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08 outubro, 2010

o prometido é devido, a todo o gás






Miró, Juan 
s/ título
(1965)












Rui Veloso, o prometido é devido

Estava a ler esta curiosidade e lembrei-me da história que o Rui Veloso contou num concerto no Coliseu do Porto, imediatamente antes de cantar "O prometido é devido". Se bem me lembro, a história era mais ou menos assim:  no final de um espectáculo que ele deu numa localidade algures por aí, uma fã já não muito jovem, que o foi cumprimentar, disse-lhe entre parabéns e afins, que tinha gostado muito mas que estava  muito triste porque ele não tinha cantado a do gás. Como? Terá ele perguntado à fã embevecida e cuja idade o obrigava a alguma deferência. Não cantou a do gás! Não estou a perceber, eu não tenho nenhuma canção que fale de gás. Ai não que não tem, então aquela em que a rapariga diz que se ele for ao gás, ela tira o vestido?

Naquele trilho secreto,
Com palavra santo e senha.
Eu fui língua e tu dialecto.
Eu fui lume, tu foste lenha.
Fomos guerras e alianças,
Tratados de paz e passangas.
Fomos sardas, pele e tranças,
Popeline, seda e ganga.
Recordo aquele acordo
Bem claro e assumido
Eu trepava um eucalipto
E tu tiravas o vestido
Dessa vez tu não cumpriste,
E faltaste ao prometido.
Eu fiquei sentido e triste.
Olha que isso não se faz.
Disseste se eu fosse audaz,
Tu tiravas o vestido,
E o prometido é devido.

Rompi eu as minhas calças.
Esfolei mãos e joelhos.
E tu reduziste o acordo,
A um montão de cacos velhos.
Eu que vinha de tão longe,
Do outro lado da rua.
Fazia o que tu quizesses,
Só para te poder ver nua.
Quero já os almanaques.
Do Fantasma e do Patinhas,
Os Falcões e os Mandrakes.
Tão cedo não terás novas minhas.
Dessa vez tu não cumpriste,
E faltaste ao prometido.
Eu fiquei sentido e triste.
Olha que isso não se faz.
Disseste se eu fosse audaz,
Tu tiravas o vestido,
E o prometido é devido.


Letra Carlos T; Música Rui Veloso

17 setembro, 2010

hoje anoiteci assim






Smaldone, Jane
one dark teardrop in paradise
(2005)




Se aquilo que se diz ter sido destruído no Paraíso era destrutível, então não era essencial; mas se era indestrutível, então vivemos numa falsa crença.

Franz Kafka, aforismos, ed. Ulmeiro,20


Baden Pawell, tristeza 

09 setembro, 2010

acaçapada







Konovalova-Kovriguina, Tatiana
tired of running






Poizé. Em tempo de tantas contradições e perplexidades também eu humildemente contribuo para a situação vacilante do país e do mundo e confesso que estou cansada de tanto correr sentada.
:)))

03 setembro, 2010

melhores dias verão




Pandolfo, Nina
maybe tomorrow
(2010)



Deixo um pedido de desculpas por andar tão macambúzia, monocórdica e repetitiva. Tem dias, não é? Beijos e abraços.  :)))

01 setembro, 2010

vivências de Moçambique





Malangatana
vivências




Gostar de Moçambique e ter amigos no Maputo faz-me lamentar de forma especialmente sentida o que se está a passar. De repente fiquei com  saudades do Malangatana, dos momentos que passei a ouvi-lo quando estive em finais de Março passado e, sobretudo, dos cigarros que fumamos juntos, lá fora, onde a ditadura do politicamente correcto ainda não funciona. Quantas histórias, quanta História, quanta Vida que eu não sei partilhar aqui sem as diminuir.
Onde está a capulana com que fiz questão de ir ao jantar de despedida? Que bonita  e que bem que me ficava!

28 agosto, 2010

notícias fresquinhas de dias quentes

Depois de, pela manhã, ter comprado os jornais do dia no café do Dias, depois da primeira leitura acompanhada pelo primeiro café do dia, um dia espectacular de praia, na praia da Arda, ou do Bico ou da Mariana, assim lhe dão nomes diferentes. Já ontem assim tinha sido. Não troco os dias nestas paragens, sobretudo quando a nortada vai de férias, por outras badaladas ou de acesso mais sofisticado.
Beijos a abraços sem imagens que estou em portátel emprestado.

:))),

29 julho, 2010

reflexão






Munch, Edvard
puberdade
(1895)











Jogar de cor com a cor, corresponder
Com traço firme, pincelada rigorosa,
Sair do limbo do deve e do haver,
Saber dizer sem falar de verso ou prosa.

Banhar de luz, ser sol de qualquer ideia
Cortar com sombra o que for mais que real
Proporcionar o mundo novo que medeia
Entre sentir, querer bem ou querer mal.

Rasgar de raiva a vermelho o coração
Ou amainar os elementos com um véu
De verde manso bege doce azul do céu.

És tu pintor que me dás a tua mão
P´ra eu ver contigo. Essa arte é só tua
Que me faz, sem querer, ver-me tão nua.

(a propósito do "um" quadro de Munch, so long ago...)

23 julho, 2010

desabafo





Botero, Fernando
equilibrista
(2007)








Não gosto de jogos de cintura. Entendo a maleabilidade como um reflexo da nossa compreensão das coisas, construída, também, a partir do ponto de vista do outro. Não aguento dissimulações. O cinismo perturba-me e os videirinhos tiram-me do sério. Evito, evito e torno a evitar. Mas quando não entendem a subtileza do comportamento, nem a elegância do trato, bato à porta e a cena é olhos nos olhos. Com calma, mas convicta, com abertura para relevar minudências, mas intransigente quanto ao essencial. É pegar ou largar. Não sei porquê normalmente pegam. Nestas alturas retiro o que digo muitas vezes e vejo que ainda vale a pena não abdicar de princípios e valores. Pode não se ir longe, mas vai-se fundo e é-se respeitado.

07 julho, 2010

antes da pausa

"Que haja diferentes modos, estilos ou formas de vida, o leitor estará sem dúvida de acordo. Pois bem, Aristóteles distingue três tipos: a vida voluptuosa, a vida política e a teorética. Os que escolhem a primeira órbita identificam a felicidade com o prazer. Aristóteles não se mostra condescendente com eles. "Os homens vulgares mostram-se completamente servis ao preferirem uma vida de animais". Desde Platão até Bertrand Russel que se repete a metáfora: "O porco deseja uma felicidade de porco." John Stuart Mill modificou um pouco a frase: "Prefiro ser um homem desgraçado do que um porco feliz". Aristóteles expõe um problema de grande envergadura, que já mencionei ao tratar os níveis de evidência. Em cada nível as evidências são irrefutáveis. O que é refutável é o nível. Para quem escolhe, como diz Aristóteles, a vida voluptuosa, falar-lhe de outro tipo de satisfação é quimérico. "...

José Antonio Marina, Ética para Náufragos, Ed. Caminho 172/173

* negrito da minha lavra

05 julho, 2010

manhã de segunda, mas uma boa semana (38)





LoCicero, Patrick
passion
(2009)






 
Elis Regina, romaria

É de sonho e de pó
O destino de um só
Feito eu perdido em pensamentos sobre o meu cavalo
É de laço e de nó
de gibeira, o giló
dessa vida comprida a solo

Sou caipira, pira, pora, Nossa Senhora de Aparecida
ilumina a mina escura e funda o trem da minha vida

Sou caipira, pira, pora, Nossa Senhora de Aparecida
ilumina a mina escura e funda o trem da minha vida

O meu pai foi peão, minha mãe solidao
Meus irmãos perderam-se na vida à custa de aventuras
Descasei, joguei,
Investi, desisti
Se há sorte, eu não sei, nunca vi

Sou caipira, pira, pora, Nossa Senhora de Aparecida
ilumina a mina escura e funda o trem da minha vida

Sou caipira, pira, pora, Nossa Senhora de Aparecida
ilumina a mina escura e funda o trem da minha vida

Me disseram porém que eu viesse aqui
Para pedir de romaria e prece paz nos desaventos
Como eu não sei rezar
Só queria mostar meu olhar, meu olhar, meu olhar

Sou caipira, pira, pora, Nossa Senhora de Aparecida
ilumina a mina escura e funda o trem da minha vida

Sou caipira, pira, pora, Nossa Senhora de Aparecida
ilumina a mina escura e funda o trem da minha vida

[O melhor é nem começar a pensar no que esta romaria cantada pela Elis Regina me lembra... Balhamedeus!]

Uma boa semana, daquelas que ficam para mais tarde recordar ...  :))))

02 julho, 2010

tem dias







Rush, George
darkness during the day
(2006)






há palavras escuras
quem as diz desaparece na noite
e declara claridade no espaço do desencanto

17 junho, 2010

império da imundície - desabafo





Rutstein, Rebecca
empire of dirt 
(2009)






É claro que me revolta a porcaria do mundo.  É claro que me revolta o império da imundice. Mas ainda me revolta mais a sostrice pessoal, desnecessária, gratuita que corrompe o próprio e agonia quem com ele se cruza.
Ennio Morriconi, il clan dei siciliani

18 maio, 2010

doces, verdes e lindos de morrer

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Carlos Mendes, Amélia dos olhos doces

Amélia dos olhos doces,
Quem é que te trouxe grávida de esperança?
Um gosto de flor na boca,
Na pele e na roupa, perfumes de França.

Cabelos cor-de-viúva,
Cabelos de chuva, sapatos de tiras,
E pois, quantas vezes,
Não queres e não amas
Os homens que dormem,
Os homens que dormem contigo na cama.

Amélia dos olhos doces,
Quem dera que fosses apenas mulher.
Amélia dos olhos doces,
Se ao menos tivesses direito a viver.

Cabelos cor-de-viúva,
Cabelos de chuva, sapatos de tiras,
E pois, quantas vezes,
Não queres e não amas
Os homens que dormem,
Os homens que dormem contigo na cama.

Amélia gaivota, amante, poeta,
Rosa de café.
Amélia gaiata, do bairro da lata,
Do Cais do Sodré.

Tens um nome de navio,
Teu corpo é um rio onde a sede corre.
Olhos doces, quem diria,
Que o amor nascia onde Amélia morre.

Cabelos cor-de-viúva,
Cabelos de chuva, sapatos de tiras,
E pois, quantas vezes,
Não queres e não amas
Os homens que dormem,
Os homens que dormem contigo na cama.

Amélia dos olhos doces...

Em boa verdade nunca gostei particularmente da voz do Carlos Mendes. Mas, uma vez,  numa daquelas circunstâncias importantes, esta música apareceu do nada, no rádio do táxi, colocando a situação a oscilar entre o risível e o circunspecto.  Sempre que a ouço sorrio com doçura e nostalgia de tempos em que crescer também era enfrentar contradições. E não, não é o meu nome.

14 maio, 2010

coisas de somenos ...

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Alguém diga a quem escreve as "sínteses" das notícias que passam no rodapé da sic que a cor predominante nos paramentos usados na missa presidida pelo Papa Bento XVI, a decorrer na Praça dos Aliados, no Porto, não é encarnada. Aqui no Porto, como no país inteiro, com excepção de Lisboa e arredores, usa-se vermelho, razão pela qual a cor predominante nos paramentos é vermelha.

[E não, isto não é bairrismo no mau sentido. Nesta, como em coisas mais importantes, assumir um uso particular como geral, é que não está certo.]

12 maio, 2010

provérbios à minha moda (7)

 .






Sutil, F.
volcano
(1983)






"(Das) cinzas no ar, desvia-te em terra."



Ver + aqui e aqui

Adenda:
"Cinzas de lava, não as leva o Bento"
"As cinzas de lava só não dão no Bento"

Adenda 2

"Em Maio respiram-se cinzas ao borralho!" Moon. Grande sugestão da Moon

16 abril, 2010

paz pontual







Shabelewska, Silas
peace 4











Tempos de agora, com outroras bem presentes,
(é este o chão que nos foge para o futuro)
vivem-se em ritmo interior com umas lentes,
que de fora nos impõem estilo duro.

De eficácias e realismos dourados,
chegam miragens que alimentam ilusões,
de oásis em desertos confirmados,
com o poder que só podem saltitões.

E só se salva quem saltar sem tom nem som,
viver de jás em prisões de quantidade,
lado de fora de quem ama a liberdade

radical de ir ao fundo, de estar com.
Nestes saltos sobressaio incapaz.
Quero o contrário de ZAP(ing) que é PAZ!

01 março, 2010

fronteiras do meu planeta

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Szaggars, S.
pronounced boundary
(2008)



Enigma, silence must be heard

Look into the others eyes, many frustrations
Read between the lines, no words just vibrations
Don't ignore hidden desires
Pay attention, you're playing with fire
Silence must be heard, noise should be observed
The time has come to learn, that silence ...
Silence must be heard
Or diamonds will burn, friendly cards will turn
Cause silence has the right to be heard
People talk too much for what they have to say
Words without a meaning, just fading away
Silence must be heard, noise should be observed
The time has come to learn, that silence ...
diamonds will burn, friendly cards will turn
Cause silence has the right to be heard

[Não sou de simplificações. Mas, para facilidade de conversa, estou do lado em que a pluralidade é estimada. (isto é um desabafo muito micro). :)))]

28 fevereiro, 2010

sismo no Chile (2)

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Matta, R.
le forze del destino
(1990)









HEMOS PERDIDO AUN...

Hemos perdido aun este crepúsculo.
Nadie nos vió esta tarde con las manos unidas
mientras la noche azul caía sobre el mundo.


He visto desde mi ventana
la fiesta del ponient en los cerros lejanos.

A veces como una moneda
se encendía un pedazo de sol entre mis manos.

Pablo Neruda, veinte poemas de amor y una canción desesperada, 46 [poesia século XX, publicações dom quixote]


Inti-Illimani, esta es mi terra

[A pensar em todos, mas em especial nos amigos de horas tão marcantes, como a C., o F. o E. ...]

Tenham um bom dia do senhor! :))

27 fevereiro, 2010

sismo no Chile

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Sismo no Chile. Como estarão os meus amigos chilenos? Amigos de tempos tão importantes.

25 fevereiro, 2010

saudades da madeira (2)

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A última vez que estive no Funchal foi no final de Maio do ano passado. Estas foram as cores que registei na altura, usando o paint no portátil, com um rato com vontade própria...










[eu sei que é preciso ter uma lata e tanto para colocar isto aqui. Mas quem dá o que tem, a mais não é obrigada... E, cada um exorcisa as coisas como pode... Estará, quiçá, (amo de paixão esta palavra quiçá) o descaramento desculpado?]