10 janeiro, 2012

porque hoje é terça

Fausto, fascínio e sedução

e elas são muito luxuriosas
na sua lascívia
e muito se animam em gestos
por luxuriar
e transluzem
na dança das pernas
pela arte das mãos
os olhos que brilham e fitam
de alto a baixo
a questão
e deslizam no ventre
dos corpos suados
os dedos
se no deleite
era muito mais doce
essa consolação
que desenha
pela curva da coxa
a sombreada elegância
e a cor do meu e do seu
à mais curta distância
leve como um beijo
leve o seu bailar
quente o seu desejo
quente
quente como o ar
roda
vira
e mexe o seu colo
gira gira
como um pião
treme como a seda
pela palma da mão
serpenteia o seu ventre
e geme como o vento suão

09 janeiro, 2012

manhã de segunda, mas uma boa semana (85)







Valtat, Louis
bouquet d'anémones et jonquilles







Uma semana com as cores quentes e as formas doces dos afectos. :))

08 janeiro, 2012

há domingos assim (48)







Burchfield, Charles Ephraim
the window by the alley
(1917)



Um suave dia do senhor, com janelas para a lonjura, chão onde não há lugar para becos sem saída. :)))


[A música é surpresa para ouvir de olhos fechados] :)))

AS JANELAS

As janelas
por onde entram as silvas,
a púrpura pisada,
o aroma ds tílias, a luz
em declínio,
fazem deste abandono
uma beleza devastadora
e sem contorno.

Eugénio de Andrade, rente ao dizer, 40

07 janeiro, 2012

sábado de manhã (194)








Roussin, Georges
asleep in the studio
(1889)

06 janeiro, 2012

dia de reis






Reis Magos
(em porcelana chinesa, claro)




[Um bom dia de leis pala todos. Se não gostalem desta ilustlação, desliguem o computadole da colente pala deixalem de vêle. : )) ]

05 janeiro, 2012

Pedro Osório [1939-2011]

Uma das últimas terças-feiras coloquei aqui esta música do Pedro Osório.

03 janeiro, 2012

boas notícias





Guogu, Zhen
computer controlled by pig´s brain ( 2.2)
(2006)




 
Vejo, com satisfação, que os portugueses estão muito mais urbanos e cosmopolitas. 
  1. Centremo-nos, por exemplo, naquelas reportagens de rua que as tv's apresentam regularmente para ilustrarem a voz do povo sobre um assunto quente, num dado momento. Pois bem, muito ultimamente só vemos gente cordata, compreensiva, que reconhece os problemas, mas tem uma atitude construtiva.
  2. Sobressai, também, uma maior racionalidade dos comportamentos, nomeadamente na capacidade de planeamento e no olhar objectivo com que encaram o que é proposto. Por exemplo, nunca mais nasceram bebés em ambulâncias, a caminho da maternidade, com a mera ajuda de um bombeiro expedito, mas sempre atrapalhado. Também as aldeias do interior deixaram de se sentir orfãs das suas crianças que, transportadas em carrinhas próprias, frequentam escolas fora da sua rua e os autarcas não mais barafustaram contra mais este sinal de abandono do seu território interior.
  3. A calma é outra evidência deste modo comedido e civilizado de estar na vida. Não há retroescavadoras a rebentar caixas de multibanco, nem assaltos à mão armada que aticem reacções primárias e atribuam a culpa somente ao ministro do MAI, e berrem a consequente demissão, pois todos percebem que o contexto do crime mudou e que o policiamento presencial, feito por gente que come e tem família, pode bem ser substituído por uma boa videovigilância em cada esquina, muito mais limpa e sofisticada. 
  4. A lista reveladora deste súbito crescimento cívico podia ser mais longa mas o já dito parece suficiente para o revelar e, sobretudo, para mostrar o contraste enorme com a  gente esganiçada que costumava aparecer assaz descabelada, não há muito tempo, nas reportagens televisivas. Isto só pode ter que ver com um surto formativo extraordinário, que elevou muitíssimo os níveis de educação e de racionalidade do povo, num curto espaço de tempo.  
  5. Ah! E como se nota o elevado grau de aprendizagem das técnicas da prestidigitação traduzida nos modinhos daqueles que, neste momento, fazem o controlo e a vigilância de todos nós. Um descansinho.

porque hoje é terça


Simon and Garfunkel, the sound of silence

By the way: não há silêncio que tanto aguente, por isso é melhor irmos descortinando os sons necessários para virar este silêncio pesado contra a conversa que nos impõem.

02 janeiro, 2012

manhã de segunda, mas uma boa semana (84)







Hesson, Dyana
not the end, but the beginning









Jane Monheit, começar de novo

Grandeza do Homem 

Somos a grande ilha do silêncio de deus
Chovam as estações soprem os ventos
jamais hão-de passar das margens
Caia mesmo uma bota cardada
no grande reduto de deus e não conseguirá
desvanecer a primitiva pegada
É esta a grande humildade a pequena
e pobre grandeza do homem 

Ruy Belo, grandeza do homem
{relação, [aquele grande rio eufrates],
todos os poemas,Assírio e Alvim, 58}

By the way: A nossa perfeita imperfeição obriga-nos sempre a recomeçar. E é tão importante termo-nos uns aos outros. [Deu-me para a ética, podia dar-me para pior, não é?] :)))

01 janeiro, 2012

2012






Morris, Robert
blind time VI, moral void
(2000)



"Não existe, portanto, um nível definitivo de dignidade mas sim um progresso que, historicamente, se manifestou no reconhecimento dos direitos. Uma ética constituinte acolhê-los-á sem dúvida, mas mudando-lhes o sentido, porque os considerará compromissos e não leis físicas, ideias de um Eldorado inexistente. Ao clarificar as implicações desta expansão da justiça depararemos com uma surpresa. Pelo menos foi-o para mim. A ideia de justiça não me parece criadora. Na origem de todos os grandes avanços sociais houve sempre alguém que foi além da justiça. Que se esforçou mais do que lhe cabia. A expansão do universo da dignidade provém de um entusiasmo criador de valores, a que chamaria amor se esta palavra não estivesse absolutamente inutilizada para todo o discurso coerente. Este sentimento aparece como grande criador de valores éticos. Pertence ao momento inventivo da ética, que depois terá de ser corroborado e justificado pelos procedimentos racionais."
José Antonio Marina, Ética para Náufragos, Ed. Caminho 170

O que eu queria mesmo é que 2012 fosse o ano da ética ou mesmo das éticas [dada a complexidade do mundo e de acordo com a co-existência humana e desde que não se caia naquele relativismo em que mais vale assumir que vale tudo e ao valer tudo é o mesmo que não valer nada e o mais forte é que acaba por valer] .... mas eu sei que é pedir muito e tal...

Um ano bom, caríssimos vizinhos da blogosfera: :)))


31 dezembro, 2011

sábado de manhã (193)



Qiusha, Ma
warm snow
(2008)
fotografia
[China]


[... neve quente como aconchego ..., pois não sei, mas é melhor irmo-nos habituando a este confronto de culturas e mundividêncas]

30 dezembro, 2011

idipi






Dehai, Pan
progressing nº2
(2007)





Com que então Í DÍ PÍ. É a vida, são os tempos!


[Porque sorria tanto Paulo Portas?]
[Vítor Gaspar é muito mais rápido quando fala em inglês]
[Álvaro sem luz nenhuma]
[Mexia em movimento seguro]

28 dezembro, 2011

partida








Frankenthaler, Helen
smalls paradise
(1964)






... mas a obra fica.

27 dezembro, 2011

26 dezembro, 2011

manhã de segunda, mas uma boa semana (83)







Ellis, Sharon
winter bouquet
(2009)






Mesmo sendo a última deste ano que seja uma semana de primeira! :))

24 dezembro, 2011

sábado de manhã (192)






Chunya, Zhou
sleeping beauty
(1995)




Eu sei que esta altura do ano sugere outras cores e tal mas temos que nos começar a habituar a estas belezas chinesas. :)))

22 dezembro, 2011

música é um bom remédio


Júlio Pereira, miradouro

Diz que o Júlio Pereira faz hoje anos.

olhó...

visto! E o comentário aqui é definitivo.

20 dezembro, 2011

porque hoje é terça


Pedro Osório, o beijo do sol

[tão lindo!]

18 dezembro, 2011

há domingos assim (47)







Ball, Adam
the return to silence
(2010)







Um bom dia do senhor! [Da minha parte cheio de saudades deste convívio tão importante para mim]. :))))


Sérgio Borges, eu nunca direi adeus