com a vaga ideia de Europa e ganha dez a zero à política. Independentemente do que eu possa pensar da Europa e da política tal como elas vêm acontecendo. E aborrece-me que uns quantos, sem rosto, decidam tudo. E aborrece-me que uns quantos, com rosto, só lhes reste serem marionetas ou operadores de um coro desafinado há muito. E aborrece-me, ainda mais, que nós todos, de carne, osso e sonhos tecidos olhemos, olhemos, olhemos e ... Resta aos nossos filhos e netos usarem a razão criativa. De nós pouco podem esperar. Raça de tempo este. Raio de tempos estes.

não sei se havia necessidade (2)

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Mondrian, P. 
tableau one*
(1921)
















Clausen, F.
contre composition
(1983)











[*Estive pertinho deste, em Janeiro deste ano. Claro, no Museu Ludwig em Colónia]

27 abril, 2010

afinal, quantas contas são?

 




Scully, S.
untitled
(1990)







"Apresenta-se à criança um conjunto de contas de madeira, dezoito das quais são castanhas e duas brancas. Em seguida tem lugar o seguinte diálogo entre a criança e o experimentador:
- Quais são mais? As contas de madeira ou as contas castanhas?
- Mais castanhas porque só há duas brancas.
- As brancas são de madeira?
- Sim.
- E as castanhas?
- Sim.
- Então, há mais castanhas ou mais de madeira?
- Mais castanhas.
Aos seis anos é este o padrão de respostas. Em contrapartida, aos oito anos a criança percebe sem dificuldade que há mais contas de madeira. [Piaget, J.: A génese do número na criança]
Esta historicidade - que se dá a todos os níveis - parece uma nova desvalorização da evidência como critério, já que encerra o sujeito no seu próprio nível de evidência..."
José António Marina, ética para náufragos, ed.anagrama S.A., 88-89.


Ora bolas, já tinham idade para ... nos pouparem ao espectáculo que é vê-los a tentar medir água ao metro e tecido ao litro. Penso eu de que...

26 abril, 2010

manhã de segunda, mas uma boa semana (28)

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Burgers, B.
honest and pure wishes


de uma semana muito boa.  :)))

25 abril, 2010

SLB - o que mais custa mais vale (sem azevedo, entenda-se)

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Os arsenalistas, também conhecidos por arcebispos, minhotos, guerreiros do Minho e bracarenses, continuam a adiar a festa desejada pelas papoilas saltitantes que lá terão de ter paciência até próximos domingos, balhalhesjesus!

[Tenho ali o ramalhete das papoilas "reserbado". Ainda se me vai secar até que seja oportuno colocá-lo. Balhamedeus!]

sempre






Wewetzer, S. A.
freedom






Sempre!

(Para ler. clicar n ' O Tesouro)


































Zeca, Grândola Vila Morena

Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade

Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena

Em cada esquina, um amigo
Em cada rosto, igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade

Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto, igualdade
O povo é quem mais ordena

À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola, a tua vontade

Grândola a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade


Amália, Grandola Vila Morena

24 abril, 2010

sábado de manhã (105)





Somov, Konstantin Andreevich
sleeping young woman
(1917)




Entretanto, há um ano, foi assim a contagem decrescente (1).

23 abril, 2010

telorância ?

O google passou-se! Completamente! Não querem ver que recambiou até aqui ao branquinho alguém que digitou: "como posso telorar uma traição".
Com toda a franqueza vos digo: não sei se "telore" semelhante linkalhada.

ir num pé e voltar no outro

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Salvo
primavera
(s/ data)










Vou ali conferir se a Primavera também anda tímida com os transmontanos.

Entretanto, há um ano, foi assim a contagem decrescente (2).

22 abril, 2010

grrrrr

Estou com problemas de acesso à net. É curioso que, faz exactamente hoje um ano, um vírus tolo invadiu o meu "portátel". O bichinho já está novamente no estaleiro, mas ainda não sei que mazelas o atormentam.
....
Entretanto ... há um ano, aqui, foi assim a contagem decrescente (3) :)))
....
[Adenda: parece que o "portátel" não fica pronto hoje. Amanhã vou até à cidade que é banhada pelo Corgo e não tenho tempo para acompanhar os trabalhos de recuperação do animalzinho sensível, sensível. Entretanto, a senhora dorminhoca, já está em fila de espera para entrar na sua horinha. A ver vamos, mas o mais certo é ficar no estaleiro por uns dias]

[Adenda 2: já vos tinha dito que "tenho" os melhores engenheiros informáticos do mundo? Pois tenho. Têm uma competência cheia de disponibilidade e afeição. Beijinhos para eles].

21 abril, 2010

20 abril, 2010

clara manhã

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Casentini, M.
morning
(2005)










Manhã

Estar contigo ao acordar, ver como
se abrem as tuas pálpebras, cortinas
corridas sobre o sonho, sacudir dos
teus lábios o silêncio da noite para
que um primeiro riso me traga o dia:

assim, amor, reconheço a vida que
entra contigo pela casa, escancara
janelas e portas, deixa ouvir os pássaros
e o vento fresco da manhã, até que voltas
para junto de mim, e tudo recomeça.

Nuno Júdice, Pedro, lembrando Inês, 27


Cat Stevens, morning has broken

[... e uma boa tarde e, também, uma óptima noite] :))

19 abril, 2010

manhã de segunda, mas uma boa semana (27)

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Lenço dos corações
(daqui)












Pus-me a contar as estrelas
Contei duzentas e doze
Com as duas dos teus olhos
São duzentas e catorze.

quadra popular (Portugal) [a Rosa do Mundo - 2001 poemas para o futuro 2001,738)


Michael Cashmore, my eyes open

[Ai este contraste, não é? Lá terão de ouvir... Ah, poizé]

18 abril, 2010

transfer

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Arnoldi, C.
auto
(2008)






Um bom dia do senhor para todos, que eu vou meter-me à estrada, no sentido sul norte, acabados que estão os trabalhos capitais. [Não vale rogarem-me pragas por andar de carro num tempo em que todas as preocupações cidadãs nos mandam andar de comboio e tal, ecologia e ambiente metidos no assunto. E também não vale porem-se aí a rir, lá porque eu me descaio em confidência dominical e digo que enjoo de comboio ... Pois... Perfeita, perfeita só a cervejita no anúncio....] :)))

17 abril, 2010

sábado de manhã (104)





Picasso, Pablo
femme couchée à la mèche blonde
(1932).

16 abril, 2010

paz pontual







Shabelewska, Silas
peace 4











Tempos de agora, com outroras bem presentes,
(é este o chão que nos foge para o futuro)
vivem-se em ritmo interior com umas lentes,
que de fora nos impõem estilo duro.

De eficácias e realismos dourados,
chegam miragens que alimentam ilusões,
de oásis em desertos confirmados,
com o poder que só podem saltitões.

E só se salva quem saltar sem tom nem som,
viver de jás em prisões de quantidade,
lado de fora de quem ama a liberdade

radical de ir ao fundo, de estar com.
Nestes saltos sobressaio incapaz.
Quero o contrário de ZAP(ing) que é PAZ!

não sei se havia necessidade

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Vermeer, J.
girl with a pearl earring
(c.1665)






Quiñones, N. A.*
mujer de la perla
*pintor venezuelano nascido em 1963

15 abril, 2010

...e, quem não se sente, não é filho de boa gente

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Burgers, B.
kindred spirits










Flores para quem chega. Muito obrigado a todos. Mais uma vez me senti uma sortuda blogosférica.

lembrança de águas passadas

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Sa, S.
forbidden river
(2007)




AFLUENTES

Que sabe um rio dos seus afluentes? E os afluentes dos subafluentes? E estes dos pequenos regatos da montanha? Os rios não têm memória. (Embora digam que a memória é um rio.)

Têm água. E nós sede.

Jorge de Sousa Braga, os pés luminosos
[o poeta nu - poesia reunida, assírio & alvim, 112]


 
Simon & Garfunkel, bridge over troubled water (ao vivo, 1969)

14 abril, 2010

mais papistas que eu sei lá...

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atribuído a Francis Bacon
screaming Pope
(1988)




Desde a primeira hora que achei completamente sem sentido a tolerância de ponto durante a visita do Papa a Portugal. Por tudo. E, também, porque no momento difícil que o país atravessa, e que a Igreja tem denunciado, me soa a egoísmo puro e duro e à sobrevalorização do espectáculo em prejuízo do recolhimento e da vivência interior. Não é preciso argumentar com as contradições que a medida revela no quadro da separação de poderes entre a Igreja e o Estado. Basta olhar para as contradições que a medida encerra no quadro dos valores da própria Igreja. E, depois, nenhum católico, para quem as manifestações públicas de acompanhamento do Papa sejam um momento privilegiado de encontro com a sua fé, seria impedido de participar. Há sempre a possibilidade de "meter" um dia de férias.  Não gosto destes oportunismos seráficos nem acredito na beatitude desta confluência de interesses.
Ler mais aqui.

... pelo que, o meu stock de papoilas começa a dar de si ...

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Shawcross, N.
poppies
(2004)






Mais uma vez parabéns, suas papoilas saltitantes! Este ano andam num sino! :)))

13 abril, 2010

sim, o que tenho sido de suposto a mim-mesma ...

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Newman, B.
be I
(1970)







É só espreitar aqui e somar mais um.
 

[Apesar de este ano ser par, tomara que seja ímpar... :))) ]
 
[Sim... que esta terça-feira é dia de derby na capital e, portanto, o resto não interessa mesmo nada! Numa das pontas da segunda circular não há coração que aguente a ver se, de uma vez por todas, volta a ser este ano. Na outra ponta da referida circular de primeira,  mas que se chama segunda, não há coração que aguente o descaso e a ver se, de uma vez por todas, páram de concluir antes de tempo, que isto mais vale cair em graça do que ser engraçado.]

12 abril, 2010

prima quê?

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Christiansen, Di.
spring as winter
(2008)




A primavera escusava de ter voltado com parte da palavra atrás. Não lhe bastava ter chegado tarde e más horas... Lei non è vera.

manhã de segunda, mas uma boa semana (26)

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Fleming, K.
spring awakening








Uma semana com dias soalheiros por dentro por fora e por todos os lados em que acordamos viver e acordados vivemos.


Paulo de Carvalho & Mariza, o meu mundo inteiro

11 abril, 2010

há ir e há voltar ainda que devagar

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Evans, N.
slight return
(s/ data)



Regresso lento. Lento regresso ...

Um bom dia do senhor! Cheio de sol, nos gestos e nas palavras.


Faixa 2 - Sankanda + Lasset uns den nicht zerteilen do CD Lambarena - Bach to Africa -
Projecto Lambarena - uma ideia de Mariella Berthéas concretizada pelos músicos Hughes de Courson e Pierre Akendengué

[correu tudo bem e eu volto devagarinho apesar da diferença horária ser só de uma hora :))) ]

10 abril, 2010

09 abril, 2010

já há muito tempo que se sabia que os quatro de Liverpool eram mais famosos do que Jesus

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The Beatles, let it be

Venho aqui muito a correr... mas não quero que pensem que ando completamente desatenta! Acontece aos melhores, poizé!

:)))))

03 abril, 2010

sábado de manhã (102)






Hove, Francine van
Karen with a cushion
(s/ data)