
McLennan, R.
picnic
Há já algum tempo que não dou notícias. E se tem havido motivos! Mas tenho andado ocupada o suficiente para que as cartas escasseiem. Dizem-me todos os dias que o país está muito mal e que o mundo não anda melhor, apesar da eleição de Obama poder ser uma centelha de esperança para uma qualquer mudança para melhor. Não sei! Não acredito em messias, embora acredite que uma pessoa pode fazer a diferença. Sabes como sou paradoxal por vezes!
Em relação aos assuntos caseiros, o que mais me angustia é a falta de alternativas à vista e com pernas para andar! Porque o mundo está complicado. E, se são as ideias que fazem girar o mundo, estas também têm de se traduzir em acções que não traiam essas mesmas ideias e, sobretudo, não tornem as palavras que as enunciam em palavras vãs. P0r mim, desde há uns tempos, e por questões de mera sobrevivência, resolvi tentar olhar para o copo meio cheio em vez de olhar o copo meio vazio. Mas confesso que essa decisão se torna difícil de colocar em prática quando penso no futuro do meu filho e, com o dele, no dos jovens deste tempo e deste país. A lógica da organização do mundo está a mudar de valores e de lugar. Reconheço no tempo que passa o verso que nos diz que "todo o mundo é composto de mudança, tomando sempre novas qualidades." Saber sondar atentamente os meandros dessa mudança e influir para que o seu sentido vá na direcção da conveniência humana, do viver bem, será um talento nem sempre fácil de conseguir.
Esta "nossa" geração foi tramada pela história: conhecemos a tristeza e a amargura do antes, empolgamo-nos, empenhamo-nos e quase nos esgotamos na possibilidade da mudança plena e, agora, num altura que deveria ser de tranquilidade, confrontamo-nos com a mudança de paradigma a ser configurado por muita asneira que se foi deixando fazer e por muito caminho titubeado na aplicação confusa de valores fundamentais.
Sabes o que me consola mesmo? Ir descobrindo pessoas novas, como a Carminda, que me mostram que, apesar da aspereza do tempo, têm um coração doce e não se demitem de pensar e intervir.
Beijos
* Esta carta começou por ser um comentário que deixei no blog FORUM CIDADANIA da Carminda Pinho.
José Afonso, vampiros (ao vivo...lindo...)














































