A propaganda mudou. Ora, trata-se de realçar o que há de positivo! Do PR aos noticiários, a coisa está afinada. Agora mesmo estou com uma pontada enorme de orgulho luso, a propósito do queijo amarelo (não fixei o nome da terra), da flor de sal de Tavira e das panelas silampos, que eu já conhecia porque, em tempos, o João Ratão caíu numa delas.
[Eu sei que os tempos estão mauzotes, mas não quero agoirar tanto como a data e a circunstância desta senhora a dormir sugerem. O melhor mesmo é estar de atalaia, dado que las hay, las hay]
Não se trata do jejum e da abstinência característicos do tempo que, para alguns, se inicia hoje. É mesmo por manifesta falta de ... As senhoras de sábado de manhã, com a sua indomável vontade de aparecer, cá estarão!
Até breve :)))
Toi qui marches dans le vent,
Seul dans la trop grande ville,
Avec le cafard tranquille,
Du passant
Toi qu'elle a laissé tomber
Pour courir vers d'autres lunes,
Pour courir d'autres fortunes,
L'important…
L'important,
c'est la rose,
l'important,
c'est la rose,
l'important,
c'est la rose,
crois-moi…
Toi qui cherches quelque argent
Pour te boucler la semaine,
Dans la ville, tu promènes
Ton ballant,
Cascadeur, soleil couchant,
Tu passes devant les banques,
Si tu n'es qu'un saltimbanque,
L'important…
Toi, petit, que tes parents
Ont laissé seul sur la terre
Petit oiseau sans lumière
Sans printemps
Dans ta veste de drap blanc
Il fait froid comme en Bohème
T'as le coeur comme en carême
Et pourtant…
Toi pour qui, donnant donnant,
J'ai chanté ces quelques lignes,
Comme pour te faire un signe
En passant
Dis à ton tour maintenant
Que la vie n'a d'importance
Que pour une fleur qui danse
Sur le temps
Independentemente do resultado do jogo de hoje, o tempo lá está tão gelado que me parece bem mandar saudações calorosas às papoilinhas saltitantes que por aqui passam.
Hoje o que eu queria mesmo era que os "marretas" que comandam a europa, em particular aqueles dois mais atrevidotes, tivessem um lampejo, uma luz bruxuleante que lhes iluminasse as excelentíssimas bentas (desculpem o sotaque do Porto).
Georges Brassens, les amoureux des bancs publiques
Les gens qui voient de travers
Pensent que les bancs verts
Qu'on voit sur les trottoirs
Sont faits pour les impotents ou les ventripotents
Mais c'est une absurdité
Car à la vérité
Ils sont là c'est notoire
Pour accueillir quelque temps les amours débutants
Les amoureux qui s'bécott'nt sur les bancs publics
Bancs publics, bancs publics
En s'fouttant pas mal du regard oblique
Des passants honnêtes
Les amoureux qui s'bécott'nt sur les bancs publics
Bancs publics, bancs publics
En s'disant des "Je t'aime" pathétiques
Ont des p'tit's gueul' bien sympatiques
Ils se tiennent par la main
Parlent du lendemain
Du papier bleu d'azur
Que revêtiront les murs de leur chambre à coucher
Ils se voient déjà doucement
Ell' cousant, lui fumant
Dans un bien-être sûr
Et choisissent les prénoms de leur premier bébé
Les amoureux qui s'bécott'nt sur les bancs publics
Bancs publics, bancs publics
En s'fouttant pas mal du regard oblique
Des passants honnêtes
Les amoureux qui s'bécott'nt sur les bancs publics
Bancs publics, bancs publics
En s'disant des "Je t'aime" pathétiques
Ont des p'tit's gueul' bien sympatiques
Quand la saint' famill' machin
Croise sur son chemin
Deux de ces malappris
Ell' leur décoche hardiment des propos venimeux
N'empêch' que tout' la famille
Le pèr', la mèr', la fille
Le fils, le Saint Esprit
Voudrait bien de temps en temps pouvoir s'conduir' comme eux
Les amoureux qui s'bécott'nt sur les bancs publics
Bancs publics, bancs publics
En s'fouttant pas mal du regard oblique
Des passants honnêtes
Les amoureux qui s'bécott'nt sur les bancs publics
Bancs publics, bancs publics
En s'disant des "Je t'aime" pathétiques
Ont des p'tit's gueul' bien sympatiques
Quand les mois auront passé
Quand seront apaisés
Leurs beaux rêves flambants
Quand leur ciel se couvrira de gros nuages lourds
Ils s'apercevront émus
Qu' c'est au hasard des rues
Sur un d'ces fameux bancs
Qu'ils ont vécu le meilleur morceau de leur amour
Les amoureux qui s'bécott'nt sur les bancs publics
Bancs publics, bancs publics
En s'fouttant pas mal du regard oblique
Des passants honnêtes
Les amoureux qui s'bécott'nt sur les bancs publics
Bancs publics, bancs publics
En s'disant des "Je t'aime" pathétiques
Ont des p'tit's gueul' bien sympatiques
Estou à espera que venham os apressadinhos muito entendidos discutir a violência no desporto a propósito do massacre de Port Said sem suspeitarem de que, nestes casos, o desporto em geral, e o futebol em particular, se limitam a ser uma enorme lente de aumento sobre a sociedade, que nos permite vê-la sem subterfúgios, falinhas mansas ou fugas para o lado. Entre o agon do futebol e esta agonia social está um mundo de cultura e civilização.
Eu sei que são instâncias e níveis diferentes mas... Há qualquer coisa que não bate certo no entendimento e na organização da nossa sociedade quando se assiste a este tipo de coisas. É espreitar aqui e aqui. A conclusão é de cada um.
Garcia, Emilio jumping brains
(esculturas em resina)
Sempre achei piada à designação "barata tonta" para nomear a agitação da incompetência desnorteada. Quando penso nos spin doctorsbelenenses imagino uma catrefada delas. Como a coisa corre de mal a pior, lá vem a escapadela de cernelha sob a forma de desmentido formal. A encarnação da sonhada troika caseira (um governo, uma maioria na AR e um presidente) está a dar um resultado verdadeiramente de estalo.
Vaga, no azul amplo solta,
Vai uma nuvem errando.
O meu passado não volta.
Não é o que estou chorando.
Lo que lloro es diferente
Está en el centro del alma
Mientras, en cielo silente
La nube se mece en calma
E isto lembra uma tristeza
E a lembrança é que entristece,
Dou à saudade a riqueza
De emoção que a hora tece.
Pero al fin, lo que es llanto
En esta triste amargura,
Vive en el cielo mas alto.
En la nostalgia mas pura.
No se lo que es, ni consiento / Não sei o que é nem consinto
Al alma saberlo bien. / À alma que o saiba bem.
Visto el dolor con que miento / Visto da dor com que minto
Dolor que en mi alma es ser. / Dor que a minha alma tem
Letra de Fernando Pessoa
Música de Patxi Andión
em "Para Além da Saudade"
Juízo digno de sexta-feira ao fim da tarde:
Tal como o Costa Concordia, Portugal virou antes de ameaçar afundar. Entretanto, continuam as operações de trasfega a um bom ritmo.
Oh pah, onde estão as 50 pessoas que há mais ou menos um ano andavam roxinhas de falta de ar, asfixiadinhas de todo e fartas dos modelitos outono-inverno de tal modo que resolveram vestir-se de branco?
100 sura. Uns nunca a conheceram, outros já estarão esquecidos dela. Reaparece sempre sob novas formas. Não estavam à espera de a ver em tons de azul e formas de lápis Viarco, pois não? O que eu mais gosto nestas alturas é constatar que, nestas instituições, o planeamento é mesmo feito a tempo e horas e aos diferentes níveis. A única falha é que não informam os interessados. Está sempre tudo planeado há muiiiito, mas os interessados só sabem quando um deles se atreve a dar uma curva a uma velocidade que a direcção não aguenta.
You may fool all the people some of the time, you can even fool some of the people all of the time, but you cannot fool all of the people all the time (Abraham Lincoln). .
[Não sei se cito correctamente A.L., mas a ideia é esta. Parece que a película de celofane finalmente se rasgou. Fez ontem um ano que foi reeleito. Ainda faltam mais quatro. Balhamedeus.]
Hoje eu quero a rosa mais linda que houver
quero a primeira estrela que vier
para enfeitar a noite do meu bem
Hoje eu quero paz de criança dormindo
quero o abandono de flores se abrindo
para enfeitar a noite do meu bem
Quero a alegria de um barco voltando
quero ternura de mãos se encontrando
para enfeitar a noite do meu bem
Hoje eu quero o amor, o amor mais profundo
eu quero toda beleza do mundo
para enfeitar a noite do meu bem
Mas como esse bem demorou a chegar
eu já nem sei se terei no olhar
toda ternura que eu quero lhe dar
2. Distribuir (géneros) em rações.[ não confundir com divisão equitativa]
3. Limitar a quantidade de.[só tem quem paga]
Não me custa admitir que seja preciso algum racionamento, nomeadamente a propósito de alguns desmandos das imposições agressivas das indústrias ligadas à medicina.
Até me agradaria que se partisse para um paradigma mais preventivo, mais integrado, mais preocupado com a promoção de qualidade de vida como um todo, em que os cuidados de saúde estariam ligados a cuidados gerais de bem estar das pessoas.
Bolas, o que não me passa pela cabeça é que racionar passe a significar que, a partir de certa idade, quem não tem $ não tem vícios, nomeadamente de hemodiálise. É preciso ser muito alienado para colocar a discussão nestes termos.
Vou ficar a pensar no novo programa da SIC-N, moderado pela Ana Lourenço, Contracorrente. Este primeiro está a parecer-me, no mínimo, estranho. [Um exemplozinho: mal o António Vitorino arrancou claro e directo contra uma afirmação da Manuela Ferreira Leite, sobre tratamentos de saúde, mudou logo de assunto] [O conjunto dos convidados é muito catita: os já referidos, mais Manuel Sobrinho Simões, António Barreto e Francisco Balsemão]. Será que a Aninhas se aninha?
e elas são muito luxuriosas
na sua lascívia
e muito se animam em gestos
por luxuriar
e transluzem
na dança das pernas
pela arte das mãos
os olhos que brilham e fitam
de alto a baixo
a questão
e deslizam no ventre
dos corpos suados
os dedos
se no deleite
era muito mais doce
essa consolação
que desenha
pela curva da coxa
a sombreada elegância
e a cor do meu e do seu
à mais curta distância
leve como um beijo
leve o seu bailar
quente o seu desejo
quente
quente como o ar
roda
vira
e mexe o seu colo
gira gira
como um pião
treme como a seda
pela palma da mão
serpenteia o seu ventre
e geme como o vento suão
Burchfield, Charles Ephraim the window by the alley
(1917)
Um suave dia do senhor, com janelas para a lonjura, chão onde não há lugar para becos sem saída. :)))
[A música é surpresa para ouvir de olhos fechados] :)))
AS JANELAS
As janelas
por onde entram as silvas,
a púrpura pisada,
o aroma ds tílias, a luz
em declínio,
fazem deste abandono
uma beleza devastadora
e sem contorno.
Vejo, com satisfação, que os portugueses estão muito mais urbanos e cosmopolitas.
Centremo-nos, por exemplo, naquelas reportagens de rua que as tv's apresentam regularmente para ilustrarem a voz do povo sobre um assunto quente, num dado momento. Pois bem, muito ultimamente só vemos gente cordata, compreensiva, que reconhece os problemas, mas tem uma atitude construtiva.
Sobressai, também, uma maior racionalidade dos comportamentos, nomeadamente na capacidade de planeamento e no olhar objectivo com que encaram o que é proposto. Por exemplo, nunca mais nasceram bebés em ambulâncias, a caminho da maternidade, com a mera ajuda de um bombeiro expedito, mas sempre atrapalhado. Também as aldeias do interior deixaram de se sentir orfãs das suas crianças que, transportadas em carrinhas próprias, frequentam escolas fora da sua rua e os autarcas não mais barafustaram contra mais este sinal de abandono do seu território interior.
A calma é outra evidência deste modo comedido e civilizado de estar na vida. Não há retroescavadoras a rebentar caixas de multibanco, nem assaltos à mão armada que aticem reacções primárias e atribuam a culpa somente ao ministro do MAI, e berrem a consequente demissão, pois todos percebem que o contexto do crime mudou e que o policiamento presencial, feito por gente que come e tem família, pode bem ser substituído por uma boa videovigilância em cada esquina, muito mais limpa e sofisticada.
A lista reveladora deste súbito crescimento cívico podia ser mais longa mas o já dito parece suficiente para o revelar e, sobretudo, para mostrar o contraste enorme com a gente esganiçada que costumava aparecer assaz descabelada, não há muito tempo, nas reportagens televisivas. Isto só pode ter que ver com um surto formativo extraordinário, que elevou muitíssimo os níveis de educação e de racionalidade do povo, num curto espaço de tempo.
Ah! E como se nota o elevado grau de aprendizagem das técnicas daprestidigitaçãotraduzida nos modinhos daqueles que, neste momento, fazem o controlo e a vigilância de todos nós. Um descansinho.
By the way: não há silêncio que tanto aguente, por isso é melhor irmos descortinando os sons necessários para virar este silêncio pesado contra a conversa que nos impõem.
Somos a grande ilha do silêncio de deus
Chovam as estações soprem os ventos
jamais hão-de passar das margens
Caia mesmo uma bota cardada
no grande reduto de deus e não conseguirá
desvanecer a primitiva pegada
É esta a grande humildade a pequena
e pobre grandeza do homem
Ruy Belo, grandeza do homem
{relação, [aquele grande rio eufrates],
todos os poemas,Assírio e Alvim, 58}
By the way: A nossa perfeita imperfeição obriga-nos sempre a recomeçar. E é tão importante termo-nos uns aos outros. [Deu-me para a ética, podia dar-me para pior, não é?] :)))