12 novembro, 2008

conversas com a Isaura (8)


McLennan, R.
picnic


Querida Isaura*
Há já algum tempo que não dou notícias. E se tem havido motivos! Mas tenho andado ocupada o suficiente para que as cartas escasseiem. Dizem-me todos os dias que o país está muito mal e que o mundo não anda melhor, apesar da eleição de Obama poder ser uma centelha de esperança para uma qualquer mudança para melhor. Não sei! Não acredito em messias, embora acredite que uma pessoa pode fazer a diferença. Sabes como sou paradoxal por vezes!
Em relação aos assuntos caseiros, o que mais me angustia é a falta de alternativas à vista e com pernas para andar! Porque o mundo está complicado. E, se são as ideias que fazem girar o mundo, estas também têm de se traduzir em acções que não traiam essas mesmas ideias e, sobretudo, não tornem as palavras que as enunciam em palavras vãs. P0r mim, desde há uns tempos, e por questões de mera sobrevivência, resolvi tentar olhar para o copo meio cheio em vez de olhar o copo meio vazio. Mas confesso que essa decisão se torna difícil de colocar em prática quando penso no futuro do meu filho e, com o dele, no dos jovens deste tempo e deste país. A lógica da organização do mundo está a mudar de valores e de lugar. Reconheço no tempo que passa o verso que nos diz que "todo o mundo é composto de mudança, tomando sempre novas qualidades." Saber sondar atentamente os meandros dessa mudança e influir para que o seu sentido vá na direcção da conveniência humana, do viver bem, será um talento nem sempre fácil de conseguir.
Esta "nossa" geração foi tramada pela história: conhecemos a tristeza e a amargura do antes, empolgamo-nos, empenhamo-nos e quase nos esgotamos na possibilidade da mudança plena e, agora, num altura que deveria ser de tranquilidade, confrontamo-nos com a mudança de paradigma a ser configurado por muita asneira que se foi deixando fazer e por muito caminho titubeado na aplicação confusa de valores fundamentais.
Sabes o que me consola mesmo? Ir descobrindo pessoas novas, como a Carminda, que me mostram que, apesar da aspereza do tempo, têm um coração doce e não se demitem de pensar e intervir.
Beijos

* Esta carta começou por ser um comentário que deixei no blog FORUM CIDADANIA da Carminda Pinho.
:))

José Afonso, vampiros (ao vivo...lindo...)

hoje é o primeiro dia do que este blog ainda não é ...







Bellavance, J.
chapitre du devenir
(2008)






"Retroceder é avançar no tempo e entender porque não se deve repetir o passado".
Gunter Grass


Manu Chao, libertad

Muito obrigado a todos os que me mimaram a propósito dos dois anos do blog! Quando fico assim, comovidita, eu que sou tão prolixa... fico emocinada e as palavras parecem-me sempre desajustadas! BEM HAJAM!

11 novembro, 2008

dois anos


Pedro Abrunhosa, pontes entre nós





Lima, V.
a festejar
(2005)


pelas minhas contas faz hoje, dia 11 de Novembro, dois anos que iniciei o blog. um início muito insípido e sem saber muito bem o que estava a fazer. só em finais de Dezembro do ano passado e no início deste ano, comecei a olhar para este cantinho de um modo mais sistemático e com um pouco mais de atenção. sem destino marcado, nem ideia definida inicialmente, fui fazendo um caminho marcado pela forma lúdica como me situo aqui. tenho sido uma privilegiada com as pessoas que me visitam e comentam o que vou colocando, quase sempre de forma espontânea e sem planeamentos.
não vou nomear nicks ou nomes. mas já me habituei a gostar de pessoas que aqui chegam, mesmo sem as conhecer pessoalmente. tenho aprendido muito. e do meu confronto com a leitura de outros blogs também tenho aprendido a conhecer-me melhor.
muito obrigada a todos! from the bottom of my heart!


Arthur Grumiaux, Bach "Chaconne"

09 novembro, 2008

árvores sem tempo





Shchukin, Y.
trees of autumn
(2008)



Paulo de Carvalho, flor sem tempo (1971) [aproveitem também para verem a lindíssima Ana Maria Lucas]

08 novembro, 2008

e os galos, não?






Aguiar, T.
doidas andam as galinhas
(2008)


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???? doidas andam as galinhas
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Sérgio Godinho, o galo é dono dos ovos
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sábado de manhã (29)



Gauguin, P.
nevermore, o Taiti ( 1897)

06 novembro, 2008

bloco de notas (2) .... [actualizadas às 21.08h)






Fairey, Shepard 
Obama victory



English, Ron Abraham Obama   

1) Obama ganhou. Tendo-me eu inclinado pela Hillary inicialmente, a partir da sua nomeação pelo partido democrata, Obama ficou o meu candidato. O mais importante para mim foi, contudo, ter aprendido a olhar a América de um modo mais livre e menos preconceituoso. Ainda me hão-de indicar um país, sem ser africano, onde, neste momento, Obama fosse eleito para o mais alto cargo do país.

2) Que exagero virem já apregoar que o Obama é o novo messias e, deste modo, colocarem-lhe nos ombros tarefas imensas que nem ele se propôs realizar no decurso da campanha. Há gente que não sabe mesmo perder. E gosta de desfazer, e quanto pior melhor!

3) O BPN foi nacionalizado. No meio de trafulhices e desfalques de muitos milhões de euros, mais uma vez, os que se abotoam com muitos milhões e são negligentes a tratar de tantos outros, se vão escapulir minando a democracia e defraudando o país. Só existem apitos dourados para tratar de uns resultados de uns manhosos jogos de futebol...

4) A Fátima Felgueiras foi condenada embora com pena suspensa. Simbolicamente condenaram-se também as ligações pouco recomendáveis entre instituições que se deviam dedicar ao bem comum e público e não a arranjar fio para tecer teias de interesses muito particulares e pouco recomendáveis.

5) Felizmente a criminalidade amainou. Será? Ou a comunicação social arranjou outro bombo para festejar diariamente a falta de competência com que aborda e exerce a sua função?

6) Casualmente eu estava na Madeira (precisamente no Funchal) no dia em que o deputado do PND desfraldou a bandeira nazi na Assembleia Regional. Falei acerca do assunto com gente que mora no Funchal. Espanto-me agora com a superficialidade do Luís Delgado (? em boa verdade vindo dele nada me espanta...a não ser como é que ele é comentador residente da SIC). Do meu ponto de vista, a pergunta a fazer é porque é que um deputado tem necessidade de fazer estas "cenas". Claro que, se o referido deputado tivesse o talento de os Gatos Fedorento ou de Os Contemporâneos, utilizaria a ironia e o exagero com outra elegância. Mas não tem e "estrebucha" como pode. Numa sociedade onde não se pode falar porque, a fazê-lo, se pode comprometer a vida definitivamente, este é que é o problema e não a forma desajeitada e até de mau gosto como se protesta. E abençoada criatura que, mesmo de forma deselegante, é suficientemente descomprometida (leia-se sem rabos de palha) para dizer certas coisas. Ver mais nA Barbearia do Sr. Luís.

7) O José Albergaria voltou com um novo blog no sapo, o mainstreet, já "linkado ali ao lado.

8) Li um texto que me tocou particularmente no sem tom nem som. Por vários motivos: porque os casos relatados mostram como a cidade está povoada de solidão e sofrimento, mas também porque mostra à evidência a importância de uma profissão que, porque é parente de outra muito cotada socialmente, normalmente é vista com olhos míopes. Se há coisas que me incomodam é haver profissões de primeira e de segunda. Nunca "encaixei" bem porque é que a necessidade óbvia da divisão de tarefas há-de levar a uma divisão social do trabalho.


Katie Melua, piece by piece

05 novembro, 2008

break muito pequenino




Osgood, G.
prism break


(vim a correr aqui à pérola do atlântico e volto logo)



Max, a mula da cooperativa

03 novembro, 2008

a ver vamos*





Limone, G.
elections americaines
(2000)


*...ó(se)bamos (desculpem a pronúncia à moda do Porto)

Bob Dylan, blowing in the wind (live)

02 novembro, 2008

dia 2 de novembro







Aschheim, Eve,
a clear lightness
(2002)



as saudades permanecem... só se tornam mais redondas
e dos laços fazemo-nos nós!


Eric Clapton, tears in heaven

01 novembro, 2008

ditos (16) [em dia de todos-os-santos]






Tarcila do Amaral
anjos
1924










"A ruindade que temos dentro de nós, na cabeça e por toda a parte, tem de sair para fora..." Günter Grass (1927-...)

(já que hoje é dia de TODOS-OS-SANTOS)


Bobby McFerrin, Ave Maria de Bach

amor forte por uma terra frágil


Madredeus, as ilhas dos Açores

O sol nas noites e o luar nos dias

De amor nada mais resta que um Outubro
e quanto mais amada mais desisto:
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.

E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.

Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.

Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.

Natália Correia, O Sol nas Noites e o Luar nos Dias, II

sábado de manhã (28) ...



Wesselmann, T.
Hedy sleeping

31 outubro, 2008

e(ra) (mais) uma vez na américa




Rob & Nick Carter
colour changing spiral, XXXIV
(2005)




o "onze" faz a diferença?

voto estimado?



muito interessante é a contagem que "A barbearia do senhor Luís" nos apresenta desde o dia 29.


Bruce Springsteeen, born in the USA (acústico) [atenção à apresentadora]

30 outubro, 2008

há viagens que vêm mesmo a calhar






Gretta Sarfaty Marchant
travelling
(1997)











Queixa das almas jovens censuradas


Dão-nos um lírio e um canivete

e uma alma para ir à escola

mais um letreiro que promete

raízes, hastes e corola


Dão-nos um mapa imaginário

que tem a forma de uma cidade

mais um relógio e um calendário

onde não vem a nossa idade


Dão-nos a honra de manequim

para dar corda à nossa ausência.

Dão-nos um prêmio de ser assim

sem pecado e sem inocência


Dão-nos um barco e um chapéu

para tirarmos o retrato

Dão-nos bilhetes para o céu

levado à cena num teatro


Penteiam-nos os crânios ermos

com as cabeleiras das avós

para jamais nos parecermos

conosco quando estamos sós


Dão-nos um bolo que é a história

da nossa historia sem enredo

e não nos soa na memória

outra palavra que o medo


Temos fantasmas tão educados

que adormecemos no seu ombro

somos vazios despovoados

de personagens de assombro


Dão-nos a capa do evangelho

e um pacote de tabaco

dão-nos um pente e um espelho

pra pentearmos um macaco


Dão-nos um cravo preso à cabeça

e uma cabeça presa à cintura

para que o corpo não pareça

a forma da alma que o procura


Dão-nos um esquife feito de ferro

com embutidos de diamante

para organizar já o enterro

do nosso corpo mais adiante


Dão-nos um nome e um jornal

um avião e um violino

mas não nos dão o animal

que espeta os cornos no destino


Dão-nos marujos de papelão

com carimbo no passaporte

por isso a nossa dimensão

não é a vida, nem é a morte

Natália Correia, "O Nosso Amargo Cancioneiro"


José Mário Branco, queixa das almas jovens censuradas

[mal eu sabia que viajar nesta altura me pouparia desgostos presenciais... e enquanto o pau vai e vem folgam as costas... não se trata de fugir... trata-se de ter mais tempo e distância para...lidar com gente que não se enxerga ... não se preocupem...isto são desabafos muito caseirinhos... é que isto das prepotências e da tentativa de manipulação das consciências e da individualidade de cada um não se manifesta só à escala nacional.... é vê-los, muitas vezes críticos do que nacionalmente se faz, a exagerarem maus procedimentos e más práticas nas quintas em que têm reinados efémeros. uns tristes.]

29 outubro, 2008

uma ilha no dia a dia (e uma "boquita")





Webster, E. Ambrose
volcanic cliffs, Azores
(1913)





seja de férias ou em trabalho, fazer uma pausa na rotina sabe bem.
eu gosto de ir, de partir ...
e a ilha é verde e tem lagoas.


Zeca Medeiros, cantiga da terra

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eu já não tenho "pachorra" ... confio plenamente no discernimento de quem aqui espreita...
é o "eduqês" no seu melhor... pelo menos que se expliquem...
aqui a lista dos elementos do CNE (conselho nacional de educação) que dá à luz uns pareceres tão adequados à realidade portuguesa que mais parecem um conjunto de marcianos! eu já nem de raiva fico verde!

27 outubro, 2008

rumor do silêncio



Sheehan, D.
silence of autumn
(s/data)







...
Escuto um rumor: é só silêncio.

E. Andrade (último verso do poema ESCUTO O SILÊNCIO, antologia breve, 50/51)


Gregorian, the sounds of silence
(Simon and Garfunkel já tinha colocado aqui)

26 outubro, 2008

mão, mano, main, hand so on and so on






Klinge, D.
hand 20
(2005)











A MÃO

A mão
que no fundo da noite chama,

num sopro mais ligeiro
que a pedra do desejo

ou o cheiro
do feno quente ainda
da última gota de água,

a mão
esquece a árvore onde fez o ninho

e vai poisar
entre o frio dos joelhos

devagar.

Eugénio de Andrade, antologia breve, 84-85


Alfred Brendel, Beethoven - sonata para piano nº 14 (op.27) [moonlight sonata] 3º andamento

[a escultura, as palavras e a música... sim, a música... porque hoje é dia do senhor...um bom dia do senhor para todos, senhoras e senhores, meninas e meninos, damas e cavalheiros e todos os que aqui vierem espreitar rsrsr...]

25 outubro, 2008

paciência... (falta de...) (1)





Fatima Abu Rumi,
s titulo,
(2007)




Já não é a primeira nem a segunda vez que me acontece. Mas ontem, vá lá eu fazer um esforço de síntese para saber porquê, estava com menos paciência.
Motivos pessoais levaram-me a recorrer a um serviço privado (no sistema de saúde). Como era a primeira vez foi necessário preencher uma "ficha". Com a informatização dos serviços a funcionária preenche-o directamente no computador. Até aqui tudo bem, tudo necessário, nada demais. Porque me falta a paciência então?
A paciência falta-me para o "espectáculo" que é perguntarem-me em voz alta e exigirem resposta igualmente em voz bem alta, o meu nome, a morada, a profissão, se pertenço a algum sub-sistema de saúde, o número do telemóvel, o serviço que procuro...
Ontem, avisada por experiências semelhentes que não me agradaram, antes da funcionária iniciar o interrogatório, numa voz audível mas suave, resolvi oferecer-me para lhe passar os cartões e, deste modo, evitar que todos quantos estavam naquela "entrada" ficassem a saber de mim o que não é necessário e faz parte da minha intimidade em sentido mais lato (digamos assim).
Que não, com ar de espanto, que não era preciso o B.I., nem cartão nenhum. Diga, diga,! E eu num tom suave... Maria. E ela repetia mais alto Maria... E eu suavemente (a ver se ela percebia)... e ela cada vez mais alto... e eu a ficar sem paciência... e ela cada vez mais alto... Cada dado que eu lhe dava num tom morno, ela repetia-o mais alto, mais alto...
E foi neste jogo de incompreensão mútua que eu debitei parte do que me identifica como cidadã de um modo que ouviu a funcionária, ouviu quem estava à volta e, os que estavam mais longe, ouviram também. Tudo repetido pela diligente funcionária, com muita segurança e tim tim por tim tim ...
Pergunta verdadeiramente genuína: é de mim ou deveria haver uma maneira de isto não acontecer?

???, pelos caminhos de Portugal

gostos do comum dos mortais (5)








o sol já "carcomiu" parte da cor da lombada estreita e da capa desta Antologia Breve de Eugénio de Andrade, da Editorial Inova Limitada, edição de 1972.










Pierre Fournier, 1º andamento do concerto nº 1 para violoncelo de Camille Saint-Saëns, com a orquestra de câmara da ORTF conduzida por André Girard.

sábado de manhã ... (27)



Icart, L.
repose
(1934)

24 outubro, 2008

2008 - 1958 = 50







Szaggars, S.
interweaving their fragrances











No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho... )
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos ...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos. . .

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira! ...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...


Álvaro de Campos, aniversário

O meu caríssimo amigo J. faz hoje 50 anos. Parabéns!


Marylin Monroe, happy birthday

22 outubro, 2008

atitude







Denaro, M.
hanging one's attitude
(2007)





Rostropovich, Brahms Cello Sonata No. 1 in E minor 2nd mov

21 outubro, 2008

mais outonos




Jeon, K.
autumn
(2006)



Katie Melua, I put a spell on you

20 outubro, 2008

quem dá o que tem ...





Voss, M.
nets (detail)
sculpture








A minha homenagem a todos os que têm problemas com a rede!


Aldina Duarte, princesa prometida

19 outubro, 2008

investimentos a longo prazo

Estou apreensiva! Afinal, investir em educação e formação tem efeitos imprevisíveis e, em dados momentos, assaz inúteis! Veja-se o caso da Islândia: basta uns meninos engraçados começarem a jogar o jogo da cadeira usando banquinhas e o jogo do anel usando bolsinhas, e não se evita a bancarrota do país. Levada pela leveza da argumentação, estava tentada a dizer que até será mais útil um povo meio arruaceiro e boçal para, nestas alturas, não haver pruridos de assentar uns tabefes em quem anda a mangar com o pessoal! Querem lá ver que Portugal anda no bom caminho e nós não sabemos de nada???????

Deolinda, movimento prepétuo associativo
(aproveito para vos apresentar esta nova proposta de Hino Nacional, que substuirá A Portuguesa)

17 outubro, 2008

outonos






Yanping, Y.
autumn morning
(1997)




Cat Stevens, morning has broken
(pois... Embedding disabled by request ... toca a clicar)

gostos do comum dos mortais (4)









Rita Lee, lança perfume

lança menina , lança todo este perfume
desbaratina não dá pra ficar imune
ao teu amor que tem cheiro de coisa maluca
Vem cá meu bem, me descola um carinho
Eu sou néném, só sossego com beijinho
Vê se me dá o prazer de ter prazer comigo
Me aqueça
Me vira de ponta cabeça
Me faz de gato e sapato e...
Me deixa de quatro no ato
Me enche de amor, de amor
Lança, lança pefume
oh oh oh oh lança, lança perfume
Lança perfume....

16 outubro, 2008

pujanças





Mai, Wang
the fertility of capitalism
(2006)






quedas
injecções
suplementos alimentares
a economia norte americana entrou em recessão

hummmm... e agora o que "verdadeiramente"conta. Isto sim, são verdadeiras desgraças para a humanidade
empatas
divórcio

Leonard Cohen, closing time

15 outubro, 2008

meninices (da gaveta para hoje)







"Veríamos se aquela menina ganhava a sua batalha; e, se a ganhasse, como acharia a vitória."

Agostinho da Silva, Herta Teresinha Joan


Friedrich Gulda's Cello concerto played by Gautier Capuçon.

trocadilho absolutamente gratuito




Michael Craig Martin
foot-ball
(2004)




espero que a selecção nacional de futebol da Albânia não seja Tirana para a selecção nacional de futebol de Portugal! Seria um pecado capital!

[imediatamente antes do jogo começar]

13 outubro, 2008

conivências






Cepêda, Margarida
entrega
(2003)











Aqui me tens, conivente com o sol
neste incêndio do corpo até ao fim:
as mãos tão ávidas no seu voo,
a boca que se esquece no teu peito
de envelhecer e sabe ainda recusar.

Eugénio de Andrade, 13. matéria solar, 25


Elis Regina, fascinação

12 outubro, 2008

olhar & ver






Gottlieb, A.
man look at woman
(1949)







Dire Straits, love over gold

11 outubro, 2008

sábado de manhã ... (25)






Jacob D.
sleeping woman
(1650)

10 outubro, 2008

s/ título







Munch, E.
girl looking out the window
(c. 1892)









Leonard Cohen, if it be your will

09 outubro, 2008

"gerbil" * da rua do muro








Nagle, R.
the Wall Street gerbil
(2008)







os títulos baixam...
banqueiros irresponsáveis? quem diria, oh pah!


Dire Straits com Eric Clapton, money for nothing

* gerbil (não só mas também)

08 outubro, 2008

bolsinhas solidárias ...





Shaw, J.
money bags
(2001)


esta notícia de ontem tocou-me. não sou de indiferenças perante a desgraça alheia. meti mãos à obra e arranjei estes dois saquinhos (ou duas bolsinhas se preferirem) para ajudar. falhou-me uma terceira bolsinha que teria muito gosto em oferecer ao que tem nome próprio de irmão metralha e um apelido que é uma corruptela de nome próprio de menino bem. ainda não sei se me abalançarei a dar uma de Geldorfa e partir para a criação de um movimento de solidariedade: MAFACUMAM*


Vários, we are the world

*MAFACUMAM
Movimento (de) Ajuda (aos) Financeiros Aparentemente Com Uns Milhões A Menos

[bem bem ... ai ai... eu não disse que não devia haver empresários... meninas e meninos atentem, eu tentei referir-me a essa coisa que anda entre o interesse e a usura]

07 outubro, 2008

fogo e gelo generalizados?






Kaneda, S.
stable uncertainty
(2003)







"A ciência económica tem sido envolvida pelos teóricos em tantas teias, que os homens simples chegam a pensar que a sua nudez deve ter qualquer coisa de indecente. Em tais circunstâncias, suponho que a única coisa a fazer é começar de novo pelo princípio, com dados tão elementares que o leitor se indignará talvez de os encontrar aqui mencionados e ficará com a impressão de que insulto deliberadamente a sua inteligência..."
Bertrand Russel, a última oportunidade do homem, Guimarães ed., 141...

Islândia, fogo e gelo ....quem diria!


Philip Glass, Koyaanisqatsi

05 outubro, 2008

todas as estações se cruzam






Dauge, B.
orange fall
(2007)









ESSE VERÃO

Vinha meio nu
Trazia uma cesta de vime cheia de amoras
que colhera nas margens do rio
Passara a tarde toda de silvado em silvado
Na sua mão direita um pequeno arranhão
_ Tão quente, tão quente
esse verão

J. Sousa Braga, o poeta nu (o segredo da púrpura), 143



Aphrodite's Child, spring, summer, winter and fall

[pronto... ninguém é perfeito... hoje deu-me para estas nostalgias adolescentes... embalem-se, balancem-se, deixem-se ir nos trinados, rendam-se aos rodriguinhos da voz... afinal ... não virá mal ao mundo!] rsrsrs

E lá porque é Domingo, dia do senhor, blá blá blá (já sabem o que penso destes dias) não se esqueçam que é dia 5 de Outubro

04 outubro, 2008

pontes de luz...


Trovante, 125 azul

Foi sem mais nem menos
Que um dia selei a 125 azul
Foi sem mais nem menos
Que me deu para abalar sem destino nenhum

Foi sem graça nem pensando na desgraça
Que eu entrei pelo calor
Sem pendura que a vida já me foi dura
P´ra insistir na companhia

O tempo não me diz nada
Nem o homem da portagem na entrada da auto-estrada
A ponte ficou deserta nem sei mesmo se Lisboa
Não partiu para parte incerta
Viva o espaço que me fica pela frente e não me deixa recuar
Sem paredes, sem ter portas nem janelas
Nem muros para derrubar

Talvez um dia me encontre
Assim talvez me encontre

Curiosamente dou por mim pensando onde isto me vai levar
De uma forma ou outra há-de haver uma hora para a vontade de parar
Só que à frente o bailado do calor vai-me arrastando para o vazio
E com o ar na cara, vou sentindo desafios que nunca ninguém sentiu

Talvez um dia me encontre
Assim talvez me encontre

Entre as dúvidas do que sou e onde quero chegar
Um ponto preto quebra-me a solidão do olhar
Será que existe em mim um passaporte para sonhar
E a fúria de viver é mesmo fúria de acabar

Foi sem mais nem menos
Que um dia selou a 125 azul
Foi sem mais nem menos
Que partiu sem destino nenhum
Foi com esperança sem ligar muita importância àquilo que a vida quer
Foi com força acabar por se encontrar naquilo que ninguém quer

Mas Deus leva os que ama
Só Deus tem os que mais ama






Macey, G.
autumn light

sábado de manhã (24)





Bogdanovich, B.
repose
(c1935)





(na capital não se dorme, repousa-se. :))))

03 outubro, 2008

...com pés e cabeça....



Gauguin, P.
pair of wooden shoes (sabots) [right],
1889-1890






"Quem espera por sapatos de defunto, toda a vida anda descalço"


Fred Astaire & Ginger Rogers, top hat

02 outubro, 2008

schuack, schuack, schuack + schuack, schuack, schuack






Munch, E.
the kiss
(data?)



Gotas de orvalho
ligeiramente tingidas
de bâton

Jorge de Sousa Braga, o poeta nu, 175



(eu sei qual destas versões prefiro, vocês decidam...)


Cesária Évora, besame mucho


Andrea Bocelli, besame mucho


The Beatles, besame mucho

E porque tenho os melhores comentadores do mundo aí vão as sugestões de o natural de barrô e do mr. lynch e da carminda pinho


Diana Krall, besame mucho


João Gilberto & Caetano Veloso, besame mucho

Besame Mucho - Frank Sinatra


Frank Sinatra, besame mucho






Blow, S
screen kiss
(2003)












Krushenick, N.
kiss kiss candy
(1978)

















Factor, I.
the kiss











há mais aqui

01 outubro, 2008

conversas com a Isaura (7)






Avery, M.
autumn light
(1963)








Simone e Zélia Duncan, a idade do céu!

Querida Isaura:
Não falamos há algum tempo. Como sempre as minudências no dia a dia interpôem-se entre estas nossas conversas. Confesso-te que estou num tempo de ambivalências claras, calma e sobressaltada. Como tu bem sabes há momentos em que a vida resolve mostrar-se de forma inesperada e avassaladora. Da perplexidade instalada decorre uma exigência de acção que começa pelo nosso necessário posicionamento. Encontrar coordenadas em momentos destes torna-se num exercício de remoção quase arqueológica de nós mesmos. A surpresa instalada delimita a manifestação dos sentimentos, a perplexidade encandeia o desenvolvimento de outros e o inusitado parece querer tornar ainda outros impossíveis. São momentos de intensa aprendizagem de nós. Quase uma revisão forçada da toda a matéria dada. Não só a matéria aprendida voluntariamente, mas também a que foi ficando em nós por mero usucapião. É, seguramente, um teste sério e difícil à nossa capacidade para viver bem! De acordo com a conveniência humana.
Querida Isaura, não te maço mais por hoje.
beijos