Hodgkin, H.
Wyckoff, K. B.
Factor, I.
...
, J.
1) a ter de vir de algum lado venho do lado onde se entende que a liberdade é o valor, que cada um de nós sem "o outro" não existe, ... venho do lado que privilegia o modo solidário de encarar a vida, seja qual for a escala em que nos situemos ... adiante...
2) tenho dificuldade em pertencer a grupos. não porque me ache original ou seja demasiado ciente do que penso ou, ainda, me sinta uma personalidade solitária. mas precisaria de encontrar lugares sem a tradicional cartilha que se vai determinando e reproduzindo, como se o mundo, a vida, as ideias não tivessem complexidade suficiente para se materializarem com cambiantes muito diversificadas e um qualquer raciocínio tipo permitisse aplicar uma "regra" geral a tudo...
3) costumo dizer que, consciente da questão feminina, não sou "feminista furiosa". o que quer que isso signifique há-de andar perto do entendimento do lugar que a mulher ocupa e (não) tem ocupado (e dos seus problemas particulares) e perto, ainda, dos problemas que resultam de quererem substituir uma dominação (a masculina) por outra, em vez de se procurarem novos modos de estar e ser, que não partam do confortável branco ou preto.
4) interessa-me o que se passa nos EUA porque o que lá se passa (pelo menos por agora) interessa ao resto do mundo. não tenho mais formação política que o comum dos cidadãos. estou reduzida ao quadro que a comunicação social não especializada expõe e não tenho informação além do que fui "pescando" aqui e ali, sem critério nem preocupação de
sistematização.
5) como não tenho uma simpatia pessoal especial pela
Hillary Clinton, seria suposto, perante o já dito, que eu fosse 100%
pró Obama. e, com alguma perplexidade minha, não sou. isto intrigou-me ao ponto de, ultrapassada a primeira explicação de que a idade nos "arredonda" (o que não se aplicaria, de modo nenhum, neste caso) me sentir impelida a escrever sobre isto, num exercício quase catártico. a minha ignorância, por si só, justificaria o silêncio.
6) se em relação à "experiência", vejo uma
Hillary Clinton, pelo menos, mais experimentada, o discurso refrescante de
Obama faz-me supor que "conhece" a realidade de um outro modo. se bem que as palavras também "operem" não me parece que se inscrevam primordialmente no campo da acção prática.
8) aqui chego com um empate. a frescura do discurso de
Obama e a experiência de
Hillary, para o caso, podem equivaler-se.
9) está-se mesmo a ver que não foi uma maior identificação "ideológica" e afectiva (pelo contrário) ou argumentos práticos demasiado fortes, que me fizeram pender para o lado de
Hillary.
10) andava eu nesta modorra (que a mais ninguém interessa, eu sei) quando aconteceu o que eu intuía, sem saber como e porquê, mas intuía: convidado do
The Daily Show de Jon Stewart (um dos
talk-show, que passam a desoras num dos canais da
sic) para demonstrar as suas qualidades de "orador" e que, ditas por si, todas as palavras "vendem" importância e sentido,
Obama é instado a ler a bula de um remédio (ou a lista telefónica, não me recordo) como se de um discurso seu se tratasse. e ele
fê-lo. e empenhou-se. no tom de voz, nas pausas certas, na respiração e colorido das palavras... e quem, por momentos, não ligasse ao conteúdo, podia perfeitamente julgar que ele estava a anunciar uma forma viável de acabar bem com a guerra do Iraque.
10) agarro-me a uma minudência? não percebo as regras do showbiz, da TV, do marketing político americano, do que seduz os americanos que é, afinal, o que importa? talvez... mas, na minha modestíssima opinião, Obama NUNCA se poderia ter prestado àquele papel, mesmo que só por uns breves segundos.