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11 janeiro, 2012
manhãs sem manha, com amanhã que se apanha
Parker, Erik
other side of morning
(2011)
Eric Clapton, early in the morning
A manhã parada
O azul.
A fundura da pupila.
Não é ainda a sede,
a matilha,
a febre.
O tronco nu -
a luz vacila.
Eugénio de Andrade, matéria solar, 10.
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08 janeiro, 2012
há domingos assim (48)

Burchfield, Charles Ephraim
the window by the alley
(1917)
Um suave dia do senhor, com janelas para a lonjura, chão onde não há lugar para becos sem saída. :)))
[A música é surpresa para ouvir de olhos fechados] :)))
AS JANELAS
As janelas
por onde entram as silvas,
a púrpura pisada,
o aroma ds tílias, a luz
em declínio,
fazem deste abandono
uma beleza devastadora
e sem contorno.
Eugénio de Andrade, rente ao dizer, 40
04 fevereiro, 2010
a (des) propósito do modo como algumas gentes vêem certas coisas ou dizem julgar delas
Groot, Pat de
sun on water in february
(2001)
SOBRE O MAR
Sobre o mar
a mão escreve. Como se escrever
servisse para diminuir o erro.
Escreve
num país atravessado a prumo
pelo delírio.
País despossuído, pátria escura.
Que chama
transparência ao mais espesso muro.
Eugénio de Andrade, pequeno formato, 61
Amália, solidão (canção do mar)
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01 janeiro, 2010
branco luar
Ju, Ann Kook
a part of confabulation in the moonlight
(2007)
XLVIII
Esta noite a loucura do meu ofício
privilegia os falcões;
vou morrer; à altura da boca
o mar pode ser a casa.
A manhã expulsará o sol do olhar;
fui alto para ver a neve,
para colher a transparente e verde
fragrância do ar.
Ninguém pode suportar de olhos abertos
o peso do mundo;
com a noite foram-se os cavalos;
partem para não morrer.
Eugénio de Andrade, branco no branco, 58
Beethoven, sonata ao luar, (1º and.) - piano: A. Rubinstein
12 maio, 2009
nem mais ...

Botelho, Inês
untitled
(2003-2004)
O AMIGO
Não voltará - o que dele me ficou
é como no inverno entre cortinas
de chuva um tímido fio de sol:
ilumina mas não aquece as mãos.
Eugénio de Andrade, pequeno formato (edição fora de mercado, 55)
J. Massenet, meditation (ópera Thais) Itzhak Perlman (violino)
[esmerei-me na musica... ora escutem]
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17 abril, 2009
casa de chá & palavras

Dias, J.
Casa de Chá da Boa Nova
de Álvaro Siza Vieira
(foto daqui)*
CASA DE ÁLVARO SIZA NA BOA NOVA
A musical ordem do espaço,
a manifesta verdade da pedra,
a concreta beleza
do chão subindo os últimos degraus,
a luminosa contensão da cal,
o muro compacto
e certo
contra toda a ostentação,
e refreada
e contínua e serena linha
abraçando o ritmo do ar,
a branca arquitectura
e nua
até aos ossos.
Por onde entrava o mar.
Eugénio de Andrade, homenagens e outros epitáfios, 55
D. Shostakovich - tahiti trot (tea for two)
* Ver melhor a Casa de Chá aqui.
25 outubro, 2008
gostos do comum dos mortais (5)

o sol já "carcomiu" parte da cor da lombada estreita e da capa desta Antologia Breve de Eugénio de Andrade, da Editorial Inova Limitada, edição de 1972.
Pierre Fournier, 1º andamento do concerto nº 1 para violoncelo de Camille Saint-Saëns, com a orquestra de câmara da ORTF conduzida por André Girard.
06 setembro, 2008
sábado de manhã (20)

Gridneva, Katya
elegant sleep
(s/ data)
COINCIDÊNCIA RADICAL EM BRANCO!

Tomasula, M.
the structure of coincidence
(2004)
Eu amei esses lugares
onde o sol
secretamente se deixava acariciar.
Onde passaram lábios,
onde as mãos correram inocentes,
o silêncio queima.
Amei como quem rompe a pedra,
ou se perde
na vagarosa floração do ar.
Eugénio de Andrade, matéria solar, 18
Within Temptation, memories (The Silent Force)
Tuna Universitária do Porto, amores de estudante
12 novembro, 2006
o olhar
O Olhar
Eu sentia os seus olhos beber os meus;
longamente bebiam, bebiam;
bebiam
até não me restar nas órbitas nenhuma
luz, nenhuma água,
nem sequer o sinal de neles ter chovido
naquele inverno.
Eugénio de Andrade (Rente ao Dizer)
Lembrar a poesia de Eugénio de Andrade num tempo em que o Director da Fundação com o seu nome se vê obrigado a não aceitar o "subsídio" da Câmara do Porto, por tão indigno....
Eu sentia os seus olhos beber os meus;
longamente bebiam, bebiam;
bebiam
até não me restar nas órbitas nenhuma
luz, nenhuma água,
nem sequer o sinal de neles ter chovido
naquele inverno.
Eugénio de Andrade (Rente ao Dizer)
Lembrar a poesia de Eugénio de Andrade num tempo em que o Director da Fundação com o seu nome se vê obrigado a não aceitar o "subsídio" da Câmara do Porto, por tão indigno....
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