A manhã está cinzenta. Por inércia tenho, também, a televisão ligada. 1) Notícia de abertura do canal de notícias: Cavaco, Sr. Presidente da República, mais logo vai fazer uma comunicação ao país. Conclusão jornalística fácil: só pode ser assunto muito grave! Mas qual? (Ainda bem que este tabu vai ser rapidinho! penso eu...) 2) Fait-divers de uma rubrica daqueles programas que fazem companhia a idosos e desvalidos: hoje é dia do orgasmo. Conclusão não jornalística: ora aí está o tema da comunicação ao país. (Cavaco, com a sabonária que apanhou nos últimos 10 anos, é menino para isso).
Adenda:Ouço agora, às 12.17h, que será através dos vários canais (de televisão), que é importante e que durará 5 minutos.
Sem tabus, que o branco no branco quer-se escorreito mas com vida e ironia.... divirtam-se!
cena de "WhenHarryMet Sally", MegRyan e Bill Cristal
Vou ao céu E venho- -me J.Sousa Braga, fogo sobre fogo, (o poeta nu, poesia reunida) 179
Jane Birkin & SergeGainsbourg, Je T'aime... MoiNonPlus
Querida Isaura: Falo-te hoje de um assunto que já abordei em tempos. Acho que vais compreender o meu ponto de vista.
Sempre (me) admirei(?) muito (com) as "personalidades" que respondem a inquéritos de verão com perguntas sobre o modo e o conteúdo das suas férias. Geralmente só fazem coisas tipo tcharaaaaaannn: lêem muitos livros muito interessantes e relêem outros tantos clássicos e intemporais... ouvem música especial ou rara... visitam lugares decisivos... colocam em dia tarefas deveras importantes para o avanço da humanidade. Nunca arrumam gavetas, armários e dispensas...nunca dão "a volta à roupa"...nunca dormem muito... nunca aproveitam para ler o jornal calmamente...nunca aproveitam para acabar tarefas aborrecidas que o dia a dia sem férias não permite terminar... nunca têm de aproveitar para estar com os mais velhos que quase precisam dos nossos cuidados diários. Acabo por me sentir esquisita, se porventura leio estas respostas... que são produzidas, supostamente, para dar ideias ao comum dos mortais, como eu, mostrando como é que "pessoas a sério", as que "contam" verdadeiramente funcionam... Sabes Isaura, só acabam por realçar o que eu preciso de fazer...e que, nem de longe nem de perto, se esgota naqueles universos... Sabes que de ti espero sempre notícias.
Um beijo
O sol dos sonhos derreteu-lhe as asas E caiu lá do céu onde voava Ao rés-do-chão da vida. A um mar sem ondas onde navegava A paz rasteira nunca desmentida...
Mas ainda dorida No seio sedativo da planura, A alma já lhe pede, impenitente, A graça urgente De uma nova aventura.
Miguel Torga, Diário XII, 1977
[e agora escolham ou não...]
Georges Harrison, here comes the sun
George Harrison & Paul Simon, here comes the sun (ao vivo no programa Saturday Night Live, 1976)
Atenção à Lagoa Azul, por exemplo! O vídeo é o melhor que encontrei no you-tube... O texto é de propaganda, mas a beleza do lugar é mesmo fora do comum! Acho que o vídeo nem favorece o lugar! Os que já conhecem espero que gostem de rever, os que não conhecem espero que gostem de ver e...se tiverem oportunidade, não hesitem...
1) porque é que a glicínea nunca deu flores, ao ponto de nem lhe poder adivinhar a cor da sua natureza?
2) porque é que a buganvília, orientada num caramanchão sui géneris, que preenchia voluptuosamente um canto inglório da parede da garagem, linda de morrer e que me alegrava a altura do ano em que desabrochava desavergonhadamente, secou de um momento para o outro? 3) porque é que os gatos de toda a vizinhança teimam em fazer do meu quintal a sua casa de campo, deixando o seu odor demarcado pelos cantos das plantas que ainda lá estão? 4) porque é que as poucas plantas de cheiros [as únicas que fiz questão de plantar (semear?)juntamente com a glicínea] teimam em se afirmar, numa luta desigual com os gatos que lhes deve cheirar bem fazer lá os "ninhos"? 5) porque é que o pinheiro do natal de mil novecentos e troca o passo e que, passadas as festas natalinas, se transplantou do vaso que o iria tolher para o bendito espaço de que vos falo, cresceu desmesuradamente e, agora, jaz em bocadinhos de tronco naquele espaço onde, noutros tempos, colocava uma grande mesa para celebrar com amigos as noites quentes de verão? 6) porque é que as hidrângeas este ano estão entre o envergonhado e o mirrado? 7) porque é que as cadeiras empilhadas e com cobertura plástica supostamente adequada, próprias para usar à volta da dita mesa, estão com os pés cheios de pó? 8) porque é que o cadeirão de verga (da Madeira) está repleto de sacos com dossiers muito hesitantes (nem servem para nada e, pelos vistos, nem deixam de servir)? 9) porque é que os pratos dos gatos estão desbotados de tal modo que o vermelho está cor-de-borras-de-vinho elas próprias desbotadas? 10) porque é que eu estou aqui com estas perguntas quando há males a sério por esta rua fora, por esta cidade fora, por este país fora, por este mundo fora?
A dimensão individual da vida também dá ou tira colorido à abordagem colectiva... ou não?
Dali, S. bust of John Fitzgerald Kennedy 4-6 (1971)
"Se alguém me quiser abater com uma carabina a partir de uma janela, ninguém o pode evitar; por isso para que me hei-de preocupar?"John Kennedy (1917-1963)
alguém podia ficar só um bocadinho com as minhas dores nas costas, na zona cervical. são só vantagens: ficavam com um ar empertigado, que, em certos momentos, pode ser muito útil. esta coisa de estar quase hirta e não poder olhar para o lado, muito menos espontaneamente, pode dar um ar de firmeza e segurança cuja utilidade também não é descartável. o ar de algum sofrimento também pode ser usado na construção de uma pose de seriedade e responsabilidade perante os males e problemas do mundo. não menos desprezíveis são os ais e uis regular e inevitavelmente soltados, assim, sem mais, e que podem sempre confundir quem os ouve quanto à sua natureza e ... baralhar o pessoal ... pois ....com este calor... e ... nesta altura do campeonato, baralham mesmo!
ER (serviço de urgência), música de abertura
*(não quero, nem por momentos, comparar o "martírio" da Frida Kahlo, com as minhas dorzinhas)