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30 maio, 2010

há domingos assim (5)






Yuan, C.
one world, one dream
(2010)










...
Domingo é o espaço
onde todos cabem
sem lhes ser preciso
fazer vénia ao sol
...
Luísa Neto Jorge, jornal de domingo, [in quinze poetas portugueses do séc. XX, selecção e prefácio Gastão Cruz, Assírio & Alvim, 443]


John Lennon, imagine

Imagine there's no Heaven
It's easy if you try
No hell below us
Above us only sky
Imagine all the people
Living for today

Imagine there's no countries
It isn't hard to do
Nothing to kill or die for
And no religion too
Imagine all the people
Living life in peace

You may say that I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope someday you'll join us
And the world will be as one

Imagine no possessions
I wonder if you can
No need for greed or hunger
A brotherhood of man
Imagine all the people
Sharing all the world

You may say that I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope someday you'll join us
And the world will live as one

Um bom dia do senhor :))) E, já agora, descubram onde está Portugal!

27 maio, 2010

céu de trazer por casa

.






Risica, J.
the kiss
(2008)










Nem todos os frutos vermelhos
merecem o céu
da tua boca

Jorge de Sousa Braga, fogo sobre fogo I
[o poeta nu - poesia reunida, assírio & alvim, 176]


Nana Mouskouri, amapola de Ennio Morricone

10 maio, 2010

manhã de segunda, mas uma boa semana (30)

.





Grotjahn, M.
untitled (lavender butterfly jacaranda over green)
(2004)






O JACARANDÁ

Extravasou do largo o jacarandá
Com as suas flores miúdas
ocupa agora toda a manhã 
Jorge de Sousa Braga, fogo sobre fogo III  [o poeta nu - poesia reunida, a&a, 221]





Alberto Nepomuceno, serenata [orquestra esproarte, EP Mirandela] direcção: Arnold Allum e muitas fotografias de jacarandás neste vídeo sacado daqui

Dias muito bons para quem passa.  :)))

09 maio, 2010

há domingos assim (3)

 .






Tozzi, C.
dança do futebol
(1997)








 
Futebol se joga no estádio?
Futebol se joga na praia,
Futebol se joga na rua,
Futebol se joga na alma.
A bola é a mesma: forma sacra
Para craque e pernas-de-pau
Mesmo a volúpia de chutar
Na delirante copa-mundo
Ou no árido espaço do morro.
São voos de estátuas súbitas,
Desenhos feéricos, bailados
De pés e troncos entrançados.
Instantes lúdicos: flutua
O jogador, gravado no ar
_ afinal o corpo triunfante
da triste lei da gravidade.

Carlos Drummond de Andrade



Chico Buarque, o futebol, hino do Politeama  [Se não ouvirem nem virem não sabem o que perdem...]

E um bom dia do senhor para todos. :)))

[okay: eu bem sei que o futebol moderno começou ali nos domínios de sua majestade isabel ii ...]

30 abril, 2010

ditos (19)

.





Hirschfeld, A.
Charlie Chaplin
(litografia)








"A vida é um acontecimento local".
Charles Chaplin (Luzes da Ribalta)


Nat King Cole, smile (de Charles Chaplin)

final de um mês moderno

.




Osver, A.
late April





Se podem brincar com a nossa dívida pública, porque não hão-de poder brincar com a música? E a voz docinha da Gigliola Cinquetti até faz a cantiga mais interessante.
Entre Lisboa antiga e o final de Abril percebe-se melhor como estamos em tempo de muito tacto.

Gigliola Cinquetti, Lisboa Antigua

29 abril, 2010

já é agora

.






Gloeckner, M.
soft wind of the spring
(1973)









Agora

Abre-te, primavera!
Tenho um poema à espera
Do teu sorriso.
Um poema indeciso
Entre a coragem e a covardia.
Um poema de lírica alegria
Refreada,
A temer ser tardia
E ser antecipada.

Dantes, nascias
Quando eu te anunciava.
Cantava,
E no meu canto acontecias
Como o tempo depois de confirmava.
Cada verso era a flor que prometias
No futur sonhado...
Agora a lei é outra: principias
E só então eu canto confiado.

Miguel Torga, diário X [poesia completa II, 774]


Tom Waits, you can never hold back spring

20 abril, 2010

clara manhã

.





Casentini, M.
morning
(2005)










Manhã

Estar contigo ao acordar, ver como
se abrem as tuas pálpebras, cortinas
corridas sobre o sonho, sacudir dos
teus lábios o silêncio da noite para
que um primeiro riso me traga o dia:

assim, amor, reconheço a vida que
entra contigo pela casa, escancara
janelas e portas, deixa ouvir os pássaros
e o vento fresco da manhã, até que voltas
para junto de mim, e tudo recomeça.

Nuno Júdice, Pedro, lembrando Inês, 27


Cat Stevens, morning has broken

[... e uma boa tarde e, também, uma óptima noite] :))

19 abril, 2010

manhã de segunda, mas uma boa semana (27)

.





Lenço dos corações
(daqui)












Pus-me a contar as estrelas
Contei duzentas e doze
Com as duas dos teus olhos
São duzentas e catorze.

quadra popular (Portugal) [a Rosa do Mundo - 2001 poemas para o futuro 2001,738)


Michael Cashmore, my eyes open

[Ai este contraste, não é? Lá terão de ouvir... Ah, poizé]

15 abril, 2010

lembrança de águas passadas

.


Sa, S.
forbidden river
(2007)




AFLUENTES

Que sabe um rio dos seus afluentes? E os afluentes dos subafluentes? E estes dos pequenos regatos da montanha? Os rios não têm memória. (Embora digam que a memória é um rio.)

Têm água. E nós sede.

Jorge de Sousa Braga, os pés luminosos
[o poeta nu - poesia reunida, assírio & alvim, 112]


 
Simon & Garfunkel, bridge over troubled water (ao vivo, 1969)

12 abril, 2010

manhã de segunda, mas uma boa semana (26)

.





Fleming, K.
spring awakening








Uma semana com dias soalheiros por dentro por fora e por todos os lados em que acordamos viver e acordados vivemos.


Paulo de Carvalho & Mariza, o meu mundo inteiro

24 março, 2010

liberdade de questão






Steckholzer, M. 
fragen
(2005)


"Há perguntas que não conseguiríamos superar se não estivéssemos, por natureza, dispensados delas".
F. Kafka, aforismos (ulmeiro, 17)
Grigory Sokolov (piano) rondo alla ingharese quasi un capricio
- op.129 Beethoven

21 março, 2010

há domingos assim (2)






Mazur, M.
early spring
(2000)











HÁ DOMINGOS ASSIM

(continuação)

Não há muito ainda se viam homens simplificados em vultos jogando
talvez ao chinquilho junto da fonte
havia o ruído da ronca agora estou só aqui nesta nova terra
nesta ponta de tudo com os pés nesta desmedida vontade de partir
mas não para aqui ou para ali nem para paisagens sabidas saídas das
páginas de romances
perdidos nos dias da infância nem para cidades distantes onde vivi talvez
oiça vozes de amigos
e devo alguns dias ter-me sentido bem respirar mais fundo num ou noutro
local
partir não para aqui ou para ali mas apenas partir afastar-me daqui
sentir-me ir estando mais longe cada vez daqui sem chegar a sítio
nenhum
caminhar descoberto ao longo dos primeiros caminhos da chuva
...
(continua)
Ruy Belo, toda a terra [I areias de Portugal], todos os poemas, Assírio e Alvim, 488-489

Vanessa da Mata, ir

E, para todos, um bom dia do senhor! :)))

17 março, 2010

palavras maduras (2)

.




Muths, J.
the meaning of green
(2008)








ROMANCE SONÁMBOLO

Verde que te quiero verde.
Verde viento. Verdes ramas.
El barco sobre la mar
y el caballo en la montaña.
Con la sombra en la cintura
ella sueña en su baranda,
verde carne, pelo verde,
con ojos de fría plata.
Verde que te quiero verde.
Bajo la luna gitana,
las cosas la están mirando
y ella no puede mirarlas.

Verde que te quiero verde.
Grandes estrellas de escarcha,
vienen con el pez de sombra
que abre el camino del alba.
La higuera frota su viento
con la lija de sus ramas,
y el monte, gato garduño,
eriza sus pitas agrias.
¿Pero quién vendrá? ¿Y por dónde?
Ella sigue en su baranda,
verde carne, pelo verde,
soñando en la mar amarga.

--Compadre, quiero cambiar
mi caballo por su casa,
mi montura por su espejo,
mi cuchillo por su manta.
Compadre, vengo sangrando,
desde los puertos de Cabra.
--Si yo pudiera, mocito,
este trato se cerraba.
Pero yo ya no soy yo,
ni mi casa es ya mi casa.
--Compadre, quiero morir,
decentemente en mi cama.
De acero, si puede ser,
con las sábanas de holanda.
¿No ves la herida que tengo
desde el pecho a la garganta?
--Trescientas rosas morenas
lleva tu pechera blanca.
Tu sangre rezuma y huele
alrededor de tu faja.
Pero yo ya no soy yo,
ni mi casa es ya mi casa.
--Dejadme subir al menos
hasta las altas barandas,
¡dejadme subir!, dejadme
hasta las verdes barandas.
Barandales de la luna
por donde retumba el agua.

Ya suben los dos compadres
hacia las altas barandas.
Dejando un rastro de sangre.
Dejando un rastro de lágrimas.
Temblaban en los tejados
farolillos de hojalata.
Mil panderos de cristal
herían la madrugada.

Verde que te quiero verde,
verde viento, verdes ramas.
Los dos compadres subieron.
El largo viento dejaba
en la boca un raro gusto
de hiel, de menta y de albahaca.
--¡Compadre! ¿Dónde está, dime?
¿Dónde está tu niña amarga?
¡Cuántas veces te esperó!
¡Cuántas veces te esperara,
cara fresca, negro pelo,
en esta verde baranda!

Sobre el rostro del aljibe
se mecía la gitana.
Verde carne, pelo verde,
con ojos de fría plata.
Un carámbano de luna
la sostiene sobre el agua.
La noche se puso íntima
como una pequeña plaza.
Guardias civiles borrachos
en la puerta golpeaban.
Verde que te quiero verde,
verde viento, verdes ramas.
El barco sobre la mar.
Y el caballo en la montaña.

Frederico Garcia Lorca


Patxi Andion, verde (homenagem a Frederico Garcia Lorca)

[aqui outro conjunto verde de palavras maduras]

[E boa sorte para o Sportém (SCP) que amanhã, quinta-feira, recebe o Atlético de Madrid, às 20.05h para um jogo da Liga Europa, a transmitir pela SIC, (está corrigido, Lino]

05 março, 2010

magnólias

.



Katz, A.
magnolia
(2002)









MAGNÓLIAS

Esqueceram-se das folhas
tão grande era a pressa
de florirem

Jorge de Sousa Braga, fogo sobre fogo III
[o poeta nu - poesia reunida, assírio & alvim,217]


Mozart /Uri Cane ensemble - URI CAINE ENSEMBLE PLAYS MOZART) 8 - "BEI MÄNNERN, WELCHE LIEBE FÜHLEN" DUET PAMINA/PAPAGENO ACT I AND "DER HÖLLE RACHE KOCHT IN MEINEM HERZEN" ARIA KÖNIGIN DER NACHT ACT I FROM "DIE ZAUBERFLÖTTE" [K 620] 

outras magnólias

28 fevereiro, 2010

sismo no Chile (2)

.




Matta, R.
le forze del destino
(1990)









HEMOS PERDIDO AUN...

Hemos perdido aun este crepúsculo.
Nadie nos vió esta tarde con las manos unidas
mientras la noche azul caía sobre el mundo.


He visto desde mi ventana
la fiesta del ponient en los cerros lejanos.

A veces como una moneda
se encendía un pedazo de sol entre mis manos.

Pablo Neruda, veinte poemas de amor y una canción desesperada, 46 [poesia século XX, publicações dom quixote]


Inti-Illimani, esta es mi terra

[A pensar em todos, mas em especial nos amigos de horas tão marcantes, como a C., o F. o E. ...]

Tenham um bom dia do senhor! :))

23 fevereiro, 2010

... é de ouro






Posoon Park Sung,
silence
2005







Canções (Quíchuas)
19
.
Saber ninguém pode
o que o lago esconde
em seu fundo seio.
Assim guardes tu
o que saibas de outros.
Melhor inda: esquece-o.
.
poemas ameríndios, poemas mudados para português - Herberto Helder, Assírio & Alvim, 60

Keith Jarrett, la scala (fim da 1ª parte)

[mas a música também pode ser muito douradinha...]

21 fevereiro, 2010

prevalece o essencial

.





Carnochan, B.
magnolia III






Hoje sou madeirense. Vejo as imagens da destruição e descubro uma afeição por aquela terra, cuja dimensão eu desconhecia. A minha compaixão para quem o temporal devastou muito além dos bens materiais. A minha solidariedade com todos. Todos.

"...

Ah! Foi precisa esta agonia
para afinal apercebermos
que tudo quanto dividia
as nossas vozes poderia
harmonizar-se em litania
aos moribundos e aos enfermos …:
- que só na última agonia
irmãos e unânimes seremos!”

David Mourão-Ferreira  
(copiei a ideia do poema)



Bach, suite para violoncelo nº 5 (bwv 1011 em dó menor)  prelúdio -  Misha Maisky


Max, pomba branca (sugestão da Ariel)

17 fevereiro, 2010

como a água descansa da água

.
 



Powers, J.
litter and bloom
(2009)










Chega sempre um momento
em que há que descansar dos homens
como a rosa do jardineiro
ou o jardim da rosa.

Como a água descansa da água
ou o céu do céu.

Como um sapato descansa do seu pé
ou um salvador da sua cruz.

Como um criador descansa do sua criação
ou a criação do seu criador.

Roberto Juarroz, poesia vertical, campo das letras, 54


Schubert, piano trio- Op. 100, 2º andamento
[piano: Dmitri Vinnik, violino: Sviatoslav Moroz, Violoncelo: Sviatoslav Moroz] 

Tenham dias bons, intensos e desprendidos, mesmo que lhes chamem quarta-feira de cinzas, como hoje. :)

16 fevereiro, 2010

poesia na chuva

.
 




Hills, L. C.
a rose in the rain 









Ser poeta
  
Ser poeta é ser mais alto, é ser maior 
Do que os homens!...

Florbela Espanca

Trovante, ser poeta (voz Luís Represas)