17 julho, 2007

sem título nem pontuação

No percurso do discurso que se faz
Não é com falas (ou com falos) que se diz
A linguagem é real, viva se apraz
Experiência interna que nunca contradiz

O sistema do sentido mais profundo
Ergon seguro tornado energeia
É a autonomia do discurso face ao mundo
É pensamento é posição que encadeia

Actividade intencional – eu sou sujeito.
E a sujeição? Só à interpretação
Que, em simbiose, vive com compreensão

Só não posso, não suporto, não aceito
Ser parêntesis
[mesmo que seja dos rectos]

No percurso do discurso dos afectos.

Peripécias ou...esta "estória" não é nada comparada com o meu estado actual de despassaramento

E, ainda assim, eu também (quase) só distingo os carros pela cor... E, ainda assim, também eu já tive aflições escusadas (eufemismo para ignorâncias muitas) à conta da questão oleica do meu carro...
Subi o Marão, do Porto a Vila Real, já noite dentro, (era Dezembro) com o coração aos pulos por causa do maldito ícone que, a meu ver, remetia para o óleo. Logo por alturas de Paredes o ícone deu sinal de vida! Mas não podia ser falta de óleo!... Por precaução tinha pedido, na garagem de todos os recursos rápidos, para verem o nível dos líquidos todos...Ainda assim, perante a piscadela “gemente” do ícone, parei logo na estação de serviço a seguir a Penafiel. Tudo conferido por diligente funcionário que não lhe parecia que fosse falta de óleo, mas ainda assim acrescentou um niquinho:
_"Vá lá. De certeza que não é falta de óleo. Vá sossegada".
E eu fui porque tinha de seguir...esperavam-me às 21.30h. Mas nada sossegada. O ícone volta e meia aparecia e mais, ainda que contidamente,
guinchava!
Desci o Marão, no dia seguinte, com pulos cardíacos intermitentes porque o raio do ícone intermitentemente me aparecia, sem que eu estabelecesse a mínima relação causa-efeito. Cheguei ao Porto e, oh! oh! calmamente retomei a minha rotina. Continuei a andar com o carro porque a cena do ícone desapareceu e eu, pura e simplesmente, me esqueci dele. No dia a dia não acontecia nada... Passou.
Porém... sempre que me distanciava um pouco mais do Porto lá aparecia o ícone, intermitente, sem nexo, a sobressaltar-me o coração e a arreliar-me a mente.
_Como é que me esqueci desta treta mais uma vez? Massacrava-me eu a cada viagem. Parecia uma praga rogada por alguém que me queria atormentar nas viagens que me levavam, em trabalho, a locais fora do Porto. E era ver-me a parar ...nas bombas de gasolina, em garagens de ocasião... e nada...
_”O carro tem óleo, minha senhora!”...
Cheguei a conferir, com empenhados funcionários, o livrinho que acompanha o carro... Nada... Até que um dia...
_“Olhe, se reparar bem, este ícone não é o do óleo "tout court". Alguém, mais inspirado, me suspirou passados muitos sustos e lugares.
Depois deste susto maior, acabei por ir onde devia ter ido logo na altura de "rever" o óleo: à garagem da marca do carro.
Lá fui. Expliquei-me o que podia. Que parece que falta óleo, mas que me dizem que não! mas...
Risada geral.... Sim, risada porque, entretanto, um exército de anjos da guarda não permitiu que algo de definitivamente grave acontecesse à viatura... e a mim!
_"Oh minha senhora, claro que não é falta de óleo. É EXCESSO!!!"...
Só quando o carro andava mais tempo e mais veloz e aquecia mais é que a intermitência sinalética aparecia...
… pois o calor também dilata (ainda mais) o mero óleo de uma mera viatura conduzida por uma mera condutora meramente ignorante...

Porto 2005


11 julho, 2007

A propósito da falta de nitidez do rosto da Isaura

Mas é mesmo assim. A Isaura existe, (é até bem pesada) e está presente. Pode estar a um canto mas está lá! De pedra, literalmente falando e sem cal porque a alvura não faz parte da sua natureza xistosa. Como pode, então, ser a um tempo tão real e tão difusa? Mas algum dia eu transpareci algum entendimento da vida a branco e preto? As coisas são o que são? Pois, pois...E são contraditórias e paradoxais e provocam-nos ambivalências e confusões e perplexidades e ...
O rosto da Isaura vê-se mal e eu sei disso e também sei que é a única maneira de a ver.

09 julho, 2007

Amigas inesquecíveis - Ou como uma questão semântica se tornou numa possibilidade de vida!!!

Há muitos muitos anos tínhamos 14, 15 e 16 anos. Ou menos ainda! E escrevíamos nos livros de autógrafos umas das outras, com capinhas reluzentes, que as mais afortunadas recebiam como prenda de anos. E escrevíamos à altura da nossa alma e do modo como dominávamos esta língua portuguesa que, também, nos confere parte da identidade.

Partimos bem cedo rumo à (outra) vida. Andamos por longe, por perto sem nos vermos, atentas e ocupadas, empenhadas e distraídas. Sim porque todas somos de tudo um pouco.

Passaram quase 40 anos! Acasos e vontades juntaram-nos. Uma de nós, muito empenhada, aparece com o seu livro testemunho. Num acto de enorme àvontade com a vida, declamamos as frases (?) palavras corridas, quadras soltas.... que então debitamos com enorme convicção.

Não se trata aqui de fazer a análise do conteúdo daquilo que cada uma escreveu. Muito menos de verificar que.... afinal.... já naquele tempo.... Nada disso. Não somos mulheres juízes muito menos arvoradas em bitolas.

Ah! Mas a frase repetida por todas (ou quase) erradamente escrita mas verdadeiramente verdade com que terminavamos a prosa: "A tua amiga inesquecível" valeu. Porque, de um modo desajeitado e formalmente errado, esta frase acaba por dizer o que se passa: De facto, somos amigas inesquecíveis na exacta medida em que nunca nos esquecemos de tudo o que cada uma representa no miolo da nossa estrutura. E mais: nenhuma de nós quis reescrever a história. Mesmo que quiséssemos dizer: "a amiga que nunca te esquecerá" somos de facto amigas inesquecíveis!
Valeu!!!

A vossa amiga inesquecível que nunca vos esquecerá ehehehehe

Caçula

06 julho, 2007