06 dezembro, 2010

manhã de segunda, mas uma boa semana (57)







Zhang Jing Sheng
the variations of a garden at fall IV





 Dias aconchegados para quem passa.
Zeca Afonso, que amor não me engana

[Houve um tempo em que, entre outros malfeitores, uma ana me azucrinava os dias. Nessa altura eu dizia que as semanas de que mais gostava eram as semanas com uma folga a meio: sem ana. :)))]

05 dezembro, 2010

desatravanquem o ambiente





Watanabe, Motoko
mist







Pelamordedeus acabem-me com tanta santificação. A continuar assim, acaba canonizado no altar das (in)competências actuais, que precisam de nevoeiro que as disfarce e de pau-de-cabeleira que ampare o previsível casamento de conveniência. Daqui, do meu olhar modesto, até me parece falta de respeito.

04 dezembro, 2010

eu gostava muito de ter escrito assim







Hassam, Childe
rainy day in Paris
(1890)











Jacques Brel, la chanson des vieux amants


Paris

Se nos encontrarmos em Paris numa tarde cinzenta
com o tapete do Sena em transporte de emoções,
se nos encontrarmos em Paris
no café fumegante e denso de tabaco
as mãos que esconderes nas minhas serão pássaros
e a chuva de Outono cantará para nós.

Maria Sofia Magalhães, ciclo da pedra, edita-me, 92

sata peia


A sapateia (o som é mau e a imagem também que é para nada destoar)

O disparate é tal que mais parece uma escorregadela numa casca de banana.  E apesar de ser mais uma excepcionalidade entre tantas outras que por aí grassam, sem piada nenhuma, caíu-lhe tudo em cima! Ah pois. Se tinha ideias de voar além da Sata ...  O tapete já se lhe embrulha todo nos pezitos, a dançar a sapateia.

lugar comum






Drew, George W.
grey day, December
(1900)








Dezembro cinzento e gelado, no dia da despedida da mãe de alguém muito chegado. Tinha noventa e um anos, mas nunca se está preparado, disse-me o único filho que, apesar dos seus sessenta anos e do aconchego dos seus próprios filhos, estava tão orfão, como os orfãos conseguem estar. A luz quente? A pequenina Francisca [e os demais que, espera ele, não tardem a chegar] que lhe prolonga a alegria e aponta sentidos maiores para os dias. É mesmo a vida, esse lugar comum.

sábado de manhã (137)



Godward, John William
girl in yellow drapery

03 dezembro, 2010

concurso ovelha de presépio

Está oficialmente aberto o concurso de Natal 2010, promovido pel' A Barbearia do Senhor Luís. O tema do concurso é ovelhas de presépio.  O branco no branco, a exemplo de anos anteriores, vai tentar arranjar uma mé-mé condigna, o que não substitui a participação de todos. Toca a desencaixotar os exemplares da mais fina porcelana, faiança ou barro tradicional e a concorrer. Afianço a quem não conhece, que este tipo de iniciativa da Barbearia  não pode ser mais gratificante: dos prémios generosos à classificação rigorosíssima assente em critérios claros e pertinentes - um verdadeiro MUST natalino.

provérbios à minha moda (10)





Wexler, Aaron
almond sands
(2006)





Quem tem boca que vá e coma.
Para grandes malas, não são os tamanhos médios.
Quem alheio veste, é Prada que despe?.

02 dezembro, 2010

finalmente os mercados dão a cara (I)






Hirst, Damien
hallucinogenic head
(2008)







Mercado fotografado num momento de(s) contra acção. Convém não ficar muito impressionado com o verde desta facção dos mercados actuais, muito modernaços. Tanto verde, cheio de matizes, nada tem de ecológico e é só o mercado a dar uns ares esperançosos, para disfarçar a sua  natureza raivosa e quasi-marciana. Também o roxo e o lilás não revelam um apego à causa feminista, mas sim a manifestação da sua única paixão: fazer um cristo de cada um de nós. Frenéticos, como os sabemos entre paraísos, também este elemento se apresenta seco de carnes. A falta de visão é notória e, claro, de tanto meter o nariz em todo o lado...

01 dezembro, 2010

verde claro







Kelly, Ellsworth
green
(2001)





sei lá

Já havia o special one. Agora temos a  general one, a  moura, da sic. 

com três sílabas apenas ...





Wegman, William
Portugal
(2005)
fotografia






...
Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo,
golpe até ao osso, fome sem entretém,
perdigueiro marrado e sem narizes, sem perdizes,
rocim engraxado,
feira cabisbaixa,
meu remorso,
meu remorso de todos nós...

Alexandre O'Neill, Portugal, feira cabisbaixa (1965)
[poesias completas 1951/1986, biblioteca de autores portugueses, INCM, 227-228].

30 novembro, 2010

just to see

porque hoje é terça


Morgan, lontano dagli occhi

Che cos'è?
C'è nell'aria qualcosa di freddo
Che inverno non è.
Che cos'è?
Questa sera i bambini per strada
non giocano più.

Non so perchè
l'allegria degli amici di sempre
non mi diverte più.
Uno mi ha det..to che
lontano dagli occhi,
lontano dal cuore,
e tu sei lontana,
lontana da me.

Per uno che torna
e ti porta una rosa,
mille si sono scordati di te.

Lontano dagli occhi,
lontano dal cuore,
e tu sei lontana,
lontana da me.

Ora so
che cos'è questo amaro sapore
che resta di te,
quando tu
sei lontana e non so dove sei,
cosa fai, dove vai.

E so perchè
non so più immaginare il sorriso
che c'è negli occhi tuoi
quando non sei
con me.

Lontano dagli occhi,
lontano dal cuore,
e tu sei lontana,
lontana da me.

Per uno che torna
e ti porta una rosa,
mille si sono scordati di te.

Lontano dagli occhi,
lontano dal cuore,
e tu sei lontana,
lontana da me.

Per uno che torna
e ti porta una rosa,
mille si sono scordati di te.
Lontano dagli occhi,
lontano dal cuore,
e tu sei lontana,
lontana da me.

29 novembro, 2010

parabéns oficiais






Freilicher, Jane
white orchids
(2005)




O blog das palavras claras, generosas e diárias faz hoje 6 anos. Muitos parabéns.
Faz muito bem ir lá ler.

pitonisa

Quando for grande também quero adivinhar assim. Um verdadeiro artista, o protagonista do filme.

dia gelado







Smith, Doug
first snow






Brrrrrrr - que gelo

Confirma-se: o futebol é um jogo de equipa.

desafago & desabafo




Banus, Juan Pablo C.
sad truth



Leio por aí que a sic anda em conversações para contratar uma senhora em cujo umbigo cabem dez códigos deontológicos, quarenta e nove inimigos pessoais, três ou quatro amigos pessoais,  a malta da redacção, um país e o que vier. A ser contratada nos moldes apresentados, e com as provas dadas no seu passado remoto e recente, não me parece que seja o contexto que a vai enquadrar, mas sim uma manifestação inequívoca de que a linha chanata-de-salto do jornalismo vence no referido contexto. E, deste modo, se atribui um valor hipostático a uma estrela decadente que assim se ri no nariz dos que mourejam realmente no dia a dia das redacções e dos que tentam manter uma classe profissional digna de assim ser considerada. É a crise, sei lá!

manhã de segunda, mas uma boa semana (56)







Baker, Kim
roses 2
(2010)






 Ora passem muito bem todos os que por aqui passam! :)))




Camané, guerra das rosas

28 novembro, 2010

diz abafo


Betts, William
favela, Rio de Janeiro
(2009)
Mittarakis, Lia
Rio de Janeiro

Tenho andado com o coração apertadinho com o que se está a passar no Rio de Janeiro. Sei que não é assunto fácil e que as soluções simples não existem. O que sinto resulta de um emaranhado racional e emocional que não resiste, em argumentação, além do que a minha sensibilidade geral e do que várias experiências me permitem conhecer.  Uma delas: casal amigo, ambos bastante mais velhos do que eu, militantes de esquerda, activistas de longo tempo, daqueles que enraizaram as suas crenças e ideologia em tempos da ditadura, em combates bem difíceis. A posição contra a violência iam-na buscar sobretudo ao falhanço político e das políticas sociais em particular. As soluções todas longe da utilização de força. Culpas todas do lado da sociedade que produz e segrega os seus filhos menores,  vamos lá a saber quem é mais bandido se os que descem o morro ou os que sobem o planalto. Um dia, na sua casa nova, marido fora no estrangeiro, foi sequestrada na sua própria casa nova. Esteve em cárcere durante dias, de arma apontada, sem comer, sem descansar, a ter de implorar uma ida à casa de banho, tudo o que essas cenas arrastam. Privacidade violada, violência gratuita, requintes de malvadez perante a impotência de quem sozinho nada pode fazer contra três indivíduos armados... Julgo que os seus quase setenta anos a salvaram in extremis das ameaças do último abuso, o abuso sexual explícito. Mas, o que mais a magoou, o que lhe deixou marcas que a levaram à depressão, o  mais difícel de ultrapassar, não foi o que eles levaram, não foi a devassa ter sido tão profunda que teve de vender a casa nova dos seus sonhos, no lugar dos seus encantos. O que a desfez por dentro e por fora, foi ter percebido - os olhos deles Maria, não posso esquecer tanta animalidade - que a sua solução tão óbvia para aquele problema tinha desabado completamente e com ela um certo entendimento do ser humano e do mundo.