29 abril, 2010

já é agora

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Gloeckner, M.
soft wind of the spring
(1973)









Agora

Abre-te, primavera!
Tenho um poema à espera
Do teu sorriso.
Um poema indeciso
Entre a coragem e a covardia.
Um poema de lírica alegria
Refreada,
A temer ser tardia
E ser antecipada.

Dantes, nascias
Quando eu te anunciava.
Cantava,
E no meu canto acontecias
Como o tempo depois de confirmava.
Cada verso era a flor que prometias
No futur sonhado...
Agora a lei é outra: principias
E só então eu canto confiado.

Miguel Torga, diário X [poesia completa II, 774]


Tom Waits, you can never hold back spring

8 comentários:

intimidades disse...

Lindo

Adoro a primavera. ja tenho saudades

Beijos
Paula

Rogério Pereira disse...

MdSol
Gosto bastante mais deste seu post: Estar "Entre a coragem e a covardia." não é o mesmo que aceitar estar, cobardemente, numa atitude de rendição...
De nós ainda há muito a esperar, né?

Zélia Guardiano disse...

mdsol
"Suave lembrança da primavera"...
Post simplesmente maravilhoso! Primeiro, a tela... Depois, esses versos lindos: medo de se declarar cedo ou tarde demais, aspirando por segurança...

Um forte abraço

PS- Sua visita e suas palavras me fizeram muito feliz...

observatory disse...

um log bem comportado

sem sombras ...

sem perfumes fortes :)))))

lino disse...

Se o Adolfo vivesse agora assistiria a uma outra lei: só confio que vieste depois de de te ires embora.
Beijinho

jrd disse...

É, até a primavera já não é o que era.

Mar Arável disse...

Pois.

As primaveras.

Mónica disse...

olha o césar a meter-se contigo :DDD o dono dos hole