30 janeiro, 2010

coisas de cadernos guardados

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Serra, R.
promenade notebook (III)
(2009)










CADERNO I

Quando me perco de novo neste antigo
Caderno de capa preta de oleado -
Que um dia rasguei com fúria e que um amigo
Folha a folha recolocou com vagar e paciência -

Tudo me dói ainda como faca e me corta
Pois diante de mim estão como sussurro e floresta
As longas tardes as misturadas noites
Onde divago e divagam incessantemente
Os venenosos perfumes mortais da juventude

E dói-me a luz como um jardim perdido

Sophia de Mello Breyner Andresen, caderno I, o nome das coisas


Enigma, mea culpa (MCMXC)

7 comentários:

jrd disse...

Em busca do tempo (perdido?)...

intimidades disse...

lindissimo

Beijos
PAula

jose albergaria disse...

:)))
Bom dia e boa semana.
J.A.

um Ar de disse...

:)
... pior é, quando se queimam os cadernos de lombada negra.
... e ninguém os "salvou".
Fica a saudade maior, da derradeira juventude queimada.
Fica a imagem do fogo e da fogueira...
Um sentimento adolescente de imolação e desapego.
.
É lindíssimo, este texto!
.
[Beijo...@]

Tia_Cunhada disse...

Sophia deixou tantas saudades quantas os cadernos da nossa juventude...
Beijinho

lino disse...

:))

Mar Arável disse...

Muito belo