Miró, Juan
s/ título
(1965)
Rui Veloso, o prometido é devido
Estava a ler esta curiosidade e lembrei-me da história que o Rui Veloso contou num concerto no Coliseu do Porto, imediatamente antes de cantar "O prometido é devido". Se bem me lembro, a história era mais ou menos assim: no final de um espectáculo que ele deu numa localidade algures por aí, uma fã já não muito jovem, que o foi cumprimentar, disse-lhe entre parabéns e afins, que tinha gostado muito mas que estava muito triste porque ele não tinha cantado a do gás. Como? Terá ele perguntado à fã embevecida e cuja idade o obrigava a alguma deferência. Não cantou a do gás! Não estou a perceber, eu não tenho nenhuma canção que fale de gás. Ai não que não tem, então aquela em que a rapariga diz que se ele for ao gás, ela tira o vestido?
Naquele trilho secreto,
Com palavra santo e senha.
Eu fui língua e tu dialecto.
Eu fui lume, tu foste lenha.
Fomos guerras e alianças,
Tratados de paz e passangas.
Fomos sardas, pele e tranças,
Popeline, seda e ganga.
Recordo aquele acordo
Bem claro e assumido
Eu trepava um eucalipto
E tu tiravas o vestido
Dessa vez tu não cumpriste,
E faltaste ao prometido.
Eu fiquei sentido e triste.
Olha que isso não se faz.
Disseste se eu fosse audaz,
Tu tiravas o vestido,
E o prometido é devido.
Rompi eu as minhas calças.
Esfolei mãos e joelhos.
E tu reduziste o acordo,
A um montão de cacos velhos.
Eu que vinha de tão longe,
Do outro lado da rua.
Fazia o que tu quizesses,
Só para te poder ver nua.
Quero já os almanaques.
Do Fantasma e do Patinhas,
Os Falcões e os Mandrakes.
Tão cedo não terás novas minhas.
Dessa vez tu não cumpriste,
E faltaste ao prometido.
Eu fiquei sentido e triste.
Olha que isso não se faz.
Disseste se eu fosse audaz,
Tu tiravas o vestido,
E o prometido é devido.
Letra Carlos T; Música Rui Veloso
















