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31 janeiro, 2012

porque hoje é terça





Staël, Nicholas de
la seine
(1954)







Ana Moura & Patxi Andion, para além da saudade


Vaga, no azul amplo solta,
Vai uma nuvem errando.
O meu passado não volta.
Não é o que estou chorando.

Lo que lloro es diferente
Está en el centro del alma
Mientras, en cielo silente
La nube se mece en calma

E isto lembra uma tristeza
E a lembrança é que entristece,
Dou à saudade a riqueza
De emoção que a hora tece.

Pero al fin, lo que es llanto
En esta triste amargura,
Vive en el cielo mas alto.
En la nostalgia mas pura.

No se lo que es, ni consiento / Não sei o que é nem consinto
Al alma saberlo bien. / À alma que o saiba bem.
Visto el dolor con que miento / Visto da dor com que minto
Dolor que en mi alma es ser. / Dor que a minha alma tem

Letra de Fernando Pessoa
Música de Patxi Andión
em "Para Além da Saudade"

12 julho, 2010

manhã de segunda, mas uma boa semana (39)







Staël, Nicolas de
figure by the sea












René Aubry, chaloupée (vídeo de aluaflutua)

Uma boa semana e ouçam a música :)))

03 julho, 2010

sábado de manhã (115)





Staël, Nicolas de
nu couché bleu
(1955)

09 março, 2010

terça-feira doce





Staël, Nicolas de
étude de paysage
(1952)




Hoje vou cruzar-me com jesuítas e limonetes. Onde vou?  Fiquem bem por aqui.

Sérgio Godinho, é terça-feira 

É terça-feira
e a feira da ladra
abre hoje às cinco
de madrugada

E a rapariga
desce a escada quatro a quatro
vai vender mágoas
ao desbarato
vai vender
juras falsas
amargura
ilusões
trapos e cacos e contradições

É terça-feira
e das cinzas talvez
amanhã que é quarta-feira
haja fogo outra vez
o coração é incapaz de dizer
"tanto faz"
parte p´ra guerra
com os olhos na paz

É terça-feira
e a feira da ladra
quase transborda
de abarrotada

E a rapariga
vende tudo o que trazia
troca a tristeza
pela alegria

E todos querem
regateiam
amarguras
ilusões
trapos e cacos e contradições

É terça-feira
e das cinzas talvez
amanhã que é quarta-feira
haja fogo outra vez
o coração
é incapaz
de dizer
"tanto faz"
parte p´ra guerra
com os olhos na paz

É terça-feira
e a feira da ladra
fica enfim quieta
e abandonada
e a rapariga
deixou no chão um lamento
que se ergue e gira
e roda com o vento
e rodopia
e navega
e joga à cabra-cega
é de nós todos
e a ninguém se entrega

É terça-feira
e das cinzas talvez
amanhã que é quarta-feira
haja fogo outra vez
o coração
é incapaz
de dizer
"tanto faz"
parte p´ra guerra
com os olhos na paz

23 julho, 2009

colagem coragem






Staël, N. de
composition
(1950)








Sou um eterno puzzle que a custo resiste à escuridão que me rasga a claridade.


Beethoven, sonata ao luar, 1º andamento
piano Daniel Baremboim

11 março, 2009

28 janeiro, 2009

nas meias






Staël, Nicolas de
les footballeurs
(1952...)




FCP nas meias-finais da Taça de Portugal

bibó Portooooo!

13 janeiro, 2009

foot-ball association







Staël, Nicolas de
les footballeurs
(1952)










Soneto futebolístico

Machismo é futebol e amor aos pés
São machos adorando pés de macho
e nesse mundo mágico me acho
em meio aos fãs de algum camisa dez.

Invejo os massagistas dos Pelés
nos lúdicos momentos de relaxo,
servindo-lhes de chanca e de capacho,
levando a língua ali, do chão no rés.

É lógico que um cego como eu
não pode convocar o titular
dum time brasileiro ou europeu.

Contento-me em chupar o polegar
do pé de quem ainda não venceu
sequer a mais local preliminar.


Glauco Mattoso [os cem melhores poemas brasileirs do século, 325]

02 julho, 2008

verão habitado*

 


Staël, Nicolas de
the sun 
1953








O DEUS DO VERÃO

Chamar-te-ei deus porque és o meu desejo
e o meu desejo é o sol do ar, o sol do sol.
Sinto a febre fresca do teu hálito
na densa consciência deste verão.
Através da madeira ouço as vozes imóveis,
veladas, ao nível do silêncio.
Através de ti respiro na violência do calor
em que o sangue do tempo bate nas paredes.
Todas as figuras adormeceram no vazio.
Mas os teus mil ecos ressoam no sossego
e são eles que aprofundam esta câmara do estio.
Como tu concilias a solidão e a harmonia
e na vacuidade unificas as íntimas estrelas
com a surda veemência de um mundo submerso!
Ó transparente deus que sem estar estás
no sossego luminoso deste pequeno quarto
em que serena pulsa a verdade do ser vivo!

António Ramos Rosa in quinze poetas portugueses do séc. XX, selecção e prefácio de Gastão Cruz, 304

*(não confundir com habitação de verão)