01 janeiro, 2010

branco luar






Ju, Ann Kook
a part of confabulation in the moonlight
(2007)











XLVIII

Esta noite a loucura do meu ofício
privilegia os falcões;
vou morrer; à altura da boca
o mar pode ser a casa.

A manhã expulsará o sol do olhar;
fui alto para ver a neve,
para colher a transparente e verde
fragrância do ar.

Ninguém pode suportar de olhos abertos
o peso do mundo;
com a noite foram-se os cavalos;
partem para não morrer.

Eugénio de Andrade, branco no branco, 58


Beethoven, sonata ao luar, (1º and.) - piano: A. Rubinstein

6 comentários:

intimidades disse...

e um feliz ano novo para ti

Jokas
Paula

jrd disse...

Eugénio. O galope da poesia que não morre.

PreDatado disse...

Bonita a escolha do poema. Bonita a escolha do trecho de Beethoven. feliz ano!

O Puma disse...

O nosso Eugénio

sempre

Arabica disse...

Bom dia. Claro.
Branco no (ao) Sol.
Todos os dias. :)

Beijinhos

susana disse...

Tistito... oh.